PSDB destitui relator, mas PSC resolve ceder a vaga

Publicação: 2017-10-06 00:56:00 | Comentários: 0
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Daiene Cardoso
Agência Estado

Brasília (AE) - O PSDB destituiu o deputado Bonifácio de Andrada (MG), relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Aliados do peemedebista e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), também denunciados, se mobilizaram e o PSC cedeu uma vaga para Bonifácio continuar no colegiado e na relatoria do caso.

Bonifácio de Andrada permanece na função de relator
Bonifácio de Andrada permanece na função de relator

O impasse na bancada tucana durou uma semana, desde que Bonifácio foi indicado para a relatoria pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Em reunião com o presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e com os líderes das bancadas do partido na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), e no Senado, Paulo Bauer (SC), Bonifácio ouviu dos dirigentes que, como não abria mão da missão, seria retirado da vaga de suplente.

Os tucanos alegaram que sua permanência como relator da denúncia contra Temer por organização criminosa e obstrução da Justiça em uma vaga do PSDB causava constrangimentos e aprofundava a divisão no partido. "Ele (Bonifácio), em função dos conhecimentos que tem, fará o relatório, mas não pelo PSDB", disse Tripoli.

Deputados do PSDB ficaram incomodados com uma declaração de Bonifácio na noite anterior, quando disse que a Câmara era maior do que os partidos. "Ele tem obrigações com o partido também", afirmou Tasso. Nos bastidores, a ala de oposição ao governo Temer afirma que o Palácio do Planalto atuou na indicação de Bonifácio para desestabilizar a bancada tucana.
Pacheco, presidente da CCJ, lamentou a destituição do deputado. "A escolha do deputado federal Bonifácio de Andrada teve critérios próprios e já amplamente divulgados, sem motivação partidária. Portanto, ele permanecerá relator caso se mantenha na CCJ", afirmou.

Poucas horas após a formalização da retirada, nenhum dos grandes partidos da base aliada cedeu vaga ao tucano. Veio do PSC, partido tradicionalmente alinhado com o PMDB, a iniciativa de abrigar Bonifácio em sua única vaga de suplente na comissão, ocupada até então pelo Pastor Marco Feliciano (PSC-SP). O tucano negou que tenha se sentido traído pelo partido: "De forma alguma, isso faz parte do jogo político", afirmou Bonifácio.

Reação
Integrante da ala governista do PSDB, o deputado Rogério Marinho (RN) classificou como sectária e desrespeitosa a decisão do líder do partido na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), de destituir o deputado Bonifácio de Andrada (MG) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Para Marinho, a atitude distanciou o líder de parte da bancada e deve ter "consequências". Ele descartou, contudo, articulação para destituir Tripoli da liderança.

"Foi uma posição sectária. Ele está desrespeitando uma fração da bancada, como fez na primeira denúncia (contra o presidente Michel Temer), quando a bancada estava dividida e orientou voto a favor", afirmou Marinho à reportagem. "O mais grave ainda é que Bonifácio é um deputado de 10 mandatos, professor de Direito. Não era uma atividade programática do partido. Não houve fechamento de questão", acrescentou.


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