Queda no setor de serviços no RN é a maior do Brasil

Publicação: 2018-07-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Ao longo deste ano, o Rio Grande do Norte acumula  o maior percentual de queda no volume de serviços prestados (10%) entre todos os estados brasileiros. Em seguida está o Ceará (-9,4%) e Pará (-8,3%), conforme dados da Confederação Nacional do  Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgados nesta sexta-feira, 13, com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em nível nacional, a prestação de serviços teve um recuo de 3,8% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços. No mês anterior, o dado foi revisado de um aumento de 1,0% para uma alta de 1,1%.

Na comparação com maio do ano anterior, houve redução também de 3,8% em maio deste ano, já descontado o efeito da inflação. Nessa comparação, as previsões iam de avanço de 5,20% a alta de 0,30%, com mediana negativa de 3,70%.

A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 1,3%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 1,6%.

Desde outubro de 2015, o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal caiu 3,7% em maio ante abril. Na comparação com maio do ano passado, houve queda na receita nominal de 2,1%.

A queda de 3,8% no setor de serviços registrada na passagem de abril para maio foi o pior desempenho já registrado na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011, informou o IBGE. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os serviços recuaram também 3,8% em maio deste ano, a queda mais acentuada desde abril de 2017, quando a taxa encolheu 5,7%.

A taxa acumulada em 12 meses ficou em -1,6% em maio, contra -1,4% em abril, interrompendo a trajetória ascendente iniciada em abril de 2017.

O bloqueio de estradas de todo o Brasil, que se prolongou por 11 dias ao fim de maio, deixa uma herança negativa para o desempenho do setor de serviços no ano, uma vez que algumas das perdas registradas não podem ser recuperadas, segundo Rodrigo Lobo, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

“Se ao final do ano tivermos uma taxa positiva no setor de serviços, ela poderia ter sido mais positiva se não fosse a greve de caminhoneiros. Se a taxa for negativa, ela poderia ter sido menos negativa. Algumas perdas não vão ser refeitas nos próximos meses. Alguma coisa se perdeu que não vai voltar atrás", disse Lobo.

A paralisação dos caminhoneiros fez o volume de serviços prestados no País encolher. O mau desempenho foi puxado pelo tombo também recorde de 9,5% registrado pelo segmento de transportes, serviços auxiliares ao transporte e correio, embora as perdas tenham sido generalizadas entre todas as atividades pesquisadas.

“Mercadorias que não foram escoadas naquele período não serão mais, isso se perdeu. Elas eram necessárias naquele momento, agora não são mais. Produtos perecíveis se perderam. Aquele frete que você vai fazer agora não é aquele que você teria feito em outro período, aquele se perdeu", explicou Lobo. O transporte terrestre, que inclui os caminhões, despencou 15,0% em maio ante abril, queda também recorde, afetando outros serviços subjacentes.

“Os restaurantes que ficam à beira de rodovias tiveram queda brusca, é um efeito secundário da greve, que pega outras atividades para além do setor de transportes. A reparação de máquinas e veículos também ficou prejudicada por causa da falta de peças de reposição", exemplificou Lobo. Com a greve, os serviços de transporte terrestre operavam em maio 30,8% abaixo do pico alcançado em fevereiro de 2014. O segmento representa mais da metade (52,3%) do setor de transporte como um todo, lembrou o pesquisador do IBGE.

Lobo acredita que o setor de serviços possa mostrar alguma recuperação em junho, apesar dos efeitos negativos da realização da Copa do Mundo de Futebol, realizada na Rússia, sobre o desempenho de empresas que liberam funcionários para assistir às partidas.

“O indicador antecedente que mede o fluxo de veículos pesados das estradas mostrou crescimento de 47% em junho ante maio", apontou Lobo.

Queda em todos os segmentos
Embora os cinco grupos de atividades acompanhados pela PMS tenham retraído, os destaques negativos foram o transporte terrestre (-15,0%) e as atividades auxiliares de transportes (-6,2%). Em ambos os casos, os recuos também foram históricos.


Impacto nos estados
Ao longo de 2018, as maiores quedas no volume de prestação de serviços ocorrem nos Estados do Rio Grande do Norte (-10,0%), Ceará (-9,4%) e Pará (-8,3%), enquanto apenas Roraima (+4,7%), Espírito Santo (+0,8%) e São Paulo (+0,5%) registram avanço.

Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)


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