Queda do PIB em 2020

Publicação: 2020-12-04 00:00:00
Luiz antônio felipe 
laf@tribunadonorte.com.br

O pico do coronavírus ficou para trás. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 7,7% no 3º trimestre (julho/setembro), embora abaixo das projeções de governo e do mercado, de 9%. Em cima de uma base fraca, não é um “pibão”, mas a expansão é recorde na comparação com os três meses anteriores (abril/maio/junho), mostram os dados do IBGE. Em relação ao mesmo trimestre de 2019, a queda é de 3,9%. Também recuou 5% neste ano e 3,4%, em 12 meses. Agora é olhar pra frente e esperar o quarto trimestre superando os 9% e, assim, o PIB anual tenha uma queda menor, abaixo dos -5%.

REAÇÃO
Por setores, o PIB da indústria sobe 14,8%, ante o 2º trimestre e continua em expansão. Já o PIB da agricultura caiu 0,5%, mas está voltando a crescer puxado pelas exportações. O consumo das famílias cresceu 7,6% no 3º trimestre ante o 2º trimestre. Para os analistas, o ritmo da recuperação econômica em 2021 deve ser pautado pela vacina, principalmente se ela começar a ser aplicada até março.

ANÁLISE
O Brasil atravessa essa crise melhor do que países latinos, diz a Capital Economics. O PIB do Brasil tem 24º maior avanço entre as economias globais e para manter a expansão econômica, o FMI sugere ao Brasil se preparar para oferecer apoio fiscal adicional, mantendo o teto dos gastos. Para o Fundo, o teto é importante, mas é preciso estar pronto para ajudar se a economia estiver fraca.

REDUÇÃO
O PMI composto desacelera a 53,8 pontos em novembro, diz o IHS Markit, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês). Apesar da queda, o indicador ainda é compatível com a expansão - quando acima de 50 pontos, sinaliza melhora nas condições de negócios em relação ao mês anterior. O setor privado brasileiro viu um aumento bem-vindo da produção em novembro.

COTAÇÕES 
Em dia de PIB, o dólar vai à mínima em quatro meses e o real lidera os ganhos no mundo. O Ibovespa abriu em alta e fechou em +0,61%, a 112.561 pontos. Já o dólar e o euro despencaram, com o PIB no radar. O dólar cai -1,93% e renova a mínima em mais de quatro meses a R$ 5,141 e o euro a R$ 6,242, queda de -1,58%. O preço do barril de petróleo (WTI) foi negociado ontem a US$ U$ 45,62, uma alta de +0,80%.

RETOMADA DO VAREJO
As vendas do comércio cresceram 2,9% em outubro, impulsionadas pelo setor de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, revela a Serasa Experian. A variação anual registra a menor queda do ano. Dentre todos os setores, apenas o de veículos, motos e peças registrou ligeira queda na análise mensal (-0,5%). A alta das vendas do comércio como um todo ficou abaixo do crescimento dos meses anteriores, o que pode ser um reflexo da redução do auxílio emergencial disponibilizado pelo governo, segundo o economista da Serasa, Luiz Rabi.

DÍVIDA 
O comércio vende mais e o consumidor fica com dívidas. Nas capitais do Brasil, o endividamento familiar cresce seis vezes mais que o número de novas famílias. Em torno de 11 milhões de famílias estão endividadas nas capitais do País, segundo a FecomercioSP, sendo que 630 mil se endividaram no primeiro semestre. Segundo os dados, 67,4% das famílias brasileiras vivendo em capitais estavam endividadas no final do primeiro semestre.

REFINO 
A Petrobras vê competitividade no novo mercado de Refino. A Companhia decide manter o processamento de 1,100 milhão de barris de petróleo/dia, após a venda de oito das 13 refinarias próprias. A estatal já vem fazendo diversas ações em eficiência energética, descarbonização, transformação digital e também elaboração de produtos mais avançados.

CONFIANÇA 
Numa demonstração de confiança do mercado, o governo brasileiro capta US$ 2,5 bilhões e paga a menor taxa da história para o vencimento mais longo. Esse dinheiro vai reforçar o caixa e ajudar no pagamento de títulos que vencem em 2021. Os economistas entendem que emitir títulos é uma solução de baixo custo.

RECORDE 
Já perto do verão, quando os ventos deveriam estar mais brandos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou, no sábado, 28 de novembro, recorde de geração eólica no Nordeste. A energia produzida pela boa performance dos ventos alcançou o valor de 9.163 MW médios, o suficiente para abastecer 86,8 % da demanda elétrica dos nove estados da região. O último recorde foi em 7 de agosto, quando foram produzidos  9.098 MW médios.

AQUISIÇÃO 
A paulista AES Tietê conclui a aquisição do Complexo Eólico Ventus por R$ 650 milhões. Fazem parte do complexo os parques eólicos Brasventos Eolo, Rei dos Ventos 3 e Miassaba, no Rio Grande do Norte. O complexo está em operação desde 2014, com 187 MW de capacidade instalada e 100% contratado no mercado regulado de energia.








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