Queijos potiguares, como reza a tradição

Publicação: 2019-08-16 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
O queijo artesanal potiguar está na mira do Brasil e do mundo. O pontapé foi dado na semana passada, durante o Encontro Nordestino de Leites e Derivados (Enel), em Parnamirim, onde houve o 15º Concurso de Queijos Regionais, promovido pelo Sebrae-RN, e a produção local foi apresentada pela primeira vez a uma comitiva francesa composta por alguns dos especialistas em queijos mais tradicionais do país. A Guilde Internationale des Fromagers ficou impressionada com o que viu – e comeu - fortalecendo as expectativas quanto ao futuro dos melhores queijos do estado.


Concurso de queijos foi destaque no Encontro Nordestino de Leite e Derivados. Em setembro, potiguares estarão em Florianópolis
Concurso de queijos foi destaque no Encontro Nordestino de Leite e Derivados. Em setembro, potiguares estarão em Florianópolis

“É um cenário otimista para o queijo potiguar que vem se desenhando desde 2017 com o projeto de lei 10.230, do deputado Hermano Morais, que regulamentou a produção artesanal no estado”, afirma a pesquisadora e cozinheira Adriana Lucena, que participou e ainda participa ativamente de todo processo, e foi reconhecida pela comitiva francesa como “Garde et Juré” (guardiã e jurada) de assuntos queijeiros no Brasil para a Guilde Internationale.

Adriana afirma que os franceses deram uma visibilidade nacional e internacional aos queijos do sertão nordestino. “Eles ficaram impressionados por terem visto um tipo de queijo que só se faz aqui, que não tem igual em nenhum lugar do mundo” diz ela, que ressalta ter “realizado um sonho”, ao poder mostrar a queijeiros europeus como se faz os queijos de coalho e de manteiga do estado. Foi montado na ocasião um ateliê para mostrar como é a fabricação aos franceses, sob consultoria de Adriana Lucena.

Segundo a pesquisadora, pelo menos 39 queijeiras estão sendo implantadas e reconhecidas em território potiguar. Algumas já se destacam no estado, como a Santa Maria, de Tenente Laurentino, a Queijeira Caicó, em Santa Maria, de Uilton Roque, e a de Lucenildo Firmino, o “Galego”, de Tenente Laurentino, a premiada Queijeira 504, de Serra Negra do Norte, além de Antônio Cipriano, de São João do Sabugi, entre muitos outros.

“São exemplos de produtores que resgatam o queijo como ele deve ser, sem uso de bicarbonato, margarina, batata, e aditivos em geral. Quanto mais existirem produtores nesse perfil, mais adiante estaremos”, ressalta. Ela destaca ainda o lançamento do Selo Arte, que será em breve, uma lei de reconhecimento da alimentação artesanal que facilitará a comercialização desse produto em território nacional.

O governo do estado também anunciou na ocasião do encontro a liberação de R$39 milhões para o setor lácteo – sendo 20 milhões para a construção de queijarias e 19 para a expansão das plantações de palma forrageira para alimentar o gado.

“O governo abraçou essa causa também pelo viés da preservação da cultura. Isso de valorizar o nosso pertencimento é muito importante”, afirma.

Prêmio
Em setembro muitos queijeiros potiguares deverão participar do V Prêmio Queijo do Brasil, em Florianópolis, de 18 a 22. O vento é considerado o maior prêmio voltado para queijos artesanais brasileiros. Por enquanto, já estão inscritos a Queijeira 504 (queijo de leite de vaca), Raimundo Nonato (queijo de cabra), Marinho Neto da Fazenda Caju. Verlândia Morais, da 504, está convocando outros produtores para que marquem presença no evento. As inscrições para produtores continuam abertas até dia 29 de agosto, no site.




continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários