Quem quer um Ford?

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Consternados, surpresos e com desespero misturado ao suor do rosto, milhares de trabalhadores voltaram a se reunir como nos distantes tempos das greves. Todos juntos ali, no pátio da Ford, buscando respostas para o futuro e para a decisão da empresa em se mudar de país ao decidir fechar sua fábrica. Era outubro de 2012 quando a notícia do fechamento da fábrica na cidade de Genk, explodiu na imprensa da Bélgica. A Ford estava saindo para a Espanha.

Mas aquele acontecimento não era uma novidade, era só mais um capítulo da crise que quase sempre atingia a velha indústria fundada por Henry Ford em junho de 1903 e que se tornou referência de marca automotiva ao final dos anos 1920, por coincidência na conjuntura da maior crise do século XX. Quatro anos antes da saída da Bélgica, o então presidente dos EUA, George W. Bush, salvou a Ford com um grande plano de resgate financeiro pra conter a ruína.

Na grave crise de 2008, provocada a partir da falência do banco Lehman Brothers, as famosas e consagradas “Três Grandes” montadoras americanas, Ford, GM e Chrysler, foram salvas com generosos US$ 13,4 bi do Tio Sam.

O motivo maior para fechar a fábrica belga foi o fiasco na demanda, os carros Ford perdendo espaço na preferência de um mercado cada vez mais competitivo com marcas ousadas e modernas, como as europeias e orientais.

Aliás, uma experiência que já havia ocorrido nos anos 1990 na América do Sul, principalmente no Brasil, quando a marca quase foi embora e só permaneceu porque o brasileiro aprovou o Ford EcoSport, cujas vendas salvaram o negócio.

A história centenária da Ford no Brasil não tem muito motivo para festa (ou Fiesta). Aqui ela sempre foi uma versão Botafogo da indústria automotiva, como a quarta força do mercado atrás da Fiat, da Volkswagen e da Chevrolet.

A fuga do Brasil, no plano de fabricação e montagem dos modelos de passeio, já era uma crônica anunciada. Em dezembro de 2015, a montadora lançou um PDV (plano de demissão voluntária) exatamente na fábrica de Camaçari-BA. 

Meses antes daquele momento, lá na fábrica de Michigan, o então presidente Barack Obama discursava para executivos e operários sobre sua proposta de salvamento da indústria automobilística, coisa que depois lhe daria um Oscar.

Quando a petista Petra Costa viveu a ilusão de ganhar a estatueta com seu vídeo de DCE em formato panfleto, o documentário “Indústria Americana”, bancado por Obama e Michelle, a fez botar o pé no chão dos delírios perdidos. 

O filme vencedor, com todo o merecimento, é uma história composta por várias histórias, expondo o choque social e cultural entre trabalhadores americanos e chineses convivendo juntos numa fábrica falida na cidade de Detroit, Michigan.

O roteiro é baseado na história real da crise que atingiu em cheio as marcas Ford, GM e Chrysler. As cenas com chineses e americanos em convívio de sobrevivência e aprendizado foram feitas no prédio onde um dia foi a Ford.

Anteontem, a Veja escreveu: “A Ford não vive um momento fácil no mundo, é uma das marcas generalistas com mais dificuldade em gerar lucro por unidade vendida e, por isso, vem abandonando os segmentos de carros de passeio”. 

Há cem anos, quando Henry Ford fundou a fábrica, pôs uma sentença em outdoor que foi pedra fundamental da grande marca que seu sobrenome se tornaria: "Você ainda terá um Ford". Hoje, após tantas crises que fizeram de Detroit uma cidade fantasma, cabe uma pergunta: "Quem ainda compra um Ford?".

Créditos: Divulgação

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