Quase 40% compram em sites gringos

Publicação: 2015-05-03 00:00:00
Levantamento realizado em todas as capitais brasileiras com pessoas que compram pela internet mostra que quatro em cada dez (38%) consumidores virtuais já compraram ao menos uma vez em sites internacionais e 42% das compras online foram feitas nestes sites no último ano. O levantamento – divulgado nesta semana - foi realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz. Mas economista alerta que as compras nesses sites ficam cada vez mais caras para os brasileiros.
E-commerce está cada vez mais aquecido, mas exige cuidados do consumidor quanto a fraudes
De acordo com a pesquisa, entre os que mais consumiram no e-commerce internacional estão os pertencentes às classes A e B (48%), pessoas mais escolarizadas (49%) e os mais jovens (45%). Os sites mais acessados são americanos e chineses, e os produtos mais citados nas compras internacionais são roupas (51%), seguidas de acessórios de vestuário, como cintos e bolsas (36%), acessórios para celulares e tablets (33%), artigos para bebês e crianças (23%), e cosméticos e perfumes (22%).

Ainda que o ranking de produtos seja igual em ambos os países, há destaque para as compras de livros, cosméticos, DVDs e CDs nos sites dos Estados Unidos e de vestuário nos da China.

Prós e contras
Para 88% dos entrevistados, a vantagem mais citada para comprar em sites internacionais é o preço baixo - logo após aparecem variedade de produtos (53%) e poder comprar produtos mais exclusivos (31%).

A demora na entrega é a desvantagem mais importante para a grande maioria dos consumidores (85%). Além disso, foram citadas as taxas de importação (57%), a possibilidade da Receita Federal apreender a compra (41%) e a incerteza sobre a entrega dos produtos (31%).

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“Com exceção dos livros, que contam com isenção tributária, muitos produtos podem ficar retidos ao passarem pela alfândega, na chegada ao Brasil”, diz a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Nesses casos, o barato pode sair caro, já que para liberar as encomendas, o consumidor precisa pagar o Imposto de Importação e o ICMS, que podem encarecer a compra em mais de 60%”, explica a economista.

A pesquisa do SPC Brasil também identificou que, em média, os sites internacionais demoram o equivalente a cinco vezes o prazo dos sites nacionais para entregarem os produtos (57 dias para os internacionais frente aos 12 dias dos sites brasileiros).

Segundo a economista-chefe, antigamente o risco de comprar em sites internacionais e o prazo maior de entrega compensava o preço mais barato, mesmo se os produtos fossem retidos e a taxa cobrada. “Com o dólar e inflação em alta e o orçamento mais apertado, não compensa para o consumidor esperar muito tempo para receber o produto, além de pagar um frete muito mais caro do que se a compra fosse feita no Brasil”, analisa. Para Kawauti, a diferença entre os valores dos produtos em outros países e no Brasil pode não ser tão grande no final. “Assim, as compras nesses sites ficam cada vez mais caras para o bolso dos brasileiros”, aponta.

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