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Quadrinhos serão lançados no sábado
Publicado: 00:00:00 - 17/12/2015 Atualizado: 21:18:00 - 16/12/2015
A imaginação é um ‘contêiner’ criativo sem limites, onde simples ruídos podem perfeitamente protagonizar uma ficção em quadrinhos. E foi assim, a partir de conversas mirabolantes sobre barulhos estranhos que vinham do teto, que os irmão Pedro e Daniel Balduino amarraram o enredo do livro “Os Mongos estão levando as nossas coisas”. A publicação, viabilizada via financiamento coletivo no Catarse, sai sob a batuta da editora Fortunella Casa Editrice e o lançamento está agendado para este próximo sábado (19), das 13h às 19h, na livraria Nobel Salgado Filho no bairro de Lagoa Nova.
Os barulhos vindos do teto da casa onde o autor e o irmão viveream uma experiência imaginária, deram corpo à obra
O ponto de partida da história foi o movimento de uma colônia de mamíferos voadores no forro da casa para onde a família dos autores tinha acabado de se mudar. Até descobrirem se tratar de morcegos, rolou muita especulação, hipóteses e suposições por parte da dupla. O livro traz pinturas em aquarela e guache, fotografias, imagens manipuladas e pintura digital.

“Lembro que fiquei intrigado logo de cara. O forro de madeira do telhado apresentava um barulho um tanto assustador, como se seres muito pequenos caminhassem sobre o teto da casa, de um lado para outro, com livre acesso a todos os cômodos”, contou Pedro Balduino, responsável pelas ilustrações e co-autor do texto. “Nas conversas que tive com meu irmão mais novo (Daniel), inventamos a história de um garoto que tinha seus pertences roubados por criaturas que moravam no teto. Nisso a história foi crescendo, os vizinhos virando personagens, e em uma semana tínhamos algo escrito. Desde então já estava determinado a ilustrar”, lembra o ilustrador, que aproveitou o ensejo para transformar o livro em seu trabalho de conclusão no curso de Artes Visuais da UFRN.

Depois os irmãos descobriram a origem da zoada, mas a história já existia e as criaturas já haviam sido chamadas de “os Mongos”. A tal casa da algazarra no forro fica em um pequeno condomínio de Duque de Caxias, cidade do Rio de Janeiro, e Pedro, que mora em Natal desde 2008, foi visitar o irmão e a mãe.

Os primeiros rabiscos de “Os Mongos estão levando as nossas coisas” surgiram em 2011, quando os irmãos começaram as conjecturas para explicar o ‘fenômeno’. “Não sei ao certo o quê ou quem são os Mongos, ninguém nunca os viu. Só se sabe que eles estiveram ali e coisas começaram a desaparecer, sempre precedidas de um ‘terrível, temível, ruído’”, brinca Pedro Balduino.

Ele conta que alguns personagens tentam descrever os Mongos: o professor que mora no condomínio diz que eles são “criaturas com corpo de cachorro, cabeça de morcego e asas de beija-flor”. O homem-velho, outro vizinho, aposta que eles têm “cara de bolacha recheada, corpo de lagarto e garras de ursinhos de pelúcia”.

“É um exercício imaginativo, uma proposta lúdica para a criança que lê e para o adulto que conta a história, não ver ilustrações que definam a imagem de um Mongo”, acredita o co-autor. Em 2014, o ilustrador chegou a fazer uma exposição interativa na qual as pessoas podiam desenhar os Mongos a partir da leitura de alguns trechos do livro. “Muita gente participou, guardei vários desenhos e poesias tentando definir estes seres. Gosto de acreditar que eles são criaturinhas brincalhonas e maliciosas, que vivem em um universo paralelo muito bem organizado e que possuem alguma razão muito pertinente para ficar levando as coisas das pessoas”, acrescentou Balduino.

O livro possui elementos narrativos da estética dos quadrinhos e características da diagramação utilizada em títulos da literatura infantil – mas adaptada para crianças em fase de leitura secundária. “É um livro graficamente, muito gostoso de se ver e caro de se fazer: grande, em couché, todo em policromia. Levantamos recursos através de financiamento coletivo, e acabou que o título se tornou o campeão de arrecadação na categoria ‘quadrinhos’ entre os projetos do Rio Grande do Norte na plataforma”, destacou o editor Sandro Fortunato. Sandro e Pedro já se conheciam, o editor já era cliente do ilustrador quando “Os Mongos” surgiram. “Eu sabia que existia e que ele queria publicar. Quando vi, topei na hora”, disse.

Serviço

Lançamento do livro “Os Mongos estão levando as nossas coisas”, de Pedro Balduino e Daniel Balduino. Sábado (19), das 13h às 19h, na livraria Nobel Salgado Filho.

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