Professores descumprem decisão

Publicação: 2010-03-10 00:00:00
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Os professores da rede municipal  pararam o trânsito em frente à sede da prefeitura de Natal – Centro da cidade - na tarde de ontem. A movimentação foi um protesto contra a determinação judicial que classificou como abusiva a paralisação da categoria. E apesar da decisão, os professores vão manter a greve.

Professores votam pela continuidade da paralisaçãoDos aproximadamente 1.500 professores que compareceram à Escola Estadual Winston Churchill, apenas cinco se abstiveram de opinar sobre a continuidade da greve, o restante votou a favor  do movimento. “Vamos continuar com a greve e se for preciso, pagaremos a multa estabelecida pela justiça. Mas vamos entrar com agravo de instrumento para recorrer da decisão, pois o juiz julgou apenas a liminar e não o mérito da questão”, disse a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do RN (Sinte-RN), Fátima Cardoso.

Após a reunião, os grevistas saíram em passeata para o palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura de Natal, para tentar uma audiência com a prefeita Micarla de Souza. A diretoria do Sinte ocupou  as escadas do palácio Felipe Camarão, que serviu de palco para os protestos dos professores do município, em greve desde o último dia 18 de fevereiro.

Seis policiais da Guarda Municipal fecharam a entrada da prefeitura para impedir a passagem dos professores. “Nós não queremos entrar à força. Nós queremos ser recebidos pela prefeita para conversar e chegar a um acordo. Esses policiais deveriam estar nas portas das escolas para evitar que bandidos amedrontem professores e alunos”, disse um dos diretores do Sinte, José Teixeira.

Os professores permaneceram na sede da prefeitura por mais de uma hora, mas não foram recebidos pela chefe do executivo. “Ela está aí e não vem falar com a gente. Mas vai até a imprensa para dizer que essa é uma greve política, quando o que queremos são melhores salários e condições de trabalho”, disse Fátima Cardoso.

O Procurador Geral do Município, Bruno Macedo, informou que, ainda hoje, vai comunicar oficialmente o descumprimento da decisão judicial e orientar a Secretaria Municipal de Educação a cortar o ponto dos professores que permanecerem em greve. “Essa permanência afronta uma decisão judicial, por isso vamos orientar o corte do ponto dos professores a partir de amanhã (hoje). Não fizemos antes porque a categoria não havia descumprido a decisão judicial”, disse Bruno Macedo.

O Procurador informou ainda que  vai solicitar a multa diária de R$5 mil e encaminhar o processo ao Ministério Público para apurar crime de desobediência.

O secretário municipal de Educação Elias Nunes disse que  os professores têm autonomia e autoridade para tomar as decisões, independente das orientações do sindicato.  Quanto à forma de compensar as aulas perdidas no período, Nunes antecipou que a equipe pedagógica começa a discutir hoje as possibilidades de reposição.

Juiz afirma que greve entra na ilegalidade

O juiz convocado Henrique Baltazar afirma que a greve dos professores da rede municipal de ensino de Natal deixa de ser somente abusiva e, a partir de hoje, torna-se ilegal. Estando os servidores sujeitos ao corte do ponto, se for da vontade do gestor municipal. A partir de agora poderão ser tomadas medidas administrativas”.

O protesto dos professores causou transtornos nas ruas Ulisses Caldas e Junqueira Aires, na tarde de ontem. O trânsito ficou paralisado por quase duas horas. Os motoristas desceram dos carros para esperar o fim do protesto e quem dependia do transporte público ficou revoltado com a situação.

“Não sou contra a greve, acho que tem que haver protesto para melhorar a situação, mas a população não pode ser prejudicada. Tinha consulta médica e vou perder porque os ônibus não podem passar”, reclamou a dona de casa Maria José Barbosa da Silva.

Paralisação divide opinião de pais e dos professores

Independente da decisão tomada na assembleia geral dos professores do município, a greve não atingiu a adesão total da categoria ao longo desses 22 dias. Prova disso é a falta de homogeneidade,  provocada pela postura de aprovação ou descrença dos professores ao movimento encampado pelo Sinte/RN. Na Escola Municipal  Henrique Castriciano, nas Rocas, dos 16 docentes, oito permanecem em sala de aula. Entre este grupo que optou em não atrasar ainda mais o início do ano letivo, o posicionamento é contra as consequências da greve.

