Professor vê reflexos da pobreza extrema nos índices de violência

Publicação: 2018-04-17 00:00:00 | Comentários: 0
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O crescimento do número de pessoas que vive abaixo da linha de pobreza extrema no Rio Grande do Norte reflete, “diretamente”, nos índices de violência. A afirmativa é do professor Cláudio Roberto de Jesus, do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do RN, que traça paralelos entre o aumento de 25,2% dos casos de CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais) no RN – de 2016 para 2017 – com o avanço da miséria no Estado.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgados no último dia 11 de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a condição de pobreza extrema aumentou 18,45% no RN e 129,41% em Natal – no final do ano passado, cerca de 398 mil potiguares (destes, 78 mil natalenses) viviam com uma renda per capita de até R$ 137 por mês.

“Se cruzarmos os índices de pobreza extrema com os casos de violência, veremos que há uma relação direta. Essas informações dialogam com outros dados preocupantes, como o desemprego, a precarização das relações de trabalho e o aumento da informalidade”, observou Cláudio de Jesus, que é Mestre Economia Social e do Trabalho pela Unicamp e Doutor em Geografia pela UFMG.

Para o professor, “não é difícil fazer ligações” entre o índice de miséria e o aumento de atividades ilícitas “e da própria violência”: “É uma relação preocupante, e um fenômeno eminentemente urbano em um País marcado por desigualdades sociais profundas, que poderiam ser amenizadas com a adoção de políticas públicas adequadas”, frisou o professor de Gestão de Políticas Públicas.

Cláudio de Jesus ainda chama atenção para a necessidade de se fazer uma leitura mais humanizada dos números. “Quando falamos em pessoas abaixo da linha de pobreza extrema e taxas de desemprego, estamos falando de famílias, pessoas que estão procurando trabalho e não encontram. Nas cidades maiores essa questão representa um drama social, de famílias que estão vivendo em condição de miséria, e não de pessoas que estão passando por dificuldades devido à seca”, afirma o professor.


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