Produtores pedem aumento de vazão em Poço Branco

Publicação: 2018-11-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Produtores rurais dependentes do rio Ceará-Mirim reclamam do atual volume de água vazada da barragem de Poço Branco para o leito do rio e querem aumentar a vazão do manancial. Na última medição realizada pelo Instituto de Gestão de Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), a barragem estava com uma vazão de 242 litros por segundo. Os produtores querem aumento para 450 L/s.

DNOCS alega que a abertura das comportas já foi feita, mas falta uma nova medição do Igarn
DNOCS alega que a abertura das comportas já foi feita, mas falta uma nova medição do Igarn

A Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pela gestão da barragem, permitiu o aumento e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) informou que fora realizada na última terça-feira, 20, mas os produtores da região voltaram a reclamar nesta sexta-feira, 23. Segundo um ofício de convocatória para uma reunião dos produtores, o Dnocs não fez a abertura.

Contrariamente ao afirmado no ofício, o coordenador do Dnocs no Rio Grande do Norte, José Eduardo Alves, afirmou que uma equipe fez a abertura na terça. O que estaria faltando seria uma nova medição, feita pelo Igarn. O diretor do Igarn, Josivan Cardoso, informou que a nova medição vai ser feita entre a semana de 03 a 07 de dezembro.

Desde o início do período de seca no nordeste brasileiro, há sete anos, intensificou-se o conflito de água na região leste potiguar envolvendo a barragem de Poço Branco. O nível de água do reser-vatório baixou e pôs de um lado os pescadores de Poço Branco em defesa do fechamento das com-portas para evitar o volume morto e, do outro, os produtores do rio Ceará-Mirim, que precisam das comportas abertas para ter o rio perenizado.

No ano passado, as comportas chegaram a ficar fechadas durante seis meses para uma obra do Dnocs. Elas estavam quebradas desde 2013 por ação humana, de acordo com o órgão federal. Houve uma relutância para reabri-las devido a falta de vigilância. A ANA considerou a possibilidade de depredação contra a barragem por um dos lados, para defesa de interesses particulares. Mesmo com 6% de nível d´água, o órgão permitiu a abertura.

Essa mesma consideração foi reiterada pela ANA no ofício deste ano, que determinou o aumento da vazão. O documento cita “a necessidade de implantação de sistema de segurança e vigilância, de forma a minimizar a possibilidade de futuras ocorrências de vandalismo – com risco de danos ao equipamentos hidromecânicos da barragem, além dos conflitos associados ao sistema hídrico Açude Poço Branco – Rio Ceará-Mirim”.

O nível da barragem é maior que o verificado no mesmo período do ano passado, atingindo 17,92%. “Se continuar usar como está e não chover, só em janeiro de 2021”, afirmou Josivan Cardoso, diretor do Igarn.

Inaugurada em 1969 para conter as cheias do rio Ceará-Mirim, a barragem ganhou outras finalidades ao longo das décadas. A principal é a pesca. Segundo a Prefeitura, 180 famílias dependiam dessa atividade até o ano passado. A partir disso, a represa se tornou um patrimônio da cidade, segundo os próprios moradores. “Deus está mudando as coisas por aqui com essa seca e a gente não pode perder a barragem. É a coisa mais linda quando está sangrando”, externou o morador Antônio Mariano, 65, à reportagem da Tribuna do Norte em outubro de 2017 para registro do conflito da água.

Mesmo com o início da pesca na barragem, ela nunca ganhou um plano de gestão – que, dentre outras finalidades, regula a vazão. No início não havia essa necessidade por ter sido planejada como represa para contenção de cheias. O que dificulta a criação do plano é o fato do Dnocs não ser gestor de águas. As comportas estiveram abertas durante dez anos sem nenhum controle, até serem quebradas e forças obras de conserto no ano passado.



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