Progresso a passos de formiga

Publicação: 2011-06-14 00:00:00 | Comentários: 6
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Tidas como cidades mais atrasadas nos projetos da Coa de 2014, São Paulo, Natal e Fortaleza deram um pouco mais de ritmo ao trabalho de preparação do palco que irá receber o principal espetáculo esportivo do planeta. Na capital cearense, uma parte das arquibancadas do estádio foi implodida. O setor será utilizada para a construção do Edifício Central, onde funcionarão os camarotes e toda a inteligência do Castelão, com sala de monitoramento, controle Automatizado do estádio, transmissão de imagens, além de centro de mídia, áreas vips e vestiários. As condições do projeto do estádio cearense estão bem mais adiantadas que as de Natal e de São Paulo, onde o anuncio de que as obras haviam iniciado, não modificou o ar cético dos membros da Fifa, desconfiados de que a capital paulista não terá condições de brigar pela abertura da competição, uma vez que o orçamento do projeto ainda não está fechado. Se no Itaquerão existe apenas um terreno limpo, na capital potiguar as obras terão de iniciar com a demolição do complexo Machadão-Machadinho, que ainda não possui data definida. Por enquanto os trabalhos no local se resumem a retirada da grama do estádio, e ao nivelamento do terreno em volta das duas estruturas para instalação dos barrotes que irão receber os tapumes de zinco, que irão isolar a área.

Gramado do Machadão começa a ser retirado

Funcionários da Semsur iniciaram o trabalho de remoção do gramado sem material de proteção individual e munidos apenas com facão e chibanca, revelando despreparoEnquanto a OAS iniciou o processo de instalação do canteiros de obras em torno do complexo Machadão-Machadinho, cavando os buracos para implantação dos barrotes que irão receber os tapumes de zinco, a Prefeitura do Natal aproveita o tempo para arrancar a grama do estádio de Lagoa Nova, que será replantada nos canteiros das principais avenidas da cidade e praças. Os funcionários municipais responsáveis pela retirada do gramado, no entanto reclamam da falta de condições de trabalho no local, onde sequer eles têm água para beber, bem como da falta de material de segurança.

Segundo a previsão dos técnicos da OAS o início da  implantação dos tapumes deve ocorrer, no mais tardar, nesta quarta-feira, mas o serviço não tem previsão para terminar, já que serão cercadas uma área de 30 mil metros quadrados. Por enquanto, além de cavar os buracos para implantação dos barrotes, os trabalhadores também aprontam o nivelamento do restante do terreno, uma vez que a altura de cada tapume deverá medir dois metros de altura.

“É uma área muito grande para ser cercada, pretendemos terminar este serviço até o final desse mês. Esse é o tempo que acreditamos ser suficiente para efetivação de toda mudança da Secretaria da Juventude, do Esporte e do Lazer do Machadão”, afirmou Demétrio Torres, secretário da Secopa.

Grama

O trabalho de retirada do gramado também foi iniciado ontem. As placas de grama do Machadão estão sendo levadas para o horto municipal da Zona Norte, de onde uma parte sairá para ser replantada na avenida Prudente de Morais, onde os trabalhos de preparação dos canteiros já foram iniciados e também para os canteiros da avenida Engenheiro Roberto Freire, da BR-101 e algumas praças.

Walter Pereira, encarregado de operações do departamento de paisagismo da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Sensur), disse que ainda não foi definido o destino final de todo o gramado, que ficará estocado no horto da Zona Norte até segunda ordem. O tipo de grama esmeralda, é o mesmo que é encontrado nos canteiros e praças da cidade.

Protesto

Sob sol forte e obrigados a retirarem as placas de grama de forma manual, por falta de um equipamento apropriado na Sensur. Os funcionários que estão trabalhando no Machadão não esconderam o descontamento com as condições de trabalho a que estão sendo expostos. A falta de um bebedouro d’água no local demonstra o retrato do improviso na ação realizada pela Sensur. Além do mais, entre o grupo de 15 homens, tem trabalhador que sequer possui uniforme, mas que é  obrigado a realizar o serviço para não receber falta.

Trabalhando sem os equipamentos de proteção individual (luvas e botas), sendo que dentro do grupo muitos estavam calçados  apenas com chinelos  e tendo como equipamentos apenas alguns facões e também  chibancas, em quatro horas de trabalho os funcionários  tinham conseguido arrancar apenas 5 metros quadrados de placas de grama. Como a área de um campo de futebol equivale a mil metros quadrados, a continuar neste ritmo de trabalho do primeiro dia e com o mesmo número de homens seriam necessários 33 dias de trabalhos ininterruptos para se arrancar toda o gramado do estádio.

