Racismo

Publicação: 2019-08-25 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Pelé

Meu avô materno  Joaquim Melo era um mulato de quase dois metros de altura e uma coragem pessoal suicida. Ele e meu tio José, seu  irmão e parceiro de farras, encararam brigas homéricas na Natal dos anos 1940 e em São Paulo. Tio Zé Melo morreu depois de vovô. Uma figura extrovertida. Meu avô nunca sorriu à toa. Um cara desconfiado e bruto na essência, embora de atitudes valentes. Torcedor fanático do América. Tenho, portanto, sangue mulato correndo em minhas veias. Meus bisavós e tias guardavam gene negro. Me orgulho de todos eles.

Tenho ódio e nojo, parodiando Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, ao racismo. Considero o excremento do espírito dos amorais. Agora mesmo, na Inglaterra, os insultos covardes e recorrentes a jogadores de futebol, geraram indignação prática. O Manchester United vai se reunir com os donos da plataforma de rede social  Twitter para discutir mudanças no acesso e banimento dos cretinos preconceituosos.

Na semana que termina, três jogadores foram atacados: Pogba, craque francês, perdeu um pênalti e os fanáticos atribuíram o erro à cor de sua pele. O atacante Tammy Abraham, do Chelsea, também chutou fora um tiro livre direto e passou a ser atacado em sua honra. Pela Supercopa da Europa. Na Segunda Divisão inglesa, o agredido foi o centroavante do Reading, Yakou Meite.

As redes sociais deram uma brecha delicada e perigosa aos extremistas que confundem liberdade com atentado verbal. No Brasil, a situação é de impunidade inaceitável. Em 2018, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol registrou 69 casos, sendo 11 na internet. Apenas dois Boletins de Ocorrência foram abertos, sem nenhuma providência legal tomada.

O feitiço banto causa inveja. O bailado no futebol é patente dos negros. Fascinantes: Didi, Djalma Santos, Coutinho, Paulo Cézar, Alberi, Danilo Menezes, Adílio, Andrade, Fausto, Domingos da Guia, Romário(mulato), Zizinho, Walter Marciano, Edu do Santos, Mengálvio, Dorval, Paulo Isidoro, Jair Prates. Esqueci de outros tantos sensacionais. E a luz incandescente de Pelé, único, extraterreno, é o brilho que qualquer mente doentia jamais conseguirá ofuscar. Vai se engasgar – até morrer – de ódio.

Salton
O ABC, por seu presidente, admitiu a dívida de cerca de 400 mil reais com o “Executivo” de Futebol, Giscard Salton, tão responsável pelo fracasso do clube quanto quem o contratou. Aliás, quem o trouxe é ainda mais incompetente.

Dignidade
Depois de resolver todas as suas pendências, a atual diretoria do ABC deveria pedir para sair, demonstrando dignidade, marca dos bons de caráter. Mas só depois de tapar o buraco que abriu, no futuro e no coração do clube. Pior ainda na alma  da torcida.

Recomeçar
E aí, o ABC recomeçaria do zero. Sem amadorismo, no qual foi jogado por gente sem nenhuma noção de futebol. Gente muito bem paga. Para aparecer ou se omitir.

Candidato
Se decidir apresentar  candidato a presidente, em novembro, o grupo do empresário Alex Padang lançará o próprio ou Leonardo Bezerra para lutar pela retomada do comando do América. O ex-vice-presidente, Eliel Tavares, magoadíssimo com sua destituição pelo atual presidente, Eduardo Rocha, pretende engrossar o coro oposicionista.

Subestimar, jamais
O presidente Eduardo Rocha conseguiu escrever uma história de respeito no clube, chegando sempre em horas de sufoco e transformando-as em consagração, basta recordar o Campeonato Potiguar de 1996, dado como perdido e conquistado, a Copa do Nordeste e o Acesso à Série A. Portanto, seu nome ou quem for indicado por ele, vai respaldado pela força de um passado que a 4aDivisão não destrói. E o velho José Rocha, presidente do Conselho Deliberativo, considera a eleição de novembro, questão de honra.

Ideal
Diante do caos de hoje, unir forças seria o ideal. No América, porém, a guerra é sempre nos bastidores, fria, conspiratória, restritiva, meticulosa, estratégica e decidida por grupos que gostam muito de se ver. Um de costas para o outro. Um tertius, solução de surpresa, não seria novidade.

Regata
O Iate Clube de Natal conclui neste domingo a Regata em Homenagem ao Exército Brasileiro, pelas águas mansas e vigilantes do Rio Potengi.

Marinho Apolônio
O encantador futebol de Marinho Apolônio, na minha retina o melhor jogador do assassinado Castelão(Machadão), levou o América a surrar o ABC há 39 anos. No dia 24 de agosto de 1980, estádio com 24.415 pagantes, Marinho comandou o 3x0, fazendo dois golaços e dando o terceiro de cortesia ao centroavante Mário.

Times
O América, que seria bicampeão nos pênaltis em 1980, desfilou com César; Ivã Silva, Domício, Gilnei e Sérgio Poti; Roberto Bacuri, Norival(Ari) e Marinho Apolônio; Ronaldinho(Sandoval), Mário e Soares. ABC: Luiz Neto, Gelson, Tito, Cláudio Oliveira e Carlão; Baltasar, Arié e Zezinho Pelé; Juarez(Vuca), Jonas e Berg.






continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários