Quantitativo de 13º salários neste ano é incógnita

Publicação: 2020-10-18 01:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia


Os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia não irão se dissipar num curto intervalo de tempo e transformarão perspectivas em incógnitas. Uma delas, é relativa ao volume de pagamento de salários extras no Rio Grande do Norte. O 13º salário é aguardado por trabalhadores e comerciantes, pois é no final de ano que há um maior dispêndio de recursos no varejo restrito e ampliado, seja com a compra das roupas ou com as reformas para o ciclo natalino e chegada do ano novo. No quarto trimestre do ano passado, conforme dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido da TRIBUNA DO NORTE,  a massa de rendimento real de todos os trabalhos fez girar R$ 2,604 bilhões na economia local – aumento de 9,8% em relação ao 3º trimestre do mesmo ano. Para o resto de 2020, o quantitativo que será injetado na economia é desconhecido, diante das incertezas geradas pela covid-19.

Créditos: Adriano AbreuComércio aguarda pagamento de salários extras para aquecer setorComércio aguarda pagamento de salários extras para aquecer setor

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“Fazer projeção é algo muito arriscado. O valor que irá circular depende dos incentivos do Governo Federal e das perspectivas da iniciativa privada em relação ao mês de dezembro e início de 2021. Isso faz com que haja mais contratações em dezembro e menos demissões no início do ano seguinte”, ressalta Flávio Queiroz, supervisor de Disseminação de Informações do IBGE/RN. A massa de rendimento real é referente ao valor recebido por mês, já levando em consideração o deflator, que considera a perda de poder aquisitivo de um período a outro em decorrência da inflação. No Rio Grande do Norte, o aumento do desemprego provocado pela pandemia do novo coronavírus é um dos agentes provocadores das incertezas em relação ao volume de pagamentos de décimos terceiros salários.

No comércio, porém, a expectativa para uma ampliação da monta em circulação nos próximos meses é positiva. “O 13º é a grande força-motriz das vendas de final de ano no setor de comércio, serviços e turismo. No caso do nosso RN, juntos, Executivo estadual e Prefeitura de Natal respondem por cerca de 32% dos valores totais pagos pelo benefício. Sendo assim, a antecipação dos valores é de suma importância porque traz um alento para o nosso segmento em um momento crucial de consolidação da retomada após a crise da covid-19. Vale ressaltar que, como nosso setor é o maior empregador e tem o maior peso no nosso PIB, a consolidação da sua retomada tem o claro e imediato efeito de estimular um círculo virtuoso no desenvolvimento do Estado”, declara Marcelo Queiroz, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio RN) e do Conselho Deliberativo do Sebrae RN.

No sábado, 10 de outubro, o Governo do Estado efetivou o pagamento 40% do 13º salário do funcionalismo público, com a garantia de quitação dos 60% restantes até dezembro. Conforme o secretário de Estado do Planejamento e das Finanças, Aldemir Freire, “foram mais de “R$ 178 milhões injetados na economia potiguar em um período de necessidade de recuperação financeira após os efeitos provocados pela pandemia, além do compromisso do Governo em pagar os salários de sua gestão em dia”.

Além da garantia dos 60% até o fim do ano, o secretário também assegurou o pagamento em dia dos salários dos meses restantes desse ano e ainda a apresentação de um planejamento à governadora Fátima Bezerra, no início de 2021, para quitar as duas folhas (dezembro e décimo de 2018) deixadas pela última gestão.

“Estamos em uma crescente, e acreditamos que o pagamento do 13º salário contribuirá para continuarmos nesse rumo positivo.

Nesse último trimestre do ano temos duas datas boas de vendas para o comércio, a black Friday e o Natal. Certamente elas serão impactadas positivamente pelo 13º salário.  O pagamento dos 40% aos servidores do Estado representa uma injeção de R$ 178 milhões na economia, e esses valores passam pelo comércio, seja em compras, ou na negociação de dívidas e recuperação de crédito, duas coisas importantes para nós lojistas”, avalia José Lucena, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Natal).