“Realizado de forma manual eu não sei quantos dias serão necessários para completar o trabalho de remoção desse gramado. Deve levar bem, mais de um mês se levarmos em consideração que esses funcionários trabalham apenas até as 13 horas. A primeira reivindicação que foi feita para retirada desse gramado foi que a Sensur alugasse uma máquina para realizar o corte das placas”, afirmou Walter Pereira, ressaltando que dessa forma todo gramado seria retirado no máximo em quatro dias.

Os funcionários aproveitaram a oportunidade para protestar contra os baixos salários e a postura da Prefeitura do Natal que se nega a repassar para o grupo as gratificações por deslocamento, salubridade e por risco de vida que, praticamente, dobrariam os seus salários.

Da turma que fez concurso em 2006, apenas os servidores convocados em 2007, num total de 54, tiveram direito a incorporação das garantias, extintas em dezembro do ano passado com a implantação do novo Plano de Cargo, Carreira e Salário imposto pela administração Micarla de Sousa e que retirou as vantagens dos funcionários que assumiram seus postos a partir de julho de 2010, anterior a implementação do novo plano de cargos.

Implosão derruba parte do Castelão

Parte da estrutura das arquibancadas do estádio Plácido Castelo (Castelão), no Ceará, foi implodida neste final de semana. Inaugurada em 1974, a praça esportiva foi a escolhida para abrigar os jogos e passa por trabalhos de modernização. Cerca de 500 kg de explosivos colocaram abaixo uma parcela da arquibancada que vai abrigar o Edifício Central, onde funcionarão os camarotes e toda a inteligência do Castelão, com sala de monitoramento, controle automatizado do estádio, transmissão de imagens, além de centro de mídia, áreas vips e vestiários.

As avenidas ao redor do Estádio Plácido Aderaldo Castelo foram interditadas logo pela manhã. O trânsito foi alterado para a operação de implosão de apenas 20% das arquibancadas do estádio, mas a proibição não deixou de atrair curiosos, que ficaram em pontos montados pela Polícia Militar acompanhando toda a operação.

A primeira fase da reforma do Castelão que está prevista para ser entregue no final de agosto, é o edifício-sede da Secretaria de Esportes, que atualmente funciona anexa ao estádio.

Depois de ver o sucesso do trabalho, o secretário da Copa 2014 do Ceará, Ferruccio Feitosa, reafirmou que o Castelão é a única arena do Nordeste com possibilidade de receber uma partida de semifinal da Copa, já que tem capacidade para mais de 60 mil espectadores. “Todo o entulho gerado pela implosão será reaproveitado para o restante das obras e a construção da estrutura do estádio. Temos dentro do Castelão uma pequena usina de reciclagem”, informou o Ferruccio.

Ao todo 245 pessoas, além de 54 viaturas da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Autarquia Municipal de Trânsito de Fortaleza (AMC) estiveram envolvidas diretamente para garantir a segurança e a ordem durante os trabalhos de implosão, realizada através de um trabalho integrado da Secretaria Especial da Copa 2014, Consórcio Castelão, Defesa Civil do Estado e do Município, Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Guarda Municipal de Fortaleza e Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza.

“Vistoriamos o prédio da Secretaria de Esportes (anexo ao Estádio) e os prédios do entorno do estádio. Não registramos nenhum problema. Tudo está intacto, nenhuma casa ou prédio foi afetado”, disse o gerente do Consórcio Castelão, Paulo Castro.

Mas as questões relativas ao estádio não estão sendo considerados problemas para capital cearense, o que vem chamando a atenção do Comitê Organizador da Copa (LOC) são as dificuldades que as autoridades estão encontrando para resolveras questões de mobilidade na cidade. Por conta disso, eles estão inseridos no quadro do Ministério do Esporte onde os projetos para o Mundial estão sendo apontados como os mais atrasados, ao lado de São Paulo e Natal, apontadas consideradas as lanterninhas dessa corrida particular entre as sub-sedes do Mundial.

Sindicato teme escassez de mão de obra

O presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores do Ramo da Construção Civil Assis Pacheco teme que a escassez de mão de obra no setor de construção civil cause dificuldades às obras para a Copa de 2014, entre elas a construção do estádio Arenas das Dunas e obras de mobilidade urbana, contempladas pelo Pac. O cadastro de reserva de profissionais do Sindicato, fonte de oferta de mão de obra para a busca de empresas, há muito se mantém zerada. Contudo, ressalta o Assis Pacheco, o cronograma para execução das obras poderá não sofrer alteração.

