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Rasmussen Sá Ximenes, mais conhecido como Mocó, é um artista plástico de Currais Novos que mora em São Francisco, nos Estados Unidos. O potiguar tenta restaurar o antigo prédio da estação férrea que fica na Fazenda Muquém, no município de Antônio Martins, Oeste do Rio Grande do Norte. Apesar de disponibilizar recursos financeiros próprios para investimento na cultura criativa do Estado, sofre com burocracias do Poder Público, que travam o projeto. O artista contou sobre o trâmite em entrevista no Jornal da Manhã, na Jovem Pan News Natal.

Cedida
Prédio da antiga Estação ferroviária na Fazenda Muquém pertence à União. Abandonada há mais de 30 anos, está em ruínas

Prédio da antiga Estação ferroviária na Fazenda Muquém pertence à União. Abandonada há mais de 30 anos, está em ruínas


O projeto de restauração de Mocó fica dentro da fazenda da família de sua esposa, Karla Ximenes. Durante o ciclo do algodão, foi construída uma estrada de ferro na região e, na época, o avô de Karla doou parte de sua propriedade para a União, para que fosse construída uma estação férrea no local. A ideia do casal é viabilizar economicamente a área e dar uma utilidade à estação, com um projeto criativo, que poderá agregar um cinema, café, lojinha e até pousada. 

O prédio, há cinco horas, de carro, de Natal, está abandonado há mais de 30 anos, e bastante dilapidado. “Depois que a RFFSA [Rede ferroviária Federal] fechou o lugar foi dilapidado, roubaram muitas coisas. Atualmente, estava sendo usado para criação de porcos. A periferia também vem crescendo, chegando na fazenda, e com isso muitos problemas sociais surgem”, comenta o artista. O projeto do casal de artistas pretende desenvolver a região e atrair o turismo para o Oeste potiguar, beneficiando diretamente uma população de 30 famílias.

“Tivemos uma experiência muito êxito nos Estados Unidos, e resolvemos fazer aqui a mesma coisa. Visitamos a maioria das estações de trens, vimos bons e maus exemplos, algumas estações em ruínas como a nossa”, comenta o artista potiguar.

A restauração da estação estava indo a todo vapor. Há cerca de dois anos, Mocó e sua sogra buscaram os órgãos competentes com um “calhamaço de documentos”. Segundo ele, “fomos atendidos por técnicos e a informação que tivemos é que podíamos fazer isso [a reforma] e que seria um bem à sociedade, já que o prédio estava em ruínas”.

Então, o projeto foi tocado à frente, com compra de objetos em leilões, alguns que pertenceram à estação de Londres. Durante a pandemia, o projeto parou e foi retomado recentemente. “Começamos a restauração de piso e telhados, com zelo para manter o mesmo padrão e não descaracterizar nenhum elemento da estação. Mas, no último final de semana, fomos notificados e paramos”, contou. A Superintendência do Patrimônio da União (SPU) requisitou explicações sobre o projeto e porque prosseguia. A SPU foi provocada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Agora, o projeto, que estava sendo projetado como a “obra prima” de Mocó e Karla voltou à estaca zero.  “O superintendente mostrou todas as saídas, que poderia ser por cessão de uso, ou mesmo eles lançarem o prédio em leilão e a gente comprar, mas nada avançou, e precisaria de licenças, da prefeitura, mas não consegui esse acesso”, contou.

“Sou a favor do Iphan e SPU, são órgãos que têm que cuidar do nosso patrimônio,  preservar, mas a burocracia é exacerbada. Nos sentimos inseguro e desprovidos de qualquer defesa, porque muitos impedimentos estavam aparecendo. Agora, não sei o que fazer. Estou frustrado também, porque agora o projeto está tendo outro rumo”, comentou o curraisnovense, que precisa redirecionar recursos que iam para a restauração do projeto para resolver a burocracia. Segundo ele, as famílias da localidade são simpáticos ao projeto. 

“Não sei se tenho tanta influência ainda para resolver isso, mas o que depender de mim e de Karla estamos fazendo, somos artistas, temos força braçal e intelectual, mas não sei como funcionam esses trâmites,  esse poder está fora da gente. Eu entendo que esse projeto poderá ser uma das maiores artes, uma obra prima, que vai elevar a arquitetura, vai elevar a autoestima das pessoas daquela região”, afirma.  

Curraisnovense, o pintor reside atualmente em São Francisco, na Califórnia (EUA), e ganhou reconhecimento internacional por suas criações artísticas compostas por flores, listras e cores.

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