Política
PT defende 'revogaço' de reformas
Publicado: 00:00:00 - 08/01/2022 Atualizado: 00:03:03 - 08/01/2022
Os pré-candidatos à Presidência da República João Doria (PSDB) e Sérgio Moro (Podemos) criticaram ontem o "revogaço petista", que planeja rever a reforma trabalhista, privatizações e teto de gastos caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte ao Palácio do Planalto.

Arquivo TN
Revisão da autonomia do Banco Central é uma das discussões que ocorrem entre os petistas

Revisão da autonomia do Banco Central é uma das discussões que ocorrem entre os petistas


"O emprego não voltará ressuscitando leis ultrapassadas, mas sim com crescimento econômico", disse o governador de São Paulo, em nota. O "revogaço petista", afirmou Doria, "vai aumentar o desemprego e manter a inflação elevada". "E com desemprego e inflação altos, quem mais sofre são os mais pobres."

Sérgio Moro, por sua vez, contrastou sua proposta de reforma com as dos líderes nas pesquisas de intenção de voto: Lula e Jair Bolsonaro (PL). "Há três propostas postas na mesa da pré-campanha presidencial", escreveu, no Twitter. "Uma que fará as reformas necessárias ao País (a nossa); outra de um governo que desistiu completamente de implementar reformas (governo atual); e a terceira que quer revogar reformas já consolidadas (PT)", disse o ex-juiz, que está em viagem pelo Nordeste.

O tucano afirmou que pediu um estudo para o time de economistas da campanha ao ver o que PT está atuando para o que ele chama de "pacote do atraso". Segundo Doria, o estudo será publicado nos próximos dias. Ontem, Doria se reuniu com a presidenciável do MDB, a senadora Simone Tebet, em São Paulo, com o objetivo de discutir propostas no plano econômico.

Espanha
Como noticiou o Estadão, o PT planeja imitar a Espanha, que revogou recentemente a reforma trabalhista feita em 2012. A revisão da autonomia do Banco Central é uma das outras discussões que ocorrem entre os petistas. O freio do programa de desestatizações e o fim do teto de gastos são tratados como consenso dentro da campanha do ex-presidente Lula.

"É importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na reforma trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores", escreveu Lula nas suas redes sociais. O presidente da Espanha, Pedro Sanchez, agradeceu ontem Lula pela sua postagem. "Obrigado, Lula, por reconhecer este novo modelo de legislação trabalhista que vai garantir os direitos de todos" declarou Sánchez no Twitter (mais informações nesta página).

Uma ala da sigla defende ainda incluir na lista do "revogaço" a autonomia do Banco Central, aprovado no ano passado pelo Congresso. Essa discussão, porém, está num estágio menos amadurecido. Nomeado pelas novas regras, o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem mandato até 31 de dezembro de 2024.

A indicação do PT de que pode imitar a Espanha e desfazer a reforma trabalhista no Brasil não é a única revisão de medida econômica que o partido discute adotar caso volte ao poder. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e importantes integrantes da legenda também avaliam atuar para reverter outras propostas aprovadas nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, como o programa de privatizações de estatais - que pouco avançou - e o teto de gastos, principal âncora fiscal da economia.

O movimento claro foi feito em relação a uma revisão da reforma trabalhista. A discussão é polêmica e provocou reações contrárias. O deputado licenciado Rodrigo Maia (sem partido-RJ), que presidiu a Câmara durante a votação da reforma trabalhista, avaliou que o ponto que gera esse interesse de rever a medida está na discussão sobre a volta de financiamento dos sindicatos, que historicamente formam a base de apoio do PT.

"Ao mesmo tempo que defendem revogar a reforma trabalhista daqui defendem o modelo econômico da China, que não dá direito nenhum aos trabalhadores", afirmou Maia. "Grande parte da legislação trabalhista antiga gerava uma massa de advogados na Justiça do Trabalho. Isso não resolvia para ninguém", completou o parlamentar, que atualmente ocupa uma secretaria no governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), pré-candidato ao Planalto.

Dentro da campanha do ex-presidente, a dúvida, agora, é a forma e o "timing" como essas discussões sobre a revisão liberal devem ser conduzidas e o quanto poderá ser ampliada sem afastar possíveis apoiadores com visão mais liberal. Ao mesmo tempo em que acena com o cavalo de pau na atual política econômica, o partido negocia a vaga de vice de Lula com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que defendeu essas pautas enquanto esteve nas fileiras do PSDB.

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