Produtores cobram garantias

Publicação: 2016-07-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Da Agência Sebrae RN

Garantia de comercialização do petróleo que deverá ser extraído dos 104 campos maduros – sendo 38 deles no Rio Grande do Norte – a serem repassados para a iniciativa privada. Esse é um dos principais pleitos das operadoras independentes apresentados à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), durante a Conferência do Setor de Petróleo do Norte e Nordeste (PetroNor). Encerrado ontem na sede do Sebrae no Rio Grande do Norte, em Natal, o evento reuniu empresários do segmento e as principais entidades da área de energia do Brasil e de países, como Canadá, Colômbia e México.
Renata MouraEvento reuniu especialistas e empresas do segmento do petróleoEvento reuniu especialistas e empresas do segmento do petróleo

De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Anabal Santos Júnior, apenas fazer a concessão dos poços em estágio avançado de exploração não é suficiente para gerar negócios num setor onde operam cerca de 49 produtoras independentes, sendo 20 delas ligadas à ABPIP. Pelos cálculos da associação, essas empresas já investiram mais de US$ 2 bilhões em tecnologia para operar na exploração desses campos.  Na visão do diretor, as concessões exigem que o empresariado compre algo que ele não sabe se vai conseguir vender. Ou seja, comprar o campo e não ter garantia de venda do petróleo ali explorado.

“A história recente da venda de petróleo no Brasil é muito danosa para o produtor. O único comprador é a Petrobras, que tem a refinaria, e impõe condições são não razoáveis. Isso precisa ser revisto rapidamente. Não precisa se criar nada novo. Apenas usar a mesma sistemática para desenvolvimento do biocombustível. Ou seja, criar uma lei que obrigue as refinarias do Brasil ter uma carga de xis por cento de petróleo nacional”, diz.

A proposta é que a ANP regule os leilões, como faz com o biocombustível, cujos ganhadores só entregam o produto contratado anos depois. A empresa vencedora do leilão captaria recursos junto aos bancos para viabilizar a exploração dos poços.

“Temos de criar mecanismos e condições de viabilizar a exploração desses campos, mas é preciso assegurar um preço justo e ter garantia de compra desse petróleo”, disse o diretor técnico do Sebrae, João Hélio Cavalcanti. As operadoras independentes têm outros 11 pleitos para fortalecimento desse segmento. Os mais urgentes são a questão do licenciamento ambiental e a criação de uma superintendência de campos terrestres na ANP para otimizar discussões e ações sobre o tema na Agência.

A programação da PetroNor envolveu debates e mesas redondas que avaliaram o mercado de energia e mostraram experiências exitosas em outros países, além da questão da concessão dos campos maduros - principal tema. Ontem, uma mesa redonda coordenada pelo presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia e membro do Conselho Fiscal do Sindicato das Empresas do Setor de Petróleo, Gás e Combustíveis, Jean-Paul Prates, discutiu a realidade e os desafios na produção terrestre.

Promovido pela Austral Consultoria com o apoio do Sebrae, o evento foi encerrado com uma rodada de negócios envolvendo pequenas empresas vendedoras de produtos e serviços da cadeia produtiva, assim como, por exemplo, companhias independentes, e concessionárias do setor. Foram cerca de 90 reuniões de negócios, a maioria com perspectiva de concretização após 60 dias.

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