Prorrogação do Auxílio emergencial até dezembro deve custar R$ 90 bilhões

Publicação: 2020-09-02 00:00:00
O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (1º) que o auxílio emergencial será prorrogado em mais quatro parcelas de R$ 300. Ele se reuniu pela manhã com ministros e parlamentares da base do governo, no Palácio da Alvorada, para alinhar as próximas ações do governo na área econômica. Segundo informou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a extensão do auxílio emergencial por mais quatro meses deve custar ao governo cerca de R$ 90 bilhões adicionais dentro do chamado "Orçamento de Guerra" de enfrentamento à pandemia da covid-19.


Créditos: Marcos Corrêa/PRJair Bolsonaro anunciou prorrogação após café da manhã a líderes do Congresso NacionalJair Bolsonaro anunciou prorrogação após café da manhã a líderes do Congresso Nacional


O auxílio, pago a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, como forma de dar proteção emergencial durante a crise causada pela pandemia, é a medida mais cara do pacote anticrise e já demanda R$ 254,3 bilhões em recursos, considerando as cinco primeiras parcelas  para mais de 67 milhões de pessoas, o equivalente a quase um terço da população brasileira. O custo mensal, com parcelas a R$ 600, é de R$ 51,5 bilhões.

O pronunciamento foi feito logo após Bolsonaro oferecer um café da manhã a líderes do Congresso Nacional para acertar os últimos ajustes da prorrogação do benefício. A iniciativa de conversar com os congressistas antes de finalizar a proposta é mais um gesto de aproximação do presidente com o Legislativo. O anúncio, inclusive, foi antecipado no último fim de semana por um dos principais líderes do Centrão, o deputado Arthur Lira (PP-AL).

“Resolvemos prorrogá-lo, por medida provisória, até o final do ano”, disse Bolsonaro, em declaração à imprensa após a reunião. “O valor, como vínhamos dizendo, R$ 600 é muito para quem paga e podemos dizer que não é o valor suficiente para todas as necessidades [das famílias], mas basicamente atende”, disse ele. E acrescentou "o valor definido é 50% superior ao valor médio do Bolsa Família", em referência ao benefício médio de R$ 190 do programa criado na gestão petista..

O benefício é visto como um dos fatores que fizeram o presidente atingir o maior índice de popularidade desde o início do governo.

Entre os participantes do encontro estavam os ministros da Economia, Paulo Guedes, da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e da Casa Civil, Walter Braga Netto. Foram convidados cerca de 20 parlamentares do chamado Centrão e outros alinhados ao governo Bolsonaro.

"Estamos fazendo uma tentativa de aterrissagem suave do auxílio emergencial. Serão mais quase R$ 90 bilhões dentro o orçamento de guerra, é bastante", afirmou Guedes, em audiência pública no Congresso Nacional.

Ajuda
Cerca de 4,4 milhões (6,5%) de domicílios brasileiros sobreviveram, em julho, apenas com a renda do auxílio emergencial pago pelo governo federal. Entre os domicílios mais pobres, os rendimentos atingiram 124% do que seriam com as rendas habituais, aponta estudo publicado nesta quinta-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A ajuda financeira também foi suficiente para superar em 16% a perda da massa salarial entre as pessoas que permaneceram ocupadas, segundo a análise que usa como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).







Leia também: