Quincy Jones e Paulo Cezar Caju

Publicação: 2020-05-23 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Abril-maio de 2002, Leblon, Rio de Janeiro. Eu lançava na cultuada Livraria Argumento, no Leblon, o livro “Todos Juntos, Vamos – Memórias do Tri”, a coletânea com crônicas de personalidades locais e nacionais narrando seus testemunhos da conquista da Copa do Mundo pela seleção brasileira, em 1970, no México. A editora Palavra & Imagem reuniu bom público, inclusive figuras ilustres do futebol, do jornalismo e da política cariocas.

O seridoense Augusto Ariston, figura respeitada na cena carioca desde os anos 1960, advogado e jornalista, naquele instante chefe do gabinete do Palácio Guanabara do governo Anthony Garotinho, conseguiu arregimentar boa parte da colônia potiguar e alguns amigos, como o saudoso teatrólogo Jesus Chediak, falecido recentemente e já citado aqui.

Na companhia do seu compadre Ismael Wanderley, armou mesa no charmoso e aconchegante Restaurante Severino, nos fundos da livraria, me deixando no centro da loja entregue aos convidados que chegavam para os autógrafos. 

O programa Quintal da Globo, da rádio homônima, plantou um repórter para entradas ao vivo com alguns craques que para lá foram atraídos. Muitos falaram com o apresentador Eraldo Leite, o apresentador, que me entrevistou.

Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do tri; Rogério, o ponta do Botafogo que foi cortado mas acompanhou a seleção como olheiro de Zagallo; e Paulo Cezar Caju, cracaço de bola em todos os times onde atuou, principalmente Fogão.

Não demorou, ele conseguiu me convencer, com um drible de lábia, liberar a cerveja no bar. Falei com o maitre para atende-lo e botar tudo na minha conta, que estava atrelada a uma mesa reservada para o jantar depois do evento.

Em pouco tempo, emulado pela loura suada, Caju ficava interrompendo os autógrafos e puxando conversa, folheando seu exemplar na minha cara. A conversa se transformou em queixa, em crítica, em ira com as fotos de Pelé. 

Caju reivindicava paridade, o mesmo destaque. Batia no peito e gritava, “PC black panther, Pelé negro branco”. Há algum tempo lembrei do hilário episódio quando li a entrevista de Quincy Jones, hoje com 85 anos, na revista Vulture.

Com a língua tão afiada quanto a de Paulo Cezar, o velho produtor musical detonou dois mitos da história da música pop, os Beatles e Michael Jackson. Dizendo nada temer, acusou Michael Jackson de roubar canções alheias.

E chamou o quarteto de Liverpool de péssimos músicos, e não economizou autoelogios e bravatas ufanas como “não tenho nada a perder”. O amigo de Donald Trump só livrou a cara de Eric Clapton, aquele apelidado de “Deus”.

Em 2002, meus argumentos com Caju foi que todos reconheciam seu talento, mas os donos da bola na Copa 70 foram aqueles que ele dizia paparicados no livro. Tudo bem, ele era Paulo Cezar, mas os caras eram Pelé e Jairzinho. 

Faltou ao repórter da Vulture trazer o entrevistado para a realidade, apenas prestando uma informação: o coroa era Quincy Jones, gênio consagrado, mas os outros eram os Beatles e Michael Jackson. Que nem cabe adjetivação.

Créditos: Divulgação


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