"Quantidade de alunos que enviamos e recebemos do exterior é pouca", diz secretário da UFRN

Publicação: 2017-03-26 00:00:00
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Aura Mazda
Repórter

Enviar alunos da  Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para o exterior e receber discentes de países estrangeiros é uma das missões da  Secretaria de Relações Internacionais (SRI). O secretário de relações internacional,  em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Márcio Venício Barbosa, analisou que a quantidade de alunos enviados ao exterior ainda é pequeno. “Nosso objetivo é expandir os programas”.
Créditos: Adriano AbreuMárcio Venício Babosa, coordenador da Secretaria de Relações Internacionais da UFRNMárcio Venício Babosa, coordenador da Secretaria de Relações Internacionais da UFRN

Márcio Venício Babosa, coordenador da Secretaria de Relações Internacionais da UFRN

Com a finalidade de ampliar essa quantidade, a UFRN realiza amanhã a palestra Study in Europe RoadShow, voltada aos interessados em estudar na Europa. O evento ocorrerá das 11h30 às 13h30, no auditório A do Centro de Ciências Exatas e da Terra (CCET) da UFRN, onde o público poderá tirar suas dúvidas sobre possibilidades de estudo e pesquisa na Europa e ter acesso a oportunidades de intercâmbio, cursos de férias, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O evento é aberto para alunos de outras universidades.

As palestras serão divididas entre Alemanha (DAAD) das 11h30 às 12h, Irlanda (UCC) das 12h às 12h30, Holanda (Nuffic, IHS e Saxion) das 12h30 às 13h e França (Campus France e Yncrea) das 13h às 13h30. Após as palestras, um plantão de resolução de dúvidas será realizado até as 15h com representantes de universidades e agências oficiais da Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Irlanda, Suécia e Suíça, além da ferramenta de networking Euraxess Links Brasil.

Qual o objetivo  da palestra Study in Europe RoadShow, voltada aos interessados em estudar na Europa?
É um evento itinerante organizado pelas agências internacionais de vários países europeus. A associação ACA, que essas agências fazem parte dela. O objetivo é fomentar a mobilidade acadêmica e o estudo completo. Está sendo feito um ciclo de palestras, essa já é a quinta. É um evento de cunho informativo, que diz aos alunos o que eles devem fazer.

Qual o público?
É para estudante universitários. Pode participar alunos não só da UFRN.

A que se propõe a Secretaria de Relações Internacionais da UFRN?
A secretaria tem a função de cuidar de todo o relacionamento da universidade, acadêmico principalmente, com outras instituições.  Os projetos que envolve m as universidades estrangeiras ou brasileiras passam por aqui, sobretudo quando é necessário firmar algum acordo. Prospectamos oportunidades de colaboração, colocamos universidades estrangeiras e tentamos estabelecer a cooperação.

Quais são os projetos executados  pela Secretaria?
A cooperação pode acontecer entre os pesquisadores, quando há pesquisa , produção de arquivo em comum ou até um produto específico que gera uma patente. Envolvendo os alunos pode acontecer a mobilidade, que é o fato de recebermos alunos de outras instituições ou enviarmos. A mobilidade só funciona quando o aluno está regularmente matriculado na universidade e saia durante um período ou dois e retorne, porque a gente aproveita aqui o que ele estudou.

A UFRN recebe alunos de outros países. Como ocorre isso?
Temos três projetos que possibilitam isso. Em um deles recebemos alunos da  África e da América Latina para estudar aqui. É um programa pilotado pelo Ministério da Educação e Ministério das Relações Exteriores.  Temos quase 40 alunos vindos de vários países africanos e alguns vindos da América Latina. Outro programa, que é do Mercosul, credencia universidade para mobilidades de alunos. No nosso caso apenas o de arquitetura participa desse programa, que todos os anos recebe seis alunos de países latino americanos. O terceiro projeto é um acordo que firmamos diretamente com o ministério do Timor Leste para receber 13 alunos que estão em vários cursos nossos. É uma tentativa do Timor tanto para qualificar os profissionais de seu país, e ao mesmo tempo expandir o  uso do português, que é a língua oficial, mas ainda não é nativa.

É dada alguma assistência financeira a esses alunos?
No caso do PAC-G , o aluno tem que declarar ao governo brasileiro que tem como se manter aqui. Nem sempre isso é permanente, as vezes algum parente ou pai ajuda e isso acaba. As vezes nos vemos com alunos que não tem como se manter. Para isso o governo criou uma bolsa atribuída a esses alunos quando comprovada a carência e alunos regulares. Eles também podem participar das nossas assistências como qualquer outro. Em um dos casos, o 'Marca', os alunos são responsáveis apenas pelas passagens, oferecemos bolsa para moradia e damos acesso ao restaurante universidade.

Quantos alunos estrangeiros temos na universidade?
Cerca de 200 matriculados na graduação e na pós de países distintos. Tem os muitos alunos da Guiné-Bissau, Potugal e Espanha. Também recebemos a cada ano cinco alunos chineses.

Quais os benefícios que a vinda desses alunos para a universidade proporciona?
São muitos. O que observamos é que os nossos alunos ficam mais abertos para essas relações. Nós temos um programa que seleciona alunos nossos para acompanhar esses estrangeiros. Não para fazer as coisas por eles, mas para dar explicações sobre coisas básicas, até de localização. Na secretaria temos. A gente tenta fazer a permanência o mais tranquila possível. Lógico que quando ele chega, pode passar pelos problemas da cidade. As vezes são assaltados, apesar de darmos todas as orientações, mas isso foge ao controle de qualquer um.

Muitos alunos saem daqui para outras universidades do exterior. Como isso acontece?
Temos alguns projetos e bolsas. Algumas em parceria com o banco Santander. Existe proposta da Capes para novo programa de mobilidade, que visa na pós-graduação mas vai poder contar com alunos da graduação para alguns projetos. Paralelamente a isso estamos estudando uma forma de dar uma contrapartida. Ainda é muito pouco o que temos, tanto recebendo quando enviando alunos se comparado com o total de alunos. Se não há nenhum incentivo específico que permita a organização de um plano, dificulta um pouco.

Quantos alunos da UFRN hoje estão estudando no exterior?
Perto de 30. Para o próximos semestre temos 14 pedidos. Todos eles fora de qualquer programa. Eles podem se beneficiar com nossos acordos apenas com a gratuidade de taxas, o resto eles bancam por conta própria.