“Greve não resolve, se  resolvesse teríamos um resultado e não é o que vemos em quase um mês parado. O problema é a reposição. Não tenho tempo livre para essas aulas, por isso decidi continuar em sala de aula”, disse a professora do ensino infantil Elvira Virgínia de Miranda, que faz curso de pós-graduação em educação nos finais de semana.

Bastante atarefada, a professora Maria de Fátima do Nascimento lembra que existem outros fatores internos e externos que por si interferem no aprendizado. “São crianças com família desestruturada, temperamento agressivo, mal alimentadas, escolas com poucos recursos tudo isso já dificulta o processo. Retardar ainda mais estas aulas e depois reduzir a forma como serão compensadas, é não levar em consideração o aprendizado deles”, diz Fátima. Apesar de não suspender as aulas para os 30 alunos da antiga alfabetização ela considera a greve “uma pressão  válida para que a Prefeitura defina melhorias”, acrescenta.

Para a equipe de gestão (diretores e secretários) o trabalho também é dobrado. “A gente permanece  trabalhando, mesmo quando o professor pára e na reposição também, mas o prejuízo maior é sem dúvida para o estudante”, disse a diretora Suetânia Morais.

Do lado de fora a dona de casa Josilene Feitosa de Pontes se mostrava preocupada com o atraso na retomada das atividades. “Enquanto não se resolve, a gente fica sem ter com quem deixar. Acho que devem lutar pelos direitos, mas de forma organizada”.

Em Mãe Luiza, na Escola Municipal Antônio Campos, os professores mantiveram o calendário, ignorando a decisão da categoria. Todos os  educadores estão em sala. No entanto, as aulas estão reduzidas ao primeiro tempo, nos dois turnos – até a hora do recreio, devido à falta de merenda escolar. A suspensão parcial foi acordada entre pais, professores e conselho da escolha.

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Comentários

  • rubensmf

    Os governantes deverião valorisar mais o curso superior de um professor, são quatro anos de muito sacrifício,estudo,pesquisas. Ter que estudar para passar no concurso público, para ganhar menos de dois salários mínimos. Acho que a prefeita de natal,Micarla, deveria rever a situação dos professores e pagar um salário digno, para esta classe de trabalhadores,que tanto nos honrra.

  • gsilvestre.soares

    Pelo andar da carruagem percebemos que a prefeitura só entende a linguagem da justiça, da Lei. Se é assim então concordo com o senhor Bruno quando diz que é preciso acionar o Ministério Público.Conclamo a todos que trabalham ou tenham seus filhos em escolas públicas,especificamente em escolas e /ou cmeis municipais para procurarem a Promotoria da Educação(QUEM SABE ASSIM ELA ATUA E CUMPRE COM EXCELÊNCIA O SEU PAPEL)e denunciar a situação de descaso que a educação municipal vem vivenciando nesses últimos meses: *Faltam carteiras(muitas) *Falta manutenção nas escolas e CMEI *Falta merenda(AS POUCAS ESCOLAS QUE ESTÃO DANDO AULA ESTÃO SEM MERENDA E LIBERANDO ALUNOS ÀS 9:30)que vergonha !!!e o tempo pedagógico do aluno? Certamente estas escolas Irão contabilizar esse arremedo de aula como dia letivo cumprido(ISTO É CIDADANIA? É GARANTIR OS DIREITOS DO ALUNO?)NÃAAAAOOOOOOOO!!! É SER CONIVENTE COM O DESCASO PARA COM NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES. *E as creches?(hoje CMEI) como estão ? Convidamos a Promotoria da educação a fazer visitas a todos,eu disse a todos os cmei\'s e a todas as escolas para averiguar as instalações e como estão funcionando .\"NÃO BASTA ESTAR NA ESCOLA.É PRECISO APRENDER NELA\".Conheço muitos professores que desempenham um trabalho de excelência e que gostariam de estar em suas respectivas escolas,mas infelizmente a situação é esta que aí se mostra.ONDE ESTÃO OS VEREADORES? Estes que se intitulam cavaleiros defensores dos pobres desfavorecidos?Estão em algum programa de televisão comentando sobres as galinhas que degustaram na casa da \"cumadre\"... Quem tem olhos que vejam anúncios verdes descabidos.Quem tem ouvidos que escutem os\" miolos de quartinha\"...as onversas para boi dormir...As verdes.... TODOS PELA EDUCAÇÃO.NEGOCIAÇÃO JÁ!!!!

