“Projetos de Natal estão assegurados”

Publicação: 2012-12-02 00:00:00
Vicente Estevam - Repórter de esportes

Em visita a Natal, na sexta-feira, para participar da abertura dos Jogos Escolares Sul-americanos e da reunião dos ministros do Esporte da América do Sul, ministro Aldo Rebelo garante que todos os projetos de mobilidade listados para Copa do Mundo serão concluídos em Natal, dentro ou fora do prazo para servir ao Mundial. Ele também disse que o país terá condições de oferecer segurança aos turistas e a população demonstrando confiança na eficácia do programa de combate a violência que já está sendo desenvolvidos nos estados. Otimista Rebelo acredita que ainda poderemos realizar o maior mundial de todos os tempos destacando principalmente o carisma dos brasileiros. Acompanhe a entrevista concedida à Tribuna do Norte.
Para ministro, país terá condições de oferecer segurança aos turistas e a população
Qual a importância da realização do encontro da Consud  em Natal?
Nós fazemos um grande esforço para integrar os países da América do Sul e o esporte é um vetor importante nessa integração. Nós temos o comércio, a cultura, o turismo, mas o esporte é uma atividade tão aberta e tão generosa que quanto mais eventos Sul-americanos o Brasil acolher, mais intenso irá se tornar esse processo de integração. Nós estamos acolhendo em Natal os Jogos Sul-americanos Escolares, que faz parte do calendário oficial do nosso continente, bem como a reunião do Conselho de Ministros dos Esportes dos países da América do Sul, eu acho que não só para o Brasil quanto para Natal ajuda a consolidar também as nossas cidades como roteiro para os grandes eventos esportivos e não esportivos, combinando com o processo de integração pelo esporte, que é uma atividade que gera paixão e esperança e cumpre muito bem o papel de elemento de integrador dos países e das pessoas.

Reuniões desse tipo melhoram muito a aplicação da nossa política de esportes?
Nós trocamos experiências bem-sucedidas, experiência sobre as dificuldades enfrentadas para a implementação de uma política nacional de esportes em cada um dos países membros, ajudamos uns aos outros na preparação dos nossos atletas de alto rendimento dos esportes olímpicos e não-olímpicos e acho que também preparamos os países para uma cooperação maior, voltada principalmente para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que nosso país terá o prazer de sediar.

Há pouco mais de um ano da Copa, nós estamos vivendo um período de extrema violência em  São Paulo. Isso vem preocupando muito o governo brasileiro?
Infelizmente o problema da violência no Brasil não é restrito apenas a São Paulo. Nos deparamos com esse problema em boa parte das nossas metrópoles e também em nossas cidades médias. São Paulo tem apenas mais visibilidade, chama mais atenção por ser maior, a mais importante cidade do país e a que tem a maior cobertura da imprensa. O governo federal e os governos estaduais estão adotando medidas para conter essa escalada da violência, principalmente a originada pelo crime organizado e originada pelo tráfico de drogas. Esse é o desafio de todo o mundo, o Brasil padece de uma situação indesejada que também não é exclusiva, pois se registra em todo o mundo.

A Fifa já demonstrou algum tipo de preocupação especial em relação a esse problema, basicamente às vésperas do Mundial?
Não. Claro que todos nós nos preparamos e os investimentos em segurança tem essa finalidade para realizarmos a Copa do Mundo dentro do maior clima de paz possível, visando apresentar a maior segurança possível para nossa população, torcedores, turistas, para delegações e convidados. O governo federal tem através do Ministério da da Defesa, do Ministério da Justiça,  com as secretarias de segurança de cada ente da federação além das polícias Federal, Civil e Militar e Força Nacional, cuidado para que seja reduzido esse clima de insegurança dentro do país. Queremos isso durante todo período da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016.

Nos Estados com maior incidência de violência, o senhor acredita que há tempo para se implementar uma política de segurança eficaz até a Copa?
Isso já vem sendo cuidado há algum tempo, alguns estados vêm tendo mais êxito e outros apresentando maiores dificuldades. O tema segurança é sempre uma preocupação do governo federal e dos governos estaduais.

