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Política
Putin promete resposta, se Otan expandir para Suécia e Finlândia
Publicado: 00:01:00 - 30/06/2022 Atualizado: 22:35:51 - 29/06/2022
O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que a Rússia responderia da mesma forma se a Otan instalar infraestrutura militar na Finlândia e na Suécia depois que os dois países se juntarem à aliança. Em cúpula ontem, os aliados formalizaram o convite às duas nações para se juntarem à aliança e classificaram a Rússia como “ameaça direta”.

Divulgação
Vladimir Putin foi citado por agências de notícias russas, dizendo que não podia descartar novas tensões nas relações de Moscou

Vladimir Putin foi citado por agências de notícias russas, dizendo que não podia descartar novas tensões nas relações de Moscou


Putin foi citado por agências de notícias russas dizendo que não podia descartar que surgiriam tensões nas relações de Moscou com Helsinque e Estocolmo sobre sua adesão à Otan. Primeiro ele minimizou a importância de Suécia e Finlândia serem convidadas a se juntar à Otan, em seguida alertou que a Rússia responderia se a aliança ocidental expandisse sua presença nesses países.

“Com a Suécia e a Finlândia, não temos os problemas que temos com a Ucrânia. Eles querem se juntar à Otan, vá em frente”, disse Putin à televisão estatal russa após conversas com líderes regionais no ex-estado soviético do Turcomenistão.

“Mas eles devem entender que não havia ameaça antes, enquanto agora, se contingentes militares e infraestrutura forem implantados lá, teremos que responder na mesma moeda e criar as mesmas ameaças para os territórios a partir dos quais as ameaças contra nós são criadas”, completou.

Mas ele rejeitou a ideia de que a adesão dos dois países nórdicos à aliança mostra que sua invasão da Ucrânia saiu pela culatra, insistindo que uma Ucrânia aliada da Otan seria uma ameaça muito maior. “Para nós, a adesão da Finlândia e da Suécia não é nada como a adesão da Ucrânia”, disse ele. “Eles entendem isso perfeitamente bem.” O comentário de Putin veio um dia depois que a Turquia, aliada da Otan, suspendeu seu veto sobre a Finlândia e a tentativa da Suécia de ingressar na aliança.

Após semanas de negociações, culminadas por uma reunião de uma hora em Madri, o presidente Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, concordou em suspender seu bloqueio em troca de um conjunto de ações e promessas de que agirão contra o terrorismo e as organizações terroristas.

Mais cedo, a Rússia respondeu aos anúncios com críticas ao que chamou de agressividade da Otan. O vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, chamou a ampliação da Aliança Atlântica para Finlândia e Suécia de “profundamente desestabilizadora”.

A incorporação da Finlândia, e seus 1.300 km de fronteira terrestre com a Rússia, fará com que a Otan mais do que dobre seus limites territoriais com este país. Desta maneira, a Rússia terá fronteira com seis integrantes da aliança: Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia - os dois últimos pelo enclave de Kaliningrado - e Noruega.

Viagem 
Enquanto os líderes ocidentais se reúnem em Madri para a cúpula da Otan, Putin está trabalhando para manter sua própria esfera de influência na Ásia Central, procurando compensar as sanções econômicas e o isolamento político imposto pelo Ocidente por sua invasão da Ucrânia. Ontem, ele estava no Turcomenistão, uma ex-república soviética insular e rica em gás, para uma cúpula dos líderes dos países que fazem fronteira com o Mar Cáspio, o maior corpo de água sem litoral do mundo. Esses são Azerbaijão, Casaquistão, Irã, Rússia e Turcomenistão.

Os aspectos políticos, econômicos e de segurança da região do Cáspio e seus vastos recursos de petróleo e gás assumiram maior importância para Moscou durante a guerra na Ucrânia.

A viagem de Putin, que começou no Tajiquistão na terça-feira, é sua primeira ida ao exterior desde que suas forças invadiram a Ucrânia em fevereiro e apenas a quarta desde o início da pandemia. Sua disposição de deixar a Rússia neste momento também é uma indicação da aparente confiança do Kremlin de que o esforço de guerra está no caminho certo e que Putin está totalmente no controle em casa.

À medida que as sanções sobre a guerra interrompem as rotas comerciais, os países amigos da Rússia estão emergindo como novos parceiros econômicos críticos. E no Tajiquistão, na terça-feira, Putin foi abraçado pelo presidente do país, Emomali Rahmon. “Em geral, uma atmosfera de amizade e cooperação reina no Cáspio”, disse o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushakov, a repórteres na segunda-feira, segundo agências de notícias russas.

Mas alguns aliados estão caminhando com cuidado. O Casaquistão, em particular, disse que não ajudará as empresas russas a contornar as sanções ocidentais. Sentado no palco ao lado de Putin em uma conferência econômica em São Petersburgo neste mês, o presidente Kassym-Jomart Tokaiev, do Caaaquistão , disse que não reconheceria as “repúblicas” separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, chamando-as de “territórios de quase-Estado”.

Em outro sinal da busca multifacetada de influência do Kremlin na Ásia Central, a Rússia também está pressionando os países a expandir o ensino de língua russa: no Tajiquistão, cinco escolas russas estão programadas para abrir em setembro, com US$ 150 milhões em financiamento de Moscou.

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