“A solução será buscar fora do Estado esses profissionais, por que  já há uma baixa para atender ao mercado imobiliário hoje em dia. Em alguns estados, como a Bahia, há mão de obra em excesso. E sendo o consórcio uma empresa baiana poderá buscar mão de obra naquele estado”, disse o sindicalista.

Um panorama sobre o quantitativo de pessoal necessários às obras, bem como as demais providências no setor para a profissionalização e colocação de pessoal no mercado local será feito a partir de um projeto definido pelo Ministério do Trabalho, que será encaminhado a Confederação e as federações de trabalhadores da construção civil na próxima segunda-feira, dia 20. “O sindicato junto com as federações estão em permanente discussão para elaborar um cronograma para atender a demanda, inclusive com a captação de recurso para construção do centro de formação de pessoal”.

São Paulo

A Fifa não entrou no clima de oba-oba que tomou conta dos corintianos após o anúncio, há duas semanas, de que as obras do estádio de Itaquera haviam começado. A reação na entidade comandada pelo suíço Joseph Blatter, reeleito presidente no dia 1º, foi de absoluto ceticismo ao receber o último relatório a respeito da arena corintiana, palco sugerido para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

E, sim, a Fifa trabalha com a possibilidade de realizar o Mundial sem a participação de São Paulo. A grande questão que pauta os encontros em Zurique é a indefinição do que os patronos da “Família Fifa” chamam de tripé de segurança. Para eles, nenhum projeto será considerado confiável enquanto não tiver orçamento fechado, construtora contratada e engenharia financeira definida. Justamente o que falta para o sonho do torcedor corintiano se transformar em realidade.

Enquanto maquinário pesado faz a terraplenagem do terreno localizado na zona leste da capital, a diretoria alvinegra ainda se debruça em reuniões para fechar a conta do projeto. O trabalho é dividido em duas frentes: política e técnica. No mês passado, Sanches esteve reunido em Comandatuba, na Bahia, com o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos mentores e principais incentivadores do estádio corintiano. Lula foi chamado para reaproximar o clube da construtora Odebrecht. Sanchez sentia que os representantes da empresa já não davam a mesma importância ao projeto após a troca de comando no Palácio do Planalto. E parece que a estratégia deu resultado. Poucos dias após, o clube publicou nicado sobre o início das obras.

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Comentários

  • nosdliw

    Enquanto utilizam o dinheiro público para fazer as \"obras\" da copa, Ricardo Teixeira, que mandará na copa 2014, é condenado na Suíça por corrupção. Imaginem só no que dará, uma raposa tomando conta de um galinheiro. Pobre do meu Brasil!!!

  • edcar1811

    Um campo de futebol mede aproximadamente 10.000 m², e não 1.000 m² como diz a reportagem. 15 homens, cortando apenas 5 m² por dia, necessitariam de 2.000 dias para concluir a tarefa completa, o que corresponde 5 anos e quatro meses. Por esse cálculo absurdo, o gramado do Machadão só será removido no 2.016, dois anos após a Copa do Mundo. É uma grande piada, não se sabe se é do jornalista ou dos \"organizadores\" da copa em Natal.

  • carlosh076

    é um descaso total!!!!! cadê o respeito a esses trabalhadores?? como esses pais de familia vão conseguir um nivel de subsistencia familiar???? senhora gestora chefe do executivo municipal procure esses trabalhadores juntamente com secretario da semsur paguem a eles seus direitos, por que pelo q pude ver eles estão fazendo seus deveres a um ano.

  • anita.dias

    É SEMPRE ASSIM. ENQUANTO OS CANTEIROS DAS AVENIDAS E PRAÇAS DA ZONA NORTE SE ACABAM NA FEIURA E NA FALTA DE CUIDADO, A PREFEITURA PREFERE CUIDAR DAS AVENIDAS DA ZONA SUL, JÁ MUITO BEM CUIDADAS ATUALMENTE, E SE ESQUECE DO RESTO DA CIDADE.

  • para_andre.pereira

    Essa COPA vai ficar conhecida como COPA DO IMPROVISO! O tão alardeado \"Legado da copa\" será de obras públicas mal acabadas e super faturadas, bem ao estilo \"jeitinho\" brasileiro. Nós temos um modelo de gestão pública falida, que não ano após ano nos dá exemplos de incompetência, descaso e amadorismo.

  • deuto_lima

    Onde está a fiscalização do Ministério do Trabalho a esses trabalhadores ? ? ?