Produção de séries alavanca cena baiana

Publicação: 2018-06-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Uma das novidades do festival Goiamum 2018 é a mostra Panorama do Audiovisual Baiano. A iniciativa possibilita ao público potiguar conhecer um pouco da produção baiana em curtas, longas e séries de televisão – a mais crescente no estado. A mostra foi aberta na quinta-feira (7), mas outras duas sessões estão previstas, na sexta e no sábado, nos horários das 15h às 18h, no Solar Bela Vista (Cidade Alta).

Nos últimos cinco anos, a Bahia produziu mais séries que filmes, seja em ficção, documentário, animação
Nos últimos cinco anos, a Bahia produziu mais séries que filmes, seja em ficção, documentário, animação

A curadoria do Panorama do Audiovisual Baiano é de Lula Oliveira, jornalista, cineasta e um dos sócios da produtora DocDoma Filmes. Dentre seus filmes estão o curta “Na Terra do Sol” (2005) e o longa “Trampolim do Forte” (2010). Atualmente ele prepara dois trabalhos novos, um documentário, no qual assina a produção, e um longa, sua primeira ficção, a ser filmada em 2019, no qual assina a direção.

Em Natal por ocasião do Goiamum, do qual participa pela segunda vez, Lula Oliveira conversou com o VIVER. Na entrevista, ele falou sobre a diversidade temática dos filmes baianos, as políticas públicas que alavancaram a produção, o boom do gênero séries locais e a relação com outros pólos de produção audiovisual no Nordeste, como Ceará e Pernambuco.

Como surgiu a mostra Panorama do Audiovisual Baiano?
Foi uma iniciativa do próprio Goiamum. Os organizadores estão com a ideia de daqui pra frente homenagear um estado do Nordeste a cada nova edição. A Bahia foi a primeira escolhida porque o RN tem um distanciamento cinematográfico com o estado, diferente de Pernambuco, Ceará e Paraíba, que já há aproximação. A proposta é apresentar um pouco da nossa produção para aproximar os estados.

Para mostra você também trouxe algumas séries produzidas na Bahia. Há uma tendência na cena audiovisual de lá em se produzir conteúdo para a televisão?
A produção baiana não se concentra só em curtas e longas. Há boom de conteúdo para a televisão. É uma peculiaridade da nossa produção. No estado, nos últimos cinco anos se produziu mais séries que filmes, seja em ficção, documentário, animação. Houve um salto de quantidade e de qualidade. Vamos exibir na mostra alguns episódios dessas séries.

O que levou os produtores baianos a se aproximar da televisão?
Houve uma política pública local, fomentado em grande parte pela parceria com a Ancine, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual. Há linhas de investimento específicas para a produção de conteúdo para a TV. Com essa parceria se criou um cenário de fomento. Ao mesmo tempo, encontramos na TV Educativa da Bahia (TVE Bahia) a primeira janela de exibição. As séries são exibidas no estado por esse canal. Mas um dos nossos problemas ainda é fazer o conteúdo circular para além da Bahia. É ai que entra o Nordeste Lab (encontro de negócio audiovisuais que está na quarta edição), que surge para aproximar nossa produção dos players (compradores).

Lula Oliveira, cineasta e curador, está em Natal para acompanhar festival de cinema e trazer a nova produção do cinema baiano
Lula Oliveira, cineasta e curador, está em Natal para acompanhar festival de cinema e trazer a nova produção do cinema baiano

Com relação ao conteúdo, o que você poderia falar sobre a produção baiana?
Nossa produção é muito diversificada, seja na estética, na temática ou narrativa. Não existe uma linha editorial. Há filmes e séries que abordam questões sociais e antropológicas. Os realizadores também tem levado em conta muito a demanda, principalmente os produtores de séries. Nessa área a demanda por produções infantis é muito forte.

A questão do negro, em seus vários aspectos, é uma temática forte na produção baiana?
Essa mostra desconstrói um pouco essa expectativa. Embora filmes como “Travessias Negras” (série de Antônio Olavo) tenham essa pegada de militância, se verá que o universo temático dos filmes baianos é muito diversificado. Mas de qualquer forma a questão da negritude continua sendo algo muito importante pra gente.

Como tem sido a recepção do público baiano aos filmes produzidos no estado?
O público brasileiro como um todo diminuiu muito. Na Bahia não é diferente. Nosso grande desafio continua sendo dar visibilidade à produção. Mas o que sentimos por enquanto é que a recepção dos baianos aos filmes produzidos no estado é boa. O público tem respondido bem.

No Nordeste, além da Bahia com produção cinematográfica crescente, Pernambuco e Ceará também se destacam. Mas parece que os três estados não se comunicam muito. Por que é assim?
Realmente deveria ter mais comunicação, intercâmbio técnico, discussão estética e narrativa. Os realizadores estão mais preocupados em fazer o seu. Tem que respeitar isso também, porque cada estado tem seu movimento particular. Mas há uma perspectiva de construir um diálogo mais forte, inclusive com o Norte e o Centro-Oeste. Já existe, por exemplo, o CONNE (Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste.), uma iniciativa para integrar essas regiões do Brasil em torno da articulação de políticas para o setor. Existem recursos na Ancine específicos para essas três regiões. É importante essa união, lutar junto para que esses recursos de fato cheguem pra gente.

Essa é sua segunda participação no Goiamum. Já deu para conhecer um pouco da produção potiguar?
Pouca coisa. Na noite de abertura do Goiamum vi um curta (“Arredia e Tão Só”, de Augusto Lula) que me encantou. Estou produzindo um documentário sobre uma comunidade quilombola e o filme que vi aqui me deu algumas ideias quanto a enquadramento e fotografia dos entrevistados. Cheguei a falar com o diretor depois, o Lula, meu xará.


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