Produção industrial acumula queda

Publicação: 2018-09-05 00:00:00 | Comentários: 0
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A indústria brasileira opera atualmente 14,1% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 4.

Em termos de patamar de produção, segundo levantamento do IBGE, é como se a indústria estivesse operando como em maio de 2009
Em termos de patamar de produção, segundo levantamento do IBGE, é como se a indústria estivesse operando como em maio de 2009

“Claro que esse distanciamento já foi maior. Em maio, esse distanciamento foi de 23,7%. Há melhora, claro, em função da volta da produção, mas esse distanciamento é de dois dígitos. Em termos de patamar de produção é como se a indústria estivesse operando como em maio de 2009. A indústria não sai desse patamar", apontou André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do IBGE.

Segundo Macedo, há uma tendência de recuperação gradual, mas que não recupera perdas acumuladas em anos passados. Com as oscilações de maio (-10,9%) e junho (12,9%), provocadas pela greve de caminhoneiros, seguida pela ligeira queda de 0,2% em julho ante o mês anterior, a indústria está 0,8% abaixo do patamar de produção de dezembro de 2017.

“É como se tivesse operando mais baixo do que operou no ano passado", ressaltou Macedo. “A gente está num patamar superior ao que a gente tinha antes da greve dos caminhoneiros. Passados três meses, eu avancei 0,3%. Estou praticamente estável ao patamar que eu tinha em abril. Mas o patamar de produção é 0,8% menor que o de dezembro do ano passado", resumiu Macedo.

A produção de bens de capital está 35,6% abaixo do pico registrado em setembro de 2013, enquanto a fabricação de bens de consumo duráveis encontra-se 22,6% aquém do ápice alcançado em junho de 2013.

“É claro que a gente tem algum tipo de melhora em relação ao que a gente tinha em 2016. Mas, em relação ao ano de 2017, a indústria acaba não avançando de forma mais consistente", completou o gerente do IBGE.

Setores atingidos
Em meio à perda de fôlego na recuperação da economia, a crise na indústria brasileira piorou no primeiro semestre. Mais de um terço dos setores industriais encerrou a primeira metade do ano com desempenho negativo, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Entre o segundo semestre de 2017 e o primeiro semestre de 2018, a parcela de atividades consideradas em crise (moderada e intensa) cresceu de 26% para 36% dos 93 ramos industriais investigados. Os piores desempenhos foram registrados pelos fabricantes de joias e bijuterias, reservatórios metálicos e caldeiras, artigos de malharia, brinquedos e artefatos para pesca e esporte.

“Houve realmente uma reversão na força da recuperação", diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi. Dados do IBGE mostram que a indústria avançou 4,9% no quarto trimestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre deste ano, o avanço foi de 3%. No segundo trimestre de 2018, a alta ficou em apenas 1,7%.

“Como o movimento de desaceleração vem desde o começo do ano não dá nem para responsabilizar a paralisação dos caminhoneiros como causa da inflexão, embora possa ter contribuído para cortar pela metade a taxa de crescimento no semestre", diz Cagnin.





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