Projeção do PIB nacional para 2020 despenca para 0,02%

Publicação: 2020-03-21 00:00:00
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Menos de dez dias após baixar para 2,1% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o governo federal revisou novamente sua estimativa e passou a prever uma expansão de apenas 0,02% para este ano, ou seja, uma estabilidade. O número foi divulgado pelo Ministério da Economia por meio do relatório de receitas e despesas do orçamento de 2020. A revisão do crescimento da economia para zero por causa dos efeitos da covid-19.

Créditos: Marcelo Casal Jr/Agência BrasilA Secretaria de Política Econômica não descarta o risco do Brasil passar por uma recessão técnicaA Secretaria de Política Econômica não descarta o risco do Brasil passar por uma recessão técnica


Na semana passada, o mercado estimou uma alta de 1,68% para o PIB deste ano, segundo pesquisa conduzida pelo Banco Central, mas já há instituições financeiras estimando uma contração do PIB em 2020. “Estamos sendo transparentes, é o melhor número de PIB que temos”, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida.

Apesar do cenário dramático, Sachida ressaltou que o momento exige “extremo cuidado”, uma vez que ainda não há certeza de quanto tempo vai durar a crise. Mesmo assim, ele afirmou estar otimista de que o choque, embora inesperado, será transitório. “Temos bases da economia saudáveis. É uma crise transitória”, disse.

Em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1,1%. Foi o desempenho mais fraco em 3 anos, com o resultado afetado principalmente pela perda de ritmo do consumo das famílias e dos investimentos privados. Em 2017 e 2018 o crescimento foi de 1,3% em ambos os anos.

Nos últimos dias, a área econômica do governo tem anunciado uma série de medidas para proporcionar melhores serviços de saúde para a população e, também, para impedir que a crise econômica tenha impacto muito grande no nível de emprego.

Recessão na economia
O Brasil passará por uma recessão no primeiro semestre de 2020 devido aos impactos econômicos do avanço do novo coronavírus, prevê a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. A atividade econômica vai encolher 0,20% no primeiro trimestre e contrair 2,13% no segundo trimestre, sempre na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

Quando há dois trimestres seguidos de queda no Produto Interno Bruto (PIB), um país entra na chamada “recessão técnica". Caso se concretize na magnitude esperada pela SPE, a queda do segundo trimestre de 2020 pode ser a maior desde o segundo trimestre de 2015, quando houve um tombo de 2,2% contra o trimestre imediatamente anterior, segundo a série histórica do IBGE.

“O mês de março já sofre com o início das paralisações das atividades da economia, reduzindo as nossas projeções de crescimento. No segundo trimestre ocorre o impacto mais forte, uma vez que é onde deve se concentrar a maior queda do PIB mundial e o maior período de paralisação de atividades econômicas", diz a SPE.

Apesar disso, o órgão projeta uma recuperação a partir do terceiro trimestre, com alta de 1,17% em relação aos três meses imediatamente anteriores. No quarto trimestre, a expectativa é de avanço de 2,03% no mesmo tipo de comparação.

“Destaca-se que a profundidade e duração da crise ainda são difíceis de se estimar, pois trata-se de um evento inédito na história econômica mundial", ressalta a SPE. No entanto, a secretaria tem ressaltado que o choque deve ser transitório. “Mantemos avaliação de que os choques pelos quais a economia brasileira está passando são em sua maioria transitórios, o que permitirá uma retomada a partir do segundo semestre deste ano."

Na comparação do trimestre contra igual período de 2019, o período de janeiro a março deve ter uma alta mais tímida que o esperado inicialmente, com avanço de 1,5%. Já no segundo trimestre, a SPE espera uma contração de 1,4%. Se concretizado, será o pior resultado desde o último trimestre de 2016, quando o tombo foi de 2,2% em relação a igual período de 2015.

No terceiro trimestre de 2020, ainda haverá retração de 0,8% em relação a igual período de 2019. Mas, nos últimos três meses do ano, a expectativa é de que haja alta de 0,9%, segundo a SPE.