Questões existenciais na grande tela

Publicação: 2018-05-03 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
De uma forma ou de outra, até sem perceber, as pessoas se pegam fazendo perguntas sobre si mesmas, sobre a vida em sociedade e sobre muitas outras questões existenciais. É da natureza humana, em toda sua complexidade, filosofar. Afinal, como diz uma frase atribuída ao pensador grego Sócrates, “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”. E é para suscitar reflexões que os projetos Cinema de Arte e Vivo no Cinema se juntam para promover a primeira mostra “A Filosofia no Cinema”, que acontece no Cinépolis Natal Shopping a partir de hoje (3) até o dia 16 de maio.

“O Sacrifício de Cervo Sagrado”, do grego Yorgos Lanthimos, traz Colin Farrell e Nicole Kidman num drama sobre abandono e raiva
“O Sacrifício de Cervo Sagrado”, do grego Yorgos Lanthimos, traz Colin Farrell e Nicole Kidman num drama sobre abandono e raiva

Sete filmes compõem a mostra, todos produções recentes e inéditos nos cinemas de Natal – alguns com indicações ao Oscar 2018 e outros premiados em importantes festivais internacionais. A Mostra será aberta com o filme “A Livraria”, exibido nos dias 3 e 4, às 20h – todas as obras contam com dois dias de exibição. Dirigido pela espanhola Isabel Coixet, “A Livraria” foi o grande vencedor do GOYA 2018. A história se passa no final da década de 50 e apresenta Florence (Emily Mortimer), uma mulher  recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra que decide abrir uma livraria. No processo para colocar sua livraria em funcionamento, Florence acabe lidando com a ignorância e a falsa moral dos moradores, que vêem com maus olhos a iniciativa.

Vencedor do GOYA deste ano, A Livraria aborda a chegada de uma livraria numa pequena cidade
Vencedor do GOYA deste ano, A Livraria aborda a chegada de uma livraria numa pequena cidade

Os outros filmes que serão exibidos são: “O Artista do Desastre”, de James Franco, dias 5 e 6, no horário das 14h; “Sem Amor”, de Andrey Zvyagintsev, dias 7 e 8, às 20h; “Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945”, de Eduardo Escorel, dias 9 e 10, às 20h; “Zama”, de Lucrecia Martel, dia 11, às 19h30, e 12, às 14h; “O Sacrifício de Cervo Sagrado”, de Yorgos Lanthimos, dia 13, às 14h, e 14, às 19h30; e “Projeto Flórida”, de Sean Baker, 15 e 16 de maio, às 19h30. O valor dos ingressos segue a mesma política de preço praticada normalmente nas sessões do Cinema de Arte no Cinépolis.

O original  “Projeto Flórida” conta história de uma família que vive em uma hospedagem de beira de estrada
O original “Projeto Flórida” conta história de uma família que vive em uma hospedagem de beira de estrada

Segundo Pedro Martins, produtor do projeto Cinema de Arte, os longas estavam disponíveis para exibição e para não deixar passar a atualidade das obras, criou a mostra a partir do eixo filosófico. “Conseguimos montar um importante panorama social e político, refletindo sobre diversos aspectos, desde existenciais, familiares, até questões históricas”, comenta.

“Imagens do Estado Novo”: Escorel reavalia herança de Getúlio
“Imagens do Estado Novo”: Escorel reavalia herança de Getúlio

Filmes Nacionais
Martins ressalta a presença de duas produções nacionais, o documentário “Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945”, de Eduardo Escorel, e “Zama”, co-produção entre Brasil e Argentina com direção de Lucrecia Martel. Premiado no festival É Tudo Verdade com Menção Honrosa, o documentário de Escorel reavalia a herança do período ditatorial de Getúlio Vargas, expondo as contradições  internas do governo, como apoio ao nazismo e aos países aliados durante a 2ª Guerra Mundial. Todo o filme foi feito a partir de vasto material de arquivo, grande parte dele inédito, dentre cine-jornais, fotografias, cartas, filmes familiares e de ficção, trechos de diário e canções populares.

“Sem Amor” é um elogiado filme do russo Andrey Zvyagintsev
“Sem Amor” é um elogiado filme do russo Andrey Zvyagintsev

Já em “Zama”, a relação entre colonizadores e colonizados na Argentina do século 18 é abordada por meio da história do personagem título Diego Zama, um oficial da Coroa espanhola que vê seu desejo ser transferido cada vez mais distante diante dos acontecimentos que acontecem ao seu redor. “Tivemos a preocupação de colocar filmes de qualidade e que tragam discussões para o público. Nesse momento que vivemos no Brasil, por exemplo, a obra do Escorel ganha ainda mais relevância. E 'Zama” foca nas angustias de um colonizador para falar do período colonial na América Latina”, detalha o produtor.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários