Projeções estimam abstenção mais acentuada

Publicação: 2020-10-20 00:00:00
Em virtude da pandemia do novo coronavírus, o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Marcos Nascimento Maia, trabalha com a hipótese de que, nas eleições de 15 de novembro de 2020, a abstenção eleitoral (eleitores que deixam de comparecer às urnas) supere os percentuais registrados nos pleitos municipais de anos anteriores.

Créditos: Alex RegisMarcos Maia afirma que se houver a abstenção elevada, a tendência é que não se tenha grandes filasMarcos Maia afirma que se houver a abstenção elevada, a tendência é que não se tenha grandes filas

Marcos Maia estima que a tendência da abstenção é passar dos 14%, superando o índice de 13,56% registrado nas eleições municipais de 2016, a maior desde as eleições de prefeito e vereador de 1996, quando 15,61% dos eleitores potiguares deixaram de votar.

"Por questões óbvias, principalmente os mais idosos ou quem tem mais comorbidade não vão querer se arriscar ir votar no dia das eleições", diz Marcos Maia. 

Para ele, a pandemia poderá terminar afastando eleitores de todas as idades das urnas, mas acredita que terminará influenciando, principalmente, os que estão na faixa de risco - acima de 60 anos, que respondem por 18,32% do eleitorado de 2.447.178 pessoas no Rio Grande do Norte.

Além disso, Maia conta que do total de 448.335 eleitores acima de 60 anos, ainda tem o percentual de 8,39% ou 205.346 eleitores com mais de 70 anos que são "facultativos", não são obrigados a votar, salvo justificativa ou preferem pagar multa a comparecer à seção eleitoral no dia do pleito.

O secretário de Informática do TRE também avalia que, a se confirmar essa decisão de uma parcela do eleitor de não comparecer às urnas devido a pandemia, a previsão é de que também isso contribua para não ocorrerem filas ou aglomerações, como em eleições anteriores que levaram o  encerramento da votação a passar das 17 horas, mesmo com agregações de urnas por causa de problemas na substituição de equipamentos mais antigas por mais modernos. “Houve problemas na licitação do TSE, a gente teve de descartar modelos mais antigos e por defasagem tecnológica, tivemos que reduzir algumas sessões eleitorais”.

Ele explicou que usou-se dois mecanismos para superar esse problema: "Agrupamos seções para usar uma urna ao invés de duas e também transferimos frações de eleitores de seções para outras eliminando seções em determinados locais de votações".

Porém, segundo Maia, essas mudanças não mexem com mudanças de eleitores para outros locais,  "esses eleitores são redistribuídos de sessões dentro do mesmo local de votação. Ele não tem aquela dificuldade de saber onde vai votar, será no mesmo local onde ele votou na eleição passada, apenas na sessão dele é que vai haver uma modificação". 

Apesar de algumas mudanças por essa deficiência de urnas eletrônicas, Maia disse que pelo menos três fatores terminam beneficiando. 
"Primeiro, é por ser uma eleição municipal com dois cargos, então é uma eleição muito mais rápida do que a eleição de 2018", avisou, depois, continuou, ”não vamos exigir,  excepcionalmente,  por questão da bio-segurança, a identificados biométrica, que é aquele ponto de contágio pela digital das pessoas".

Com isso, acredita Maia, pode se dar até uma velocidade muito maior no processo de identificação, com uso de documento e fotografia, "apesar de se saber que a gente está abrindo mão um pouco da segurança desse processo, mas essa foi uma determinação do TSE, que se flexibilizasse isso este ano para poder diminuir a possibilidade de contágio".

Outro ponto, segundo ele, é que a própria pandemia traz uma expectativa desse maior íncide de abstenções e um menor número de comparecimento de eleitores às urnas. Marcos N. Maia também acha que o acréscimo de uma hora do período de votação, que ao invés de se iniciar às 8 horas, este ano começará às 7 horas e vai até às 17 horas, vai contribuir para a diminuição de filas.

"Nós temos tudo a favor para que não tenhamos aglomerações indesejadas no dia das eleições", reforçou ele, que acrescentou: "Sempre se disse que a biometria não veio para agilizar, veio pra dar mais segurança contra o risco de fraude".

Mas, avalia ele, "agora tirou-se um pouco  a segurança, não para dar mais velocidade, mas para dar mais proteção às pessoas por parte da pandemia".

Também é apontado como fator, é que este ano o eleitor vai votar para prefeito e vereador, o teclado da urna tem 11 teclas, mas quando teclar nove vezes acaba depois do confirma. "Em média vai demorar no máximo um minuto, se tiver uma fila constante, 60 pessoas votam em uma hora". 

Ele disse que serão dez horas de votação, "mas é lógico que não se consegue um fluxo regular de eleitores do início até o final, porque vai ter hora que tem fila e em outras não vão ter ninguém pra votar". 

Depois, mesmo para aqueles eleitores de grupo de risco, existe a recomendação da Justiça Eleitoral, que não é obrigação, "pra que se dê prioridade a votação dos idosos das 7 às 10 horas, são pessoas que só saem de casa na necessidade, na hora em que se misturar com os mais jovens, correm mais riscos, por isso a preservação desse horário para os eleitores acima de 60 anos".

Marcos Maia destacou, ainda que o uso máscara está sendo bastante disseminado aos mesários, para que só se permitam a entrada dos eleitores que estejam usando máscara. "Vamos colocar em cada local de votação pessoas na frente do prédio e só vai entrar se tiver máscara, com ela colocada na face,  é uma condição mesmo pra votar, não pode dizer, olhe esqueci minha máscara. Essa decisão vai ter que ser cumprida".

Segundo Maia, a Justiça Eleitoral não vai disponibilizar máscara pra eleitor,  está providenciando máscaras pra os seus colaboradores.


Variação
Abstenção  nas eleições municipais do RN
2016 13,56%
2012 13,43%
2008 11,66%
2004 11,74%
2000 13,09%
1996 15,61%

Fonte - TSE