Professor da UFRN critica formação policial

Publicação: 2008-02-28 00:00:00 | Comentários: 6
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SEGURANÇA - Alípío Souza critica preparação dos policiais do BrasilPara o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Alípio Souza Filho, o “mau policial” é um mito. Ele explica que sob os olhos da Sociologia a individualização do problema, a partir do apontamento de um ou outro policial que não cumpre o seu papel, esconde na verdade uma corporação inteira mal preparada.

Segundo disse o sociólogo, termos como “mau policial” ou “banda podre”, foram criados e são mantidos por autoridades públicas para que seja passada a falsa idéia de que os homens que cometem transgressões são a minoria da Polícia Militar. Alípio Souza Filho critica a forma de preparação das polícias do Brasil, pautada em concepções de autoritarismo e agressão.

“Essa não é uma questão individual, mas social. Uma polícia que usa a extorsão, pratica a tortura como técnica de investigação e oprime a população é uma polícia mal formada por inteiro. Por isso o mau policial é um mito”, disse o professor da UFRN. Para Alípio, as polícias brasileiras, principalmente a Militar, não têm atuado como organismos do Estado moderno.

O sociólogo explica que o modelo baseado no abuso de autoridade e agressões são fruto de nossa herança escravocrata, que faz com que pessoas da base da pirâmide social continuem sendo oprimidas, tratadas como cidadãos inferiores, como os escravos do século 19. A herança explica também a naturalização da violência policial pela sociedade, que chega por vezes a incentivá-la.

“A polícia violenta é fruto de uma sociedade aceita, naturaliza e legitima o perfil, passando a não ser objeto de crítica. E é por isso que os processos na corregedoria não dão em nada”, disse o sociólogo. Alípio insiste em ressaltar que, quando ocorre de um “mau policial” ser punido, o objetivo do Estado é manter o mito, disfarçando o mal preparo de toda a Polícia Militar.

O professor acredita que as práticas violentas são transmitidas formalmente nas academias, que raramente utilizam de concepções baseadas na civilidade e nos direitos humanos. O que se alia a falta de celeridade e resultado final nas apurações chegadas às corregedorias do país.

Para ele, a solução do problema só será alcançada se for esquecida a idéia de etapas, e se as ações sejam tomadas concomitantemente. O poder público deve mudar a forma de preparar os policiais, e a população deve aprender, cada vez mais, a denunciar as trangressões policiais e cobrar as devidas punições. 

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Comentários

  • thadeatila

    O que esse cidadao quer dizer com: \"... para que seja passada a falsa ideia de que os homens que cometem transgressoes sao minorias na Policia Militar.\"\" Esse idiota devia deixar de falar besteira e se peocupar mais com educacao para que a instituicao que ele trabalha mude a pessima imagem que possui no pais.

  • fcvalcacio

    Muito infeliz o comentário, não é opinião de um sociológo. Os fatos mostram, que a formação policial é deficiente, tem como principio a humilhação do aluno soldado, as instruções previlegiam as ações autoritárias, tendo como base o pensamento de "até que min prove o contrario tu és culpado". As pesquisas desenvolvidas pela sociologia tém muito contribuido para mudar esse quadro. Mas credito ser um processo difícil, pós trata-se de mudar a matriz cultural, ou melhor instituir uma nova ordem cultural em nossa sociedade, e isso deve ser um trabalho persistente, nos ambientes escolares, nas academias de policias, em fim, um compromisso de toda sociedade, para as futuras gerações tenham uma policia comprometida com o cidadão.

  • flaubertobzrra

    É por causa dessa cambada de ´ OLOGOS´´que a esculhambação esta grande, todo mundo quer se meter no trabalho da polícia.

  • fecc

    O assunto "polícia" é um daqueles em que todos se acham "o maior especialista do mundo". Esse professor com suas teorias e teses que provavelmente não passam disso mesmo, deveria para mostrar um mínimo de coerência buscar vaga em uma determinada força policial, seja como instrutor, ou melhor ainda como aluno, e por em prática o que ele pensa. Não quero tapar o sol com a peneira, mas ler opiniões de "sociólogos", "antropólogos", "filósofos" e tantos outros "logos" que so conhecem o problema por meio da televisão já se tornou algo chato que só promove o emissor da fórmula mágica para todos os problemas. Quem, realmente tem idéias para melhorar uma situação não fica de longe dizendo o que acha. Mete a mão na massa e corrige. Por fim, polícia é assunto para policial, da mesma forma que medicina é para médico, direito é para advogados etc. Quem não for do ramo muito ajuda continuando a ler seus manuais para corrigir o mundo.

  • gsloan

    Finalmente, sem nenhum medo de errar, declaro e parabenizo o Sr. Alípio Souza Filho - Sociólogo. Na minha declaração, que se converge para um comentário, devo dizer que é tudo isso que ele próprio colocou na matéria, sem tirar nem por, exatamente igual, pois mesmo que não percebamos, mas, criamos um mundo paralelo, para cada situação de tensão que passamos. No caso da matéria, o Professor destacou que a formação é precária, como também a essência da corporação é extremamente deficiente, além de todas carências, ainda temos que nos deparar com o mito do mau policial. E sem nenhum medo de errar, é a própria instiuição que precisa urgentemente de mudanças, onde o policial é pessoa e cidadão, quebrando aquele paradigma, de que o militar é superior ao tempo, que tem que estar sob pressão o tempo todo, ou seja, é lembrado só pelo número que representa e não pela função que ocupa.

  • ed_barretosilva

    Concordo com algumas colocações do sociólogo. contudo, algumas frases são ditas por uma pessoa que não conhce o fenômeno da violência urbana e principalmente da realidade da profissão policial, e não condizem com a realidade. Bem que o inteligente professor poderia dar a sua parcela de contribuição participando mais ativamente da formação dos nossos policiais, que precisam sim de uma melhor formação no que tange o trato com a sociedade e direitos humanos. Porém as condiçoes de trabalho estão longe de serem as mínimas possíveis para a realização de um bom trabalho.