Que maré

Publicação: 2017-02-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O América começou a temporada 2017 em uma maré daquelas! Mal no primeiro turno do Estadual, eliminado na primeira fase da Copa do Brasil e tendo uma decisão duríssima amanhã no Barradão pela Copa do Nordeste. Atribuir a eliminação da Copa do Brasil apenas a uma “falta de sorte” como disse o treinador Felipe Surian, penso que é minimizar o real problema do América, que reside na baixa qualidade técnica do elenco que foi montado, em boa parte pelo próprio treinador. A sorte sem dúvida é um componente importante, mas a competência é ainda mais importante. Tenho a impressão que falta ao América, exatamente competência e não é apenas dentro de campo. Fora de campo, no planejamento de montagem do elenco está cada vez mais evidente que os erros são os mesmos da temporada passada e que levaram o clube da Rodrigues Alves para o buraco da Série D. Não adianta apenas falar em “falta de sorte” ou que “levamos um gol chorado”. O buraco é mais embaixo!

Outro cenário

Vejam só a montagem do elenco do América. Felipe Surian fez bons trabalhos no Tupi e no Volta Redonda, tendo acessos com os dois times, e se o leitor observar com atenção, com dois times pequenos nos seus estados. O Tupi é pequeno em Minas Gerais e não tem pressão, o Volta Redonda é pequeno no Rio e não tem pressão. Sem tirar o mérito do treinador e dos jogadores, trabalharam nos dois times sem pressão e sem a obrigação do acesso. No América o cenário é completamente diferente. O América é grande no futebol do Rio Grande do Norte, o América tem pressão, o América tem uma torcida exigente e Felipe Surian e o grupo que ele montou, tem a obrigação de garantir calendário para 2018 e principal de subir para a Série C, o que muda completamente o cenário.

Como time pequeno  Uma coisa é o Tupi jogar contra Cruzeiro ou Atlético Mineiro e se encolher todo, ou o Volta Redonda enfrentar Flamengo ou Vasco e jogar todo retrancado por uma bola, e outra bem diferente é abdicar de jogar contra o Audax que é um time pequeno de São Paulo. O América não pode jogar e ter comportamento de time pequeno, a filosofia tem que ser outra.

Perfil perdedor

Outro ponto importante para ser avaliado é o perfil perdedor da atual diretoria do América, que desde que assumiu ganhou apenas e tão somente um turno do Estadual, e que mesmo tendo um perfil perdedor não mudou de 2016 para 2017. Houve uma troca de posições mas não de peças. São as mesmas figuras que rebaixaram o time para a Série D que seguem atuando no futebol e fora dele. Uma diretoria que não acertou e que não aprendeu com os erros de um passado recente. A diretoria do América só limpa a barra com a torcida se conseguir o acesso para a Série C, do contrário vai entrar para a história do clube da pior forma possível.

Sobra no Estadual 
Os números mostram que o ABC está sobrando no Estadual. Líder do turno com 14 pontos e já matematicamente classificado para a final, time de Geninho marcou 13 gols e sofreu apenas três, com quatro vitórias e dois empates. Este é um fato!

Qualificar 
Também é fato que apesar dos números positivos na competição doméstica, o time ainda tem apresentado deficiências que preocupam para a Copa do Nordeste, Copa do Brasil e principalmente para o Brasileiro da Série B. As alas ainda não convenceram, o setor intermediário com Anderson Pedra e Felipe Guedes está ficando sobrecarregado e falta um atacante de velocidade para jogar com Nando ou Caio. Na meia, Gegê aos poucos está se soltando mais, fez contra o Potiguar um bom jogo, mas confesso que não vejo nele o 10 para dar conforto e tranquilidade ao setor. Resumindo, o ABC tem que trabalhar urgentemente cinco, seis contratações fortes para o segundo turno do Estadual para entrar forte no Brasileiro. Com o atual elenco, arriscar dar uma “passeio” na B e voltar para a C.

Caiu mais um 
Depois de levar um sacode do ABC, o treinador Dário Lourenço foi demitido do Potiguar, que não acertou a pisada neste primeiro turno. Imaginei até que Dário pela experiência poderia arrumar o time do Potiguar, mas não deu, embora a culpa não seja apenas dele. O time é de uma fragilidade técnica que impressiona. Não adianta apenas trazer outro treinador se não qualificar o elenco.

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