Ainda existe muita preocupação com relação ao andamento das obras dos estádios que estão sendo construídos ou reformados para o Mundial?
Essa preocupação para gente foi sempre diferente do que aquela que a mídia, sem as informações devida, divulgava. Acontecia de você estar em São Paulo e um jornalista que nunca se preocupou em vir a Natal divulgar que a construção da Arena das Dunas estava atrasada. Isso sem dispor de informação alguma, chegando ao ponto de pensarem até que o estádio estaria sendo preparado para abrigar os jogos da Copa das Confederações, quando na verdade ele só será usado na Copa do Mundo. Eu que acompanhei sempre de perto o desenvolvimento do projeto em Natal, acompanhei juntos as dificuldades e o esforço realizado pelas autoridades estaduais e municipais, partilhei esse esforço, acho, como sempre achei, que Natal entregará as obras do seu estádio e as obras necessárias para a Copa do Mundo dentro dos prazos estabelecidos.

O senhor credita essa falta de informação dos jornais à má fé ou a problemas de transparência dos projetos?
Não é má fé, é questão de desinformação mesmo. As pessoas na pressa de divulgarem notícias, nem sempre têm o tempo necessário para fazer a checagem do assunto. Devido a velocidade cada vez maior exigida pelos veículos, os repórteres não conferem direito a informação. Se você pretende divulgar alguma informação a respeito de Natal, em primeiro lugar deveria conferir com o responsável pela projeto, depois com o governo do estado, se não confiar no governo local o repórter pode conferir ainda com a construtora, pode fazer isso com o Ministério do Esporte que também acompanha todos os projetos. Mas as pessoas talvez podem não ter muito tempo para isso, o número de jornalistas hoje deve ser pequeno para cobrir uma mídia que tem de informar todo dia. Hoje ninguém espera para comprar um jornal no outro dia, agora todo mundo quase possui um blog, um Twitter, uma página social e a velocidade das informações fica cada vez maior. E na notícia rápida quem sofre mais é a própria notícia, que aparece incompleta, faltando dados. Então não posso acreditar em má fé, vejo uma contingência da própria construção das notícias em si. Nós que estamos acompanhando melhor, sabemos que Natal está marchando de acordo com o calendário estabelecido pela Fifa.

O ministro está satisfeito com o nível de transparência dos nossos projetos para Copa do Mundo?
Não existe nada mais transparente no Brasil. Nenhuma obra pública ou privada tem o nível de transparência que os projetos ligados a Copa do Mundo de 2014 possuem. Primeiro que eles hoje são acompanhados por câmeras por 24 horas, qualquer brasileiro que desejar acompanhar a construção de qualquer um dos nossos estádios, saberá quando cada tijolo, cada viga, cada poste, cada  estrutura de pré-moldado está sendo implantado ou saindo do estádio. Segundo, os nossos projetos estão sendo controlados pelo governo federal, pela Fifa, Comitê Organizador Local, CBF, Ministério Público, Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União e também pelo Ministério do Esporte. Ou seja, não existe nada mais controlado neste país e acho que isso é bom, por oferecer a população as informações necessárias e dar ainda uma segurança de que tudo que está ocorrendo é feito de forma aberta.

Que tipo de legado esse Mundial irá deixar para cidades como Natal, onde apenas obras do estádio, aeroporto e portos, que são tocados pelo Governo Federal estão em andamento e os projetos de mobilidade prometidos sequer saíram do papel?
Todas as obras de mobilidade urbana, mesmo com pequeno atraso, elas serão entregues, por quê são obras do PAC. Elas foram transferidas para matriz de responsabilidade no sentido de tentar entregá-las para Copa do Mundo. Mas pode ficar certo de que as mesma serão entregues a população natalense e do Rio Grande do Norte, as que ficarem prontas a tempo de serem aproveitadas no período do Mundial, continuarão na matriz de responsabilidade, as que não forem possível deixar prontas, continuarão sendo construídas fora dessa matriz e serão entregues da mesma forma.

No avançar de todo esse processo, o que o senhor pode dizer para o torcedor brasileiro: o país vai mesmo sediar a maior Copa de todos os tempos?
Nós estamos trabalhando para isso. É claro que ninguém vai tirar um diploma nos conferindo o feito de realizar a melhor competição de todos os tempos, pois isso só poderá ser mensurado após o acontecimento da festa que estamos preparando. O que digo é que o Brasil deve aproveitar a Copa do Mundo para melhorar tudo aquilo que achamos que ele possui de bom, bem como superar todas as suas deficiências. Somos um país com muitas qualidades, muitas virtudes, apresentamos várias coisas boas, mas também com muitas deformações e deficiências. A Copa e as Olimpíadas irão nos propiciar uma grande oportunidade para melhorarmos aquilo que temos de bom e superarmos todas as deficiências. Acredito que ainda assim teremos todas as condições de realizarmos a maior Copa de todos os tempos. O Brasil tem essa condição pelas suas qualidades materiais e espirituais e pela forma como o nosso povo encara esse tipo de desafio.