Quatro estados já pediram apoio militar contra queimadas

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
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O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou neste sábado, após reunião ministerial, que o governo deve liberar até R$ 28 milhões como medida emergencial para apoio ao combate às queimadas na região amazônica. Em coletiva de imprensa na manhã deste sábado (24), Silva e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmaram que quatro Estados - Rondônia, Roraima, Tocantins e Pará - até agora já formalizaram a atuação das Forças Armadas por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) decretada ontem (23) pelo presidente Jair Bolsonaro.
Presidente Jair Bolsonaro comandou reunião ministerial neste sábado para definir ações emergenciais para a região amazônica
Presidente Jair Bolsonaro comandou reunião ministerial neste sábado para definir ações emergenciais para a região amazônica

Azevedo e Silva explicou que, do quadro de 44 mil homens das Forças Armadas atualmente na Região Norte, a quantidade que vai atuar dependerá da demanda de cada Estado. O ministro explicou que, inicialmente, 700 homens que já atuavam em Rondônia empregados no Estado. O principal reforço de outras regiões do País é o de aviões e helicópteros, que poderão ser utilizados em diversas áreas na Amazônia Legal.

"O efetivo é por demanda. Qual é a missão, e a delimitação da área? Então a nossa missão é usar o efetivo mais próximo, se a primeira missão é em Porto Velho. Vamos fazer concentração estratégica vindo de outras áreas da região amazônica, e o deslocamento de outras regiões vai ser de meios aéreos para o emprego na região", afirmou Azevedo e Silva.

O emprego da GLO será para ações preventivas e repressivas contra ilícitos ambientais e levantamento e combate a focos do incêndio. Além dos quatro Estados, Mato Grosso e Acre já estão em contato com o governo para aderir à GLO, segundo Azevedo e Silva. "É importante a adesão dos governos estaduais porque se não ficaremos restritos às áreas federais e reservas indígenas. Temos certeza que todos assinarão." Tanto o ministro da Defesa quanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmaram que a reação do governo federal foi rápida diante das notícias de aumento nos focos de incêndio.

Segundo Salles, o problema que deu ensejo para utilização da GLO e toda essa estrutura começou há 20 ou 30 dias. "Portanto, não há demora". "O governo precisa montar ações e uma resposta de acordo com as necessidades. A resposta está sendo estruturada e acredito que vai ser bastante frutífera", disse Salles.

O ministro do Meio Ambiente disse também que a estrutura do governo para contenção de incêndio, por parte do ICMBio e do Ibama, já estava disponível desde antes, tanto de aeronaves como de brigadistas. "Semana passada na Chapada de Guimarães foram 90 brigadistas, 20 bombeiros, aeronave, tudo isso já estava disponível. O que houve agora foi a GLO. Foi absolutamente correta a resposta do governo", afirmou o ministro.

Sobre recursos, o Ministério da Defesa tem previsto na Lei Orçamentária Anual aprovada no Congresso para este ano R$ 28 milhões para emprego em GLO. Azevedo e Silva disse que o ministro Paulo Guedes se comprometeu a descontingenciar esses valores, que estão sendo aguardados.

Já o ministro do Meio Ambiente disse que "há um saldo no Fundo Amazônia de mais de R$ 1 bilhão que vem sendo utilizado inclusive no combate a incêndio". Ele não esclareceu se haveria destinação específica para reforçar o combate no momento.

Ricardo Salles pediu que os Estados, com territórios na floresta amazônica, também se mobilizem para o combate às queimadas que prejudicam o meio ambiente. A reunião ministerial foi neste sábado, em um contexto de intensas críticas internacionais a respeito da atuação brasileira, que é apontada, por governos de países europeus, como deficientes para debelar focos de incêndio na floresta.

Neste sábado, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, formado pelos sete estados do Norte, Mato Grosso e Maranhão, pediu cooperação do governo federal e uma reunião em caráter de urgência com o presidente Bolsonaro. “Solicitamos imediatas providências no sentido de viabilizar a cooperação das estruturas dos Estados da Amazônia Legal e as do Governo Federal no emprego específico de combate a focos de incêndio na Floresta Amazônica do Estado Brasileiro, com apoio material para enfrentamento efetivo ao desmatamento e incremento às ações de fiscalização de atividades legais”, pontua o documento.

Macron promete mobilizar as potências 

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a cúpula do G7 (grupo de países ricos, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) que começa neste sábado trabalhará para mobilizar os sete países que integram o grupo na luta contra o incêndio na Amazônia e para investir no reflorestamento

Em mensagem transmitida pela televisão e divulgadas poucas horas antes do início oficial da cúpula em Biarritz, Macron ressaltou que a Amazônia é um "bem comum" e insistiu para que a floresta tropical esteja no topo da agenda da reunião. "Vamos fazer não só um apelo, mas uma mobilização de todas as potências que estão aqui, em associação com os países da Amazônia, para investir em primeiro lugar para lutar contra esses incêndios em andamento", disse, além de destacar que a França também é um dos países amazônicos por meio do território da Guiana Francesa.

"O oceano e a floresta que arde na Amazônia nos chamam. Nós temos que respondê-los e de uma maneira concreta", escreveu Macron no Twitter.

Macron acrescentou que há planos de se investir em reflorestamento e para permitir aos povos locais e a ONGs desenvolver atividades adequadas para "preservar esse tesouro da biodiversidade". Na quinta-feira (22) Macron, chamou a situação das queimadas na Amazônia de "crise internacional" e afirmou que o tema deve ser discutido em reunião no G7 .

Na abertura do G7, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que é "difícil imaginar" um possível acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul após a postura do governo brasileiro frente aos incêndios florestais na Amazônia. "É claro que apoiamos o acordo entre a UE e o Mercosul (...), mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro permitir a destruição", afirmou Tusk.

O presidente do Parlamento Europeu (PE), David Sassoli, lançou neste sábado uma campanha para que prefeitos de cidades da Europa plantem árvores em resposta à destruição causada pelos incêndios na Amazônia e na região russa da Sibéria. "Diante dos desastres na Amazônia e na Sibéria, são necessárias ações concretas. Convido todos os prefeitos da Europa a plantar pelo menos uma árvore", disse Sassoli no Twitter.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse neste sábado que compartilha da preocupação do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre os incêndios na floresta Amazônia, mas afirmou que impedir um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul não ajudará a reduzir a destruição da floresta.

Os incêndios florestais que ocorrem na região da Amazônia há mais de dez dias geraram reação da comunidade internacional e de ONGs ambientalistas, que lamentam os efeitos da destruição. Embora tenham recebido menos atenção midiática, também foram devastadores os incêndios na Sibéria, na Rússia, onde as autoridades não são obrigadas a controlá-los quando ocorrem em algumas áreas remotas.

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