Alex Medeiros
Quando Daniel Craig não era o bastante
Publicado: 00:00:00 - 06/10/2021 Atualizado: 09:34:22 - 06/10/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

As salas de cinema estão lotadas para acompanhar a despedida do ator Daniel Craig na saga do agente 007. Após cinco aventuras, vence a validade da sua licença para matar. Mas, quem vê agora tanta empatia dos fãs do personagem com o ator, não lembra mais como foi a reação do público quando Craig encarnou James Bond pela primeira vez, em 2006, substituindo o colega bonitão Pierce Brosnan que estrelou três filmes, se despedindo em 2002. 
Divulgação

Como já disseram que ciúme de homem é mais destruidor que o das mulheres, partiu dos tietes masculinos de Sir James Bond a reação mais histérica contra Daniel quando ele foi interpretar o personagem no filme “Cassino Royale”, que remonta ao livro homônimo de 1953 que deu origem ao agente. A marmanjada não aceitou o britânico no papel iniciado pelo seu compatriota Sean Connery.

Casino Royale, que foi filmado em Praga, provocou protestos nos fãs do agente mais charmoso do cinema. Lançaram até site para impedir que as produtoras da obra, Sony e Eon, arruinassem a imagem de James Bond.

No site “CraigNotBond” foi postado farto material com a indignação dos fãs, gente disposta a tudo para melar a contratação do ator. Havia palavras de ordem como “Daniel Craig não é Bond” e “Boicote a Casino Royale”. 

E até fotos do então novo agente com elementos que indicavam temporada de caça ao Craig, como uma cruz sobre seu rosto. Os protestos tinham um argumento para manter a dignidade de 007: não tirar Pierce Brosnan das telas.

O James Bond mais idolatrado pelos fãs, Sean Connery, já estava idoso em 2006, o que não permitia novas estripulias. E para agravar mais a rejeição da tietagem, Daniel Craig inventou de quebrar dois dentes no set de filmagem. 

Os fãs diziam que ao escolherem Craig, os produtores provaram que se importavam pouco com as opiniões dos fãs. Michael Wilson e Barbara Bruccoli, que detinham os direitos de adaptação da obra de Fleming, pagaram o pato.

No meio de tanto tiroteio, a insatisfação pelo menos poupou a atriz Eva Green, que foi a bond girl do primeiro filme de Daniel Craig e ao longo dos anos se transformou numa grande referência como parceira e paixão de James Bond.

Enquanto espinafravam Craig, os fãs se derramavam em louvações aos demais atores que interpretaram James Bond. Diziam sentir saudades não apenas de Sean Connery, mas também de Roger Moore e de Timothy Dalton.

Há 15 anos, quando Craig estrelou “Casino Royale”, a maioria dos admiradores do agente nem sabiam que a trama foi para a TV em 1954 e para o cinema em 1967, neste reunindo quatro grandes artistas num roteiro ao estilo pastelão.

Já escrevi aqui que o genial John Huston era um dos diretores e que o filme virou cult, uma comédia com dois James Bond, o primeiro vivido por David Niven, um agente aposentado, e o segundo pelo o hilário Peter Sellers.

Foi só quando Daniel Craig estreou, exatamente com “Casino Royale”, que muitas gerações se deram conta do velho romance de Iam Fleming. Não demorou para o ator calar as críticas e encantar as legiões de tietes do 007.

Hoje, ao dar adeus com o quinto filme, ele sai da saga para entrar definitivamente na cinematografia do personagem, não como apenas mais um, mas certamente como aquele que divide com Sean Connery a mística de Bond.

Na pele do agente, o tempo de Craig pode ter chegado ao fim, todos compreendemos que na ficção sempre há um tempo para morrer. Mas a sensação é que o seu desempenho nunca terá tempo para a gente esquecer.

Racionamento 
Com a pandemia recrudescendo, os governos do mundo agora tratam de encontrar uma maneira de brecar os preços da energia e combustíveis, alguns já adotando política de racionamento nos âmbitos estatal, privado e doméstico.

Borrou-se 
O ministro Luís Barroso, tão eloquente na “farmacologia jurídica”, não tem lido direito a cartilha da “sociologia black”. Ao se dirigir às jornalistas da GloboNews, Aline Midlej e Flávia Oliveira, confessou sentir “inveja branca”.

Editorial 
Do velho Estadão no domingo: “Lula continua pregando a irresponsabilidade fiscal e a cizânia, como se vê pelo comportamento de seus apoiadores. A esquerda pode ser democrática e responsável – tudo que o lulopetismo não é”.

Caravana 
O empresário Antônio Gentil conduzirá um grupo de acadêmicos e conselheiros culturais, no próximo dia 15, a bordo de um micro-ônibus para a inauguração do seu instituto de empreendedorismo em Campo de Grande.
Solidariedade A APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais está com uma campanha de arrecadação de fundos para seus projetos de apoio a crianças portadoras da síndrome de down, através das contas na Caixa, BB e por Pix.

Burguesinho 
Nunca uma imagem foi tão simbólica para exibir o falso moralismo revolucionário dos esquerdistas do que a de um luxuoso automóvel Alfa Romeo estacionado num condomínio de Natal e recoberto de adesivos do PC do B.

Leilão 
O mais experiente leiloeiro de Natal, Roberto Alexandre (Boca entre amigos), se reúne amanhã com o artista plástico Wilton Bezerra para definir o procedimento do leilão de um quadro em favor da Fundação Raimundo Fagner.

Quarta gorda 
Hoje tem semifinal da Liga das Nações com Itália x Espanha. E Brasileirão com Ceará x Inter, Chapecoense x Atlético MG, Bragantino x Flamengo, América x Palmeiras, Fluminense x Fortaleza, Grêmio x Cuiabá, Sport x Juventude.

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