Projeto 'Roda Potiguar de Forró' vira websérie de quatro episódios

Publicação: 2020-11-24 00:00:00
Tádzio França
Repórter

O forró é a trilha sonora oficial do Nordeste, e cada estado da região leva seu sotaque para o arrasta-pé. O projeto “Roda Potiguar de Forró” nasceu como um show em 2019 e agora, no ano da pandemia, se transformou em uma websérie de quatro episódios que será exibida dos dias 24 (terça) até 27 de novembro, no Youtube. A versão online mantém a idéia original de celebrar a música nordestina e exaltar a identidade potiguar do forró.
Créditos: DivulgaçãoAs filmagens rolaram em outubro, com cenas externas em ExtremozAs filmagens rolaram em outubro, com cenas externas em Extremoz
A cantora e compositora Tanda Macedo é a idealizadora do projeto. Desde o começo a ideia era levar a descontração e o balanço típicos das rodas de samba para o forró. A “Roda Potiguar de Forró” foi um show que lotou o Teatro Riachuelo em julho do ano passado, com direito a participação especial de Santanna, o Cantador. “Foi um sucesso enorme. Chegamos a ser indicados para o Prêmio Hangar. Estava tudo pronto pra repetir a festa em 2020, mas aí veio a pandemia. Tivemos que nos readequar, mas sem perder a essência da roda”, explica Tanda à Tribuna do Norte.

O passeio pelo forró agora é online. Tanda Macedo convidou o cineasta Carito Cavalcanti para dirigir e roteirizar a versão filmada da Roda, que passaria a ter bate-papos e convidados, sempre com a música em primeiro plano. As filmagens rolaram na primeira semana de outubro, com cenas externas em Extremoz e internas na Casa da Ribeira. A direção musical é de Jubileu Filho, textos e narração de César Ferrario, e cenografia de João Marcelino.

Prosas forrozeiras
Os quatro episódios da série são divididos por temas que destrincham várias facetas do forró potiguar e alguns de seus artistas. Entre os convidados da prosa estão Khrystal, Carol Benigno, César Ferrario, Jubileu Filho, Zé Hilton do Acordeon, Waldonys, Vinicius Lins e Lucas Dan. No episódio de abertura, “O Sentimento Forró”, os forrozeiros abrem seu coração sobre as histórias, causos, e o sentimento deles pelo gênero.

O episódio dois, “Inclinações Forrozeiras”, traz Tanda, Khrystal e Carol Benigno falando sobre suas influências no forró, celebrando Elino Julião em especial, e contando como é ser forrozeira num meio tão masculino, apontando suas musas do forró e como elas dão um olhar feminino ao gênero. No terceiro episódio, “O Forró Potiguar”, é celebrada a força do estado na cena forrozeira nacional, com destaque para Zé Hilton do Acordeom, compositor de várias músicas estouradas e que inspiram os artistas locais.

Já o quarto e último episódio da série, “A Roda”, é o momento de arrastar os pés em casa. Traz cenas do pocket show que os músicos gravaram na Casa da Ribeira. A banda formada por Tanda Macedo, Jubileu Filho, Zé Hilton, Erick Firmino, Darlan Marley, Lipe Guedes, Albanete e Ninho Brasil arrocham no forró raiz, recebendo as participações de Waldonys, Vinícius Lins, e o paraibano Lucas Dan. No repertório estão “Xodó de lamparino”, “Amor de barro”, “Aconchego”, “Eu vi a lua brilhar”, “Asas pra voar”, “Balanço de baião”, e “Baile de luxo”.

Do samba ao forró
Alessandra Macedo, a Tanda, começou a estudar canto aos seis anos de idade, mas só iniciou a carreira profissional a partir dos 24. Os primeiros passos da cantora foram no samba, onde fez parte das bandas Vida Alheia e Bloco da Madame – este, que além de samba, também tocava marchinhas de carnaval. Mas o coração da cantora batia mais compassado mesmo no ritmo do forró. Em 2015 ela promoveu um tributo a Elino Julião na Casa da Ribeira, e sua imersão no arrasta-pé se firmou de vez.

“Agora finalmente estou fazendo o que gosto de verdade, e quero continuar declarando meu amor ao forró de todas as formas”, afirma Tanda. Além do projeto “Roda Potiguar de Forró” e da websérie, a cantora vai lançar seu primeiro disco solo e autoral, “Amor de Barro”, que ela gravou com o auxílio luxuoso do trio Candeeiro Jazz. Será lançado em dezembro. “E apesar do jazz do Candeeiro, vai ser um disco de forrozão mesmo. Eles são muito versáteis nessa pegada regional”, ressalta.

O diretor Carito Cavalcanti conta que ficou empolgado pela proposta de Tanda em registrar a identidade potiguar do forró. “Tanda resgata a tradição na tradução da transformação. Construímos juntos o conceito da websérie, e a partir do seu argumento criei uma roteirização alimentada pelo próprio processo criativo”, disse.

Segundo Carito, os episódios temáticos e ao mesmo tempo abertos deixaram a websérie leve, fluida e divertida, sem perder a profundidade e a poesia. “A iniciativa de Tanda provoca importantes documentos audiovisuais para a valorização histórica da cultura popular, e aponta novos e necessários rumos para o universo do forró”, conclui.

Serviço:
Websérie “Roda Potiguar de Forró”. Dias 24, 25, 26 e 27 de novembro, às 19h, no canal