Brasil
Queiroga critica alteração na 2ª dose
Publicado: 00:00:00 - 14/09/2021 Atualizado: 22:51:34 - 13/09/2021
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou o que chamou de "torre de Babel" nos critérios de aplicação de vacinas em todo o País. Segundo o ministro, os gestores de saúde deveriam utilizar vacinas da Pfizer como segunda dose para quem tomou AstraZeneca apenas em casos excepcionais.

Valter Campanato/Agência Brasil
Queiroga afirma que a vacina é importante para a retomada

Queiroga afirma que a vacina é importante para a retomada


"Se, por ventura, a AstraZeneca, por conta de questões operacionais, faltar, eventualmente pode se usar a intercambialidade. Agora, o critério não pode ser faltou um dia e já troca. Se não, a gente não consegue avançar. A nossa campanha vai muito bem", declarou Queiroga.

“A ideia é que a vacina seja homóloga. A dose heteróloga é para o reforço ou dose adicional”, esclareceu o ministro. "E isso (dose adicional) é para idosos acima de 70 anos e imunocomprometidos. Há Estados que já anunciaram que vão vacinar acima de 60 anos. Então fica difícil, como conseguimos conduzir uma campanha de vacinação com essa espécie de torre de babel vacinal?".

O Estado de São Paulo tem cerca de 1 milhão de pessoas que não receberam a segunda dose do imunizante da AstraZeneca por falta de imunizantes e, por isso, decidiu aplicar desde ontem a Pfizer para evitar o atraso na campanha de vacinação.

Em relação à utilização da Coronavac para a dose de reforço, Queiroga voltou a cobrar a apresentação de dados pelo Instituto Butantan à Anvisa, como forma de liberar o registro definitivo da vacina produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac. "O que a ciência tem apontado é que sistema heterólogo é mais suficiente", afirmou o ministro sobre a dose de reforço.

A pasta da Saúde não recomenda o uso de Coronavac em idosos, o que tem acontecido em São Paulo. "Eu falo para gestores de saúde, sigam o PNI (Programa Nacional de Imunização), e juntos vamos fazer uma campanha mais eficiente", pediu o ministro.

Queiroga ainda minimizou o surgimento de variantes do novo coronavírus. "A cada dia a gente constata que não será problema tão grande como temíamos", afirmou sobre a variante Delta. "Variante Mu é de importância, não ainda de preocupação".

Em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro, repetiu que o fim do uso obrigatório de máscaras deve ser anunciado em breve. "Estamos bem perto de chegar a isso no Brasil. Mas é preciso que nossa campanha avance mais", ponderou.

Redução 
Apesar da dificuldade em se encontrar vacinas de AstraZeneca em todo o País, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou ontem que o intervalo entre doses do imunizante será diminuído de 12 para 8 semanas a partir do próximo dia 15. 

A redução do intervalo da Pfizer a partir de setembro já havia sido anunciada por Queiroga no mês passado. Já a Coronavac tem intervalo menor, de 28 dias, e a vacina da Janssen é de dose única.

Apesar das mudanças nos intervalos, os critérios adotados ainda diferem das recomendações das fabricantes. A Pfizer recomenda intervalo de 21 dias entre as doses e a AstraZeneca, de 12 semanas, como acontece hoje.

Economia
O ministro destacou que vacinação, capacidade de detecção de variantes, higiene e saúde pública são “imprescindíveis” para a retomada da economia global em tempos de pandemia. “Todos sabemos que a contenção da pandemia, por meio da vacinação em massa, da vigilância ativa para detectar rapidamente possíveis novas variantes, e das medidas de higiene e saúde pública, é imprescindível para a retomada da economia global”, disse Queiroga.
O ministro reiterou os elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS), ressaltando sua relevância para o combate à pandemia e os reflexos das ações na economia do país, em meio a uma crise sanitária. Destacou também a contribuição e o papel estratégico do setor de saúde para a economia.

“O setor da saúde também tem importância econômica estratégica, com crescente participação na composição do valor adicionado total da economia brasileira (7,6%), na geração de renda (9,6%) e no número total de empregos (7,1%), com um crescimento no número de postos de trabalho maior que o observado para a média da economia”, argumentou.

Fiocruz deve entregar novos lotes
Depois de interromper temporariamente a entrega de novas doses da vacina da AstraZeneca por falta de insumos, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) volta a distribuir o imunizante ao Ministério da Saúde. O primeiro lote está passando pelo controle de qualidade e deve ser entregue ontem.

O atraso gerou desabastecimento de vacinas em alguns Estados. Na cidade de São Paulo, os estoques de AstraZeneca acabaram na última sexta-feira. Para não evitar mais atrasos na imunização, o governo do Estado autorizou a adoção do esquema heterólogo e aplica a segunda dose da Pfizer em quem recebeu a primeira de AstraZeneca.

De acordo com Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização, pelo menos 1 milhão de pessoas no Estado de São Paulo foram afetadas pelo atraso na entrega dos imunizantes até a última sexta-feira, 10.  

Questionado, o Ministério da Saúde não detalhou quantas doses irá receber e nem para quais Estados distribuirá as vacinas. A pasta também não disse quando as vacinas irão chegar às unidades da federação.

Cidades de ao menos quatro Estados já registram falta da segunda dose da vacina da AstraZeneca e outros dois estão com os estoques baixos. Para evitar prejuízos à imunização, as secretarias estaduais de Saúde estão adotando o esquema heterólogo e aplicando uma segunda dose de Pfizer em quem já recebeu a primeira de AstraZeneca.

Estudos mostram que a combinação de vacinas é segura e eficaz. No Brasil, a medida já havia sido adotada em gestantes que receberam uma dose da vacina da AstraZeneca. Alguns países da Europa também deram uma segunda dose de Pfizer para jovens que tinham recebido a primeira da AstraZeneca.

O estoque da vacina da AstraZeneca acabou em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão. No Ceará e no Espírito Santo, as doses estão no fim. Já o Rio Grande do Sul afirma que tem vacinas suficientes para cobrir apenas 39% da demanda até o dia 23 de setembro e aguarda envio dos 61% restantes. 

O Rio Grande do Norte e o Acre dizem que o estoque de AstraZeneca está acabando. Por isso, o intervalo entre a primeira e a segunda dose poderá ser ampliado para 12 semanas nesses Estados. Santa Catarina tem vacinas suficientes até o dia 23.

Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Pará, Paraíba, Paraná, Roraima e Tocantins afirmam não sofrer com a falta de AstraZeneca. A maioria desses Estados diz que guardou vacinas suficientes para suprir a demanda por segunda dose.

Procurados pela reportagem, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e Sergipe ainda não responderam.

Segundo a Fiocruz, um novo lote de AstraZeneca deve ser entregue ao Ministério da Saúde nesta terça-feira. A pasta não informou quando as vacinas irão chegar aos Estados e nem quais unidades da federação vão receber as doses. A fundação e o ministério ainda não disseram quantas doses serão distribuídas.

















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