PSL suspende ala dos bolsonaristas

Publicação: 2019-10-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Daniel Weterman e Camila Turtelli
Agência Estado

Brasília (AE) - Em ofensiva para fortalecer o grupo político do deputado Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, o partido decidiu nesta sexta-feira, 18, em convenção extraordinária aumentar o número de integrantes com direito a voto nas decisões internas, e suspender cinco deputados federais - todos ligados ao presidente Jair Bolsonaro.

Delegado Waldir assegura que permanece na liderança do PSL pelo menos até janeiro
Delegado Waldir assegura que permanece na liderança do PSL pelo menos até janeiro

O encontro também avalizou a destituição do deputado Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro dos comandos dos diretórios regionais do PSL em São Paulo e no Rio, respectivamente. O ato será formalizado na próxima semana.

Os cinco deputados punidos criticam a atuação de Bivar, que disputa o controle do partido contra Bolsonaro. São eles: Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR), Bibo Nunes (RS), Alê Silva (MG) e Carlos Jordy (RJ). Eles estão suspensos das atividades partidárias e, com isso, não podem representar a legenda em comissões e em nenhuma atividade da Câmara.

Na quarta-feira, todos eles tentaram, sem sucesso, derrubar o deputado Delegado Waldir (GO) da liderança do PSL na Câmara. O plano, idealizado por Bolsonaro, era tirar Waldir - que é ligado a Bivar - e nomear Eduardo para a cadeira. A articulação do presidente fracassou, puxando a crise para o Palácio do Planalto Mesmo assim, o governo tentará novamente destituir Waldir, que chamou Bolsonaro de "vagabundo" e disse que iria "implodir o presidente".

A ampliação da ala bivarista na cúpula do PSL, no entanto, praticamente inviabiliza uma nova tentativa de fazer Eduardo líder da bancada na Câmara. "Esse é o efeito imediato. Se eles tentarem montar uma lista, já perderam cinco votos", disse o deputado Coronel Tadeu (SP).

Mandato
O PSL aumentou de 101 para 153 o número de integrantes da direção com direito a voto em reuniões nacionais. Dos novos convencionais, 34 têm mandato parlamentar. Na prática, a mudança desidrata a ala bolsonarista. O mandato de Bivar termina no fim de novembro e ele pretende disputar a reeleição. Com as alterações no estatuto do PSL, o grupo de Bolsonaro dificilmente conseguirá o controle do partido, dirigido por Bivar desde 1998 - com exceção de 2018, quando Gustavo Bebianno assumiu o posto.

Destituída por Bolsonaro da função de líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (SP) disse que o partido deveria expulsar deputados que estão em confronto aberto com a direção. "A porta da rua é serventia da casa", afirmou Joice. Ela, Junior Bozzela e Coronel Tadeu são cotados para dirigir o PSL em São Paulo, no lugar de Eduardo. No Rio, os nomes cogitados para a vaga de Flávio são os dos deputados Felício Laterça, Gurgel e Professor Joziel.

Um dos suspensos, Jordy disse que pode entrar na Justiça para reconquistar direitos partidários. "Essa medida foi arbitrária", afirmou. Dos cinco suspensos, apenas Carla Zambelli compareceu à reunião desta sexta. "Eu acho que a gente tem de pacificar o partido, porque isso afeta nossa atuação em comissões."





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