Economia
Protesto na Bolsa não afeta operações; B3 fecha em alta de 1,59%
Publicado: 00:00:00 - 24/09/2021 Atualizado: 22:35:06 - 23/09/2021
Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do Povo Sem Medo ocuparam a sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) na tarde dessa quinta-feira (23), em um protesto contra a fome, a desigualdade e a inflação no centro da capital paulista. A manifestação dentro do prédio durou pouco mais de 1h e não afetou as operações na B3, que fechou com valorização pelo terceiro dia seguido.

Lucas Martins/AE
Dezenas de manifestantes do MTST  e do Povo Sem Medo ocuparam o prédio da B3 no centro de SP

Dezenas de manifestantes do MTST e do Povo Sem Medo ocuparam o prédio da B3 no centro de SP


Imagens publicadas pelo movimento mostram dezenas de militantes em um hall interno do prédio, agitando bandeiras e carregando cartazes com mensagens contra a alta de preços e contra o presidente Jair Bolsonaro. Eles faziam uma passeata no centro histórico paulistano e entraram correndo no edifício, sem que os seguranças pudessem conter o grupo. O ato começou por volta das 13h. 

“É inadmissível que quase 100 milhões de brasileiros estejam em situação de fome e insegurança alimentar enquanto os bilionários movimentam R$ 35 bilhões por dia só aqui na Bolsa”, disse a líder sem-teto Debora Pereira, segundo uma nota divulgada pelo grupo. “Alguém está ganhando muito dinheiro com a fome do brasileiro e isso nós não podemos aceitar.”

Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, conduzido pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), mostraram que a fome atingiu 19 milhões de brasileiros na pandemia em 2020. Eles estão entre as 116,8 milhões de pessoas que conviveram com algum grau de insegurança alimentar no Brasil nos últimos meses do ano, o que corresponde a 55,2% dos domicílios.

Em frente ao painel informativo com as cotações do dia, manifestantes exibiam uma bandeira do Brasil estilizada com a palavra “fome”, panelas vazias e pedaços de ossos. Cartazes também traziam a frase “sua ação financia nossa miséria” e mensagens de indignação com a inflação no País. Os sem-teto elegeram o local como uma espécie de símbolo da concentração de renda e da especulação financeira, enquanto tentam chamar atenção para o desemprego e a pobreza. Eles também criticam o apoio de parte dos grandes empresários do País ao governo Bolsonaro, que também é alvo da manifestação.

O MTST chegou a divulgar que não havia “previsão para o término da ocupação”, mas pouco depois das 14h o ato estava encerrado. A B3 disse, por nota, que “a manifestação nesta tarde ocorreu de forma pacífica e já foi encerrada, não tendo havido impacto para as operações de mercado”. 

Buscando recuperação, ainda que parcial, da forte correção efetuada entre os dias 8 e 20 de setembro, o Ibovespa operou em alta ao longo do dia. A B3 recuperou a linha de 114 mil pontos ainda no começo da tarde, para perdê-la e voltar a retomá-la perto do fechamento, em alta de 1,59%, aos 114.064,36 pontos, no seu melhor nível de encerramento desde o último dia 15 (115.062,54). O giro financeiro ficou em R$ 33,1 bilhões. 

Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 2,36%, limitando a perda do mês a 3,97%. No ano, cede agora 4,16%. O dólar teve estabilidade, e fechou em leve alta de 0,10%, cotado a R$ 5,3096.

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