  • agostinho.pqd

    A justiça está sempre ao lado do poder, a minha categoria também já passou por isso. parbéms pela garra professores!

  • alblima

    Sou cidadão desta cidade há 30 anos e o que vejo hoje é o descaso dos poderes públicos com a população natalense. Não temos mais educação, segurança e saúde de qualidade. A prefeitura do Natal não assume seu real papel perante a sociedade e descumpre também com seu papel gestor. Aliás, se tivessemos que punir severamente alguém (ou algo) deveríamos começar pelo poder público que não consegue se manter justo porque a corrupção sempre aflora. Os professores estão lutando por melhores salários e condições de trabalho e acho justo que isso aconteça com a responsabilidade necessária. Infelizmente a alternativa mais viável é a greve, mesmo que esta gere alguns transtornos à população. Prefeita vá trabalhar e deixe de roubar, porque pediremos sua saída por improbidade administrativa daqui a pouco.

  • hugo_cassio

    Eu sou aluno da rede municipau. Tô no 9º ano e é verdadi só recebi a 1 camizeta da educação fízica (piquena, porque não tinha mais o meu tamanho) e 1 camiza normal da farda. Passei o ano pasado todu indo pra iscola de calça jeans e sandália japoneza. E a bolsa que agente recebeu fazia vergonha de sair na rua de tão fraca. E adoro os meus profesores e por iso quero que eles ganhe mais dinhero. Um médico tem dinhero pra comprar carrão, ter plano de saúde, ter internet em casa, viagar. Os coitados dos nosso professor num mal tem dinhero pra comprar livro pra istudar. E quero também votar pra diretor na minha escola. Num quero que veinha uma pessoa lá da prefeita pra mandar na gente não. Porque se Natal tá do jeito que tá imagine como vai ser a escola se ela mandar o povo dela? E outra coiza: vcs se lembram do povo que feiz as aprezentações na festa de natal? Tem amigos meus que se apresentaro e não recebero o dinhero ainda. Lá, em caza, o povo já disse que não vai votar mais em Micarla, os meus viznho também. Moro na Zona Norte. E quando for daqui a 2 ano eu vou tá em idade de votar, mas num vou votar nela não. Nãããããããããaã... Meu profesores são ótimos, eu amo eles. Eles merece melhores salários sim. Apoio os profesores. Quando vcs forem pagar a greve, agente recupera o tempo perdidu. Só pra terminar, eu assisti também a entrevista da prefeita no programa da rede dela, minha família também assistiu, mais todo mundo ficou indiginado foi com ela e não com os profesoes. Porque ela não quer conversa? Porque ela não quer entrar em acordo com os nossos mestre? Isso é demais. E ainda deu a entender que eles são cachorros, eu vi essa parte.

  • veridianoms

    É amigos! No reino-do-faz-de-conta a conta da ações governamentais não é bem explicada. Ah! Que lugar esse onde moro: onde as tvs são usadas por seus donos para tentar manipular o povo; que políticos se outorgam os senhores feudais e não servidores para o bem comum; que vereadores fajutos são empregados do executivo quando deveriam ser empregados da população; lugar onde a imprensa que deveria ser os olhos denunciantes das pessoas contra abusos de poder político versam por um lado só da cartilha poderosa; onde as decisões dos magistrados são amareeelas e cheias de simbolismos políticos. Que lugar! Natal? Será? O feudo mais velado e contemporâneo que existe? Prefeita, imatura prefeita, a coisa pública não é sua empresa que a senhora possa simplesmente dizer não e pronto num \'xilique\' de raiva por está contrariada e não saber ceder nem ouvir. Cuidado!!! Tenha calma!! Respire porque governar é enfrentar tensões e adversidades. É saber ouvir e procurar o bem geral, não por virtude pessoal mas sim por obrigação do cargo. Ahh!! O movimento questiona as políticas educacionais da prefeitura do Natal. Coisa de menina imatura que pouco sabe sobre política e muito sobre politicagem. Outras gestões pertencem ao contexto político da cidade do Natal (prefeitura, abstração!). Ou não sabes disso? Agora, ajuelha e reza. Isso é responsabilidade da prefeitura. e quem tá à frente? Aprenda a governar e não a mandar como se a cidade fosse sua empresa.