Proposta de reurbanização prioriza o pedestre

Publicação: 2015-09-25 00:00:00 | Comentários: 0
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O arquiteto Francisco Iglesias afirma que o conceito agora considerado para a reurbanização da avenida Roberto Freire, é no sentido de priorizar os não motorizados, ou seja, o pedestre, o ciclista e o transporte de massa, como prevê a Lei de Mobilidade Urbana vigente no país. “Só depois é que vem o transporte individual, porque o urbanismo contemporâneo coloca o automóvel em situação de exclusão, não existe mais como dar espaço aos veículos como eles já têm”, ressalvou.
Ana SilvaFrancisco Iglesias afirma que conceito que norteia novo projeto não trata a avenida como rodoviaFrancisco Iglesias afirma que conceito que norteia novo projeto não trata a avenida como rodovia

Francisco Iglesias disse que um estudo da Associação Brasileira de Transportes, Logística e Cargas, anunciado recentemente, mostra que os veículos ocupam 60% das vias urbanas e transportam apenas 20% da população brasileira. “Então, está errado o planejamento urbano e do trânsito”, declarou ele, para explicar que a segunda versão da proposta do governo para a avenida Roberto Freire não é de considerá-la uma rodovia, como fez o governo anterior que, ao invés de medir o  tempo de percurso, preferiu medir o número de veículos que circulavam por aquela via.

Iglesias explicou fez um estudo de medição do tempo no percurso de quatro quilômetros da avenida Roberto Freire, e o resultado foi que o percurso levou quase 12 minutos. “Fiz 147 medidas de tempo em todos os horários em que se possa imaginar, de madrugada e durante o pico do tráfego de veículos, a média do tempo deu menos de seis minutos na ida e na volta”, disse ele.

Ele informou ainda que o novo conceito para a Roberto Freire leva em conta o Highway Capacity Manual (HCM), americano, que existe desde os anos 40, do século XX e, a cada dez anos, é feito uma revisão pelo Comitê Nacional de Trânsito dos Estados Unidos, ligado à Academia de Ciências e não a um Ministério de Transportes, como é no Brasil. A última é de 2010, e acrescentou a parte urbanística, incluindo pedestres e ciclovias”.

 Segundo Iglesias, a definição do HCM para rodovia “é simples”:  é um trecho que não tem sinalização semafórica em até três quilômetros, como é o caso da Via Costeira, que não tem nenhum sinal em dez quilômetros. Já a avenida Roberto Freire não pode ser tratada como rodovia, pelo fato de ter nove semáforos em quatro quilômetros, dai ser preciso a sua medição em tempo de percurso e não do número de carros que ali circulam, como ocorreu com o estudo feito em 2013 pela construtora Thenge Engenharia Ltda.

“Nós provamos que a avenida Roberto Freire não estava em situação de congestionamento, mas que precisava só de adequação”, destacou Francisco Iglesias, o qual acha que a avenida ainda poderá ter, no novo projeto, a construção de algum viaduto ou passarelas para a passagem de pedestres, que podem ser substituídas, por exemplo, por faixas no mesmo nível da calçada.

Projeto
O escritório HM Arquitetos Associados de Natal está encarregado de elaborar o projeto de construção de um grande calçadão na avenida Roberto Freire. “É um parque linear, mas não fechamos ainda o projeto, o que existe é um conceito”, disse o arquiteto Haroldo Maranhão.

Além da HM Arquitetos, o novo projeto de reurbanização da av. Roberto Freire tem consultoria do escritório paulista Canhedo Beppu Engenheiros Associados, que é responsável, por exemplo, pelo Complexo Anhanguera, em São Paulo, capital.
O presidente da Associação Potiguar dos Amigos da Natureza (Aspoan), Francisco Iglesias, acha que as obras não devem demandar muito tempo, “porque não tem nenhuma obra de buraco”.

Em julho o secretário estadual da Infraestrutura, Jáder Torres, já havia anunciado para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal, que as obras devem começar em janeiro de 2016, transformando a Roberto Freire numa via expressa, sem sinais e retornos, mas sem os túneis.

O projeto original do governo Rosalba Ciarlini previa a ampliação de seis para 12 o número de faixas de tráfego da av. Roberto Freire, construção de três túneis com segregação de vias locais e expressas, além de corredores para ônibus e ciclovia.


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