Projeção para IPCA de 2020 sobe para 3,45%, aponta BC

Publicação: 2020-11-24 00:00:00
A pressão no preço dos alimentos, que preocupa diariamente o brasileiro na hora de ir às compras, continua a refletir na inflação. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23), a expectativa é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - o indicador oficial de preços - encerre o ano em 3.45%, acima dos 3,25% da projeção da semana anterior. Esta é a 15ª semana seguida em que a projeção dos analistas do mercado financeiro, consultados pelo Banco Central, é revisada para cima. Há um mês, ela estava em 2,99%. 

Créditos: Agência BrasilA alta no preço dos alimentos tem refletido no IPCA. Em Outubro, índice acelerou em 0,86%A alta no preço dos alimentos tem refletido no IPCA. Em Outubro, índice acelerou em 0,86%

saiba mais

No início do mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de outubro foi de 0,86%. Em 12 meses, a taxa acumulada está em 3,92%. A projeção segue abaixo da meta definida pelo governo, de 4% neste ano, e dentro da margem de tolerância, que varia entre 2,50% e 5,50%.

Porém, as altas consecutivas desde agosto, mostram que há uma pressão inflacionária, com contornos da crise causada pelo novo coronavírus. No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

O pagamento do auxílio emergencial, que injetou dinheiro na economia, o dólar alto e o aumento da demanda interna e externa por alimentos, pressionam o indicador. Com a retomada dos serviços, é possível que haja uma aceleração a mais no índice. Em outubro, o IPCA acelerou 0,86%. Na ocasião, além dos alimentos, o que pesou no indicador foi o preço das passagens aéreas, com o reaquecimento, ainda que tímido, dos voos domésticos. Nesta terça-feira (24), o IBGE divulga a prévia da inflação em novembro. Na avaliação da área econômica do governo, a alta é momentânea.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, com alta de 3,22% para 3,40%. Quatro semanas atrás, estava em 3,10%. Para 2022, o índice continua em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,25%. Essas projeções estão nesse patamar há quatro semanas. 

O comprometimento com o ajuste fiscal, já tão necessário antes da crise do novo coronavírus, se mostra ainda mais imprescindível a longo prazo. Com a aceleração da inflação, economistas projetam alta na taxa básica de juros, a Selic, para o ano que vem. O mercado projeta a taxa de juros em 3%, acima dos 2,75% previstos na semana passada e dos 2% — taxa mínima histórica atual. Para este ano, entretanto, economistas não enxergam que o Comitê de Política Monetária (Copom) altere o rumo da taxa de juros. 

Além da alta projetada para a inflação, analistas do mercado continuam a estimam melhora no desenvolvimento da economia. Segundo os analistas consultados pelo Banco Central, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve fechar o ano em -4,55%, previsão melhor que na semana anterior, de -4,66%. A projeção está em linha com a estimativa do governo, que na semana passada revisou a queda do PIB de -4,70% para -4,50%.

As projeções do PIB para este ano, que iniciaram com uma previsão de crescimento na casa dos 2,30% se deterioraram rapidamente, chegando a -6,54% em meados de 2020. Com a reabertura das atividades, as estimativas passaram a melhor. Os dados do Focus não indicam uma recuperação em “V”, jargão econômico para mostrar uma volta rápida. Alguns setores, entretanto, mostram retomada mais rápida, como o comércio. A expectativa do mercado para projetar o crescimento da economia para os próximos anos, é a retomada da agenda reformista. Incertezas sobre o andamento das pautas, podem gerar incerteza. A previsão do PIB para 2021 é de 3,40% e para 2022.  de 2,5%.

Top 5
Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2020 foi de 3,14% para 3,39%.

Para 2021, a estimativa do Top 5 passou de 3,36% para 3,31%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 2,91% e 3,27%, respectivamente.

No caso de 2022, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,50%, igual a um mês atrás. A projeção para 2023 no Top 5 seguiu em 3,38%, também igual a quatro semanas antes.

O IPCA é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.






Leia também: