PT evita crítica, mas quer compensação

Publicação: 2014-11-29 00:00:00
Fortaleza (AE) - Reunido em Fortaleza para fazer um balanço das eleições e debater os rumos do segundo mandado da presidente Dilma Rousseff, o diretório nacional do PT considerou “coisa feita” as nomeações de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e Kátia Abreu para a Agricultura.
Dilma Rousseff, ao sair de Brasília, com destino a Fortaleza para participar da reunião do PT
Embora contrariadas, as principais correntes do partido não devem tornar públicas críticas às escolhas da presidente. Em troca, o partido vai pedir mais empenho do governo federal em questões caras à base petista como o marco regulatório dos meios de comunicação, a revisão do fator previdenciário, reforma fiscal, questões trabalhistas e indígena. O PT também deve cobrar espaço mais qualificado no ministério.

A legenda já dá como certo que terá um número menor de ministérios no segundo mandato de Dilma. Conforme um importante dirigente petista, isso deve ser compensado com a indicação de “líderes capazes de fazer a disputa política nas suas áreas”. Ou seja, o PT quer um ministério mais político e menos burocrático e hermético do que o do primeiro mandato.

Na segunda-feira, a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil fez uma reunião preparatória em São Paulo para elaborar o discurso. Embora nomes como Levy e Kátia Abreu não agradem setores do PT, eles dizem que “o que vai prevalecer” é o programa de governo do partido. Para driblar as críticas, os dirigentes petistas fazem uma comparação com o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Henrique Meirelles - na época um banqueiro filiado ao PSDB - foi escolhido para o Banco Central, o “petista conservador” Antonio Palocci para a Fazenda e Roberto Rodrigues, representante do agronegócio, para a Agricultura.

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“A área econômica não está à disposição para disputa partidária”, admitiu um dos vice-presidentes do partido, Alberto Cantalice. Segundo ele, o importante é que ministérios ligados diretamente às causas petistas fiquem com nomes vinculados à esquerda. O PT vai lutar para manter seus espaços no governo e emplacar nomes como o do deputado estadual Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, nos Esportes e o governador da Bahia, Jaques Wagner, em alguma pasta política.

DEBATE
Além, disso o partido quer impor uma pauta ao segundo governo de Dilma. Um dos itens principais é a criação de um marco regulatório para os meios de comunicação, reivindicação antiga do PT engavetada por Dilma no primeiro mandato. A presidente já disse que vai abrir o debate sobre o tema no segundo semestre do ano que vem e descartou qualquer medida de controle de conteúdo. O objetivo, segundo ela, será restringir “monopólios e oligopólios”.

Ontem, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que a regulação da mídia está na agenda do segundo mandato de Dilma. “A presidenta já fez menção sobre a regulação da mídia e deve lançar uma consulta pública sobre essa questão em 2015.”

O partido quer ainda que o governo crie uma fórmula alternativa ao fator previdenciário, reivindicação histórica dos sindicatos ligados ao PT, uma reforma fiscal que desonere a nova classe C, que ascendeu durante os governo Lula, e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. “O ajuste das contas do governo será bom desde que não mexa nas obras do PAC, mantenha os programas sociais e a valorização do emprego”, disse o deputado José Guimarães, outro vice-presidente do PT.

Outra cobrança será quanto à celeridade do projeto de reforma política. Para alguns dirigentes, a presidente já deveria ter dado algum sinal nesse sentido. Apesar do clima de apreensão em relação ao segundo mandato, a cúpula petista trabalha para abafar críticas e criar um ambiente positivo na reunião do diretório nacional. Onze grupos enviaram textos de contribuição ao debate. A cúpula do partido começou a trabalhar ontem em um novo texto (mais informações abaixo) que tem como base a resolução política aprovada pela executiva nacional no dia 3 de novembro - na qual o PT cobra maior protagonismo no segundo mandato de Dilma.