Protesto cobra respostas sobre paradeiro de Yasmin Lorena

Publicação: 2018-04-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

A chuva que caiu ao longo desta segunda-feira (16) não impediu que dezenas de amigos, familiares e vizinhos da adolescente Yasmin Lorena de Araújo, de 12 anos de idade, saíssem às ruas para cobrar respostas sobre o paradeiro da menina desaparecida há 21 dias. Por volta das 16h, o grupo fechou o acesso pela ponte Newton Navarro nos dois sentidos, onde permaneceram por quase três horas. Esse é quarto protesto realizado desde o desaparecimento da jovem, no dia 28 de março. Os manifestantes, em sua maioria moradores da comunidade da África, na Redinha, carregavam cartazes com a foto de Yasmin e faixas que perguntavam aquilo que, há 21 dias, familiares e amigos buscam saber: “Onde está Yasmin Lorena?”.

Protesto voltou a fechar o acesso à ponte Newton Navarro nos dois sentidos por quase três horas
Protesto voltou a fechar o acesso à ponte Newton Navarro nos dois sentidos por quase três horas

No dia que desapareceu, Yasmin estava indo deixar trinta reais na casa de uma amiga da família, que mora próxima à casa da menina. Ela, no entanto, nunca chegou ao seu destino. Por volta das 14h, quando sua mãe, Ingrid de Araújo, chegou em casa, começou a ficar preocupada com o fato de que Yasmin não havia retornado. Foi então que entrou em contato com a vizinha e descobriu que ela nunca chegara até a casa com o dinheiro. “De lá para cá, foi só desespero, só escuridão”, conta Ingrid.

De acordo com ela, há pelo menos uma semana nenhum membro da polícia foi até a família para dar qualquer tipo de informação sobre o andamento das investigações. “Encontraram a sandália dela aqui perto. Veio Polícia Militar, delegado, passaram reto. Nem falaram com ninguém. O que nos desespera é não saber de nada”, completa. A TRIBUNA DO NORTE tentou contato com a delegada titular da Delegacia Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente (DCA), para saber o porquê de a família  não estar recebendo, há mais de uma semana, visitas da polícia, mas não conseguiu falar com a delegada.

A situação de Ingrid de Araújo e Aldair Félix, pai de Yasmin, provocou uma comoção na comunidade da África. Para muitos dos vizinhos e amigos, o desaparecimento de Yasmin coloca ainda mais em evidência a desigualdade social existente na cidade. “Se fosse um filho de político, filho de gente da zona Sul com dinheiro, tinham encontrado. Desapareceu um empresário na mesma época que ela, ele encontraram. Mas aqui a gente não tem dinheiro”, disse Jessica Silva, de 28 anos, amiga da família.

Amigos e familiares montaram faixas e cartazes perguntando “Onde está Yasmin Lorena?”
Amigos e familiares montaram faixas e cartazes perguntando “Onde está Yasmin Lorena?”

No período em que mantiveram fechadas as duas faixas de acesso à Ponte Newton Navarro, os manifestantes receberam reações diversas dos motoristas. A maioria, no entanto, hostil. Chamando os manifestantes de 'vagabundos' e 'inúteis', muitos motociclistas tentaram furar a corrente humana formada para impedir o fluxo de carros. Os manifestantes contaram com o apoio da Polícia Militar para impedir que fossem atropelados na via. Para os PMs que estavam no local, a manifestação era legítima, e diversas vezes eles afirmaram estar ali para proteger os manifestantes e assegurar seu direito de cobrar uma resposta sobre o desaparecimento da menina.

Apenas por volta das 19h, a via foi liberada para a passagem dos motoristas. De acordo com a família, enquanto notícias regulares a respeito das investigações não passarem a ser fornecidas pela polícia, eles pretendem continuar protestando. “Sei que minha filha está viva. Coração de mãe não se engana. A gente não tem dinheiro, o que a gente tem é força e gente humilde do nosso lado com vontade de ajudar. E vamos continuar até que encontrem minha filha”, afirmou Ingrid de Araújo.

Confira o vídeo do protesto:


Manifesta cobram respostas sobre Yasmin; Veja imagens:



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