Rubens Lemos Filho
Racismo
Publicado: 00:00:00 - 12/09/2021 Atualizado: 13:22:45 - 11/09/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Ninguém endurece contra o racismo. Ninguém fala com vigor e exigindo providências contra a humilhação dos agredidos na covardia da invisibilidade em grupo , dos chamados de "macacos " por pústulas sentadas nas luxuosas arenas no Brasil e na Europa. O racismo dói na alma, não sangra na carne nem carece de esparadrapo.

Divulgação


O caso mais recente foi do jogador Celsinho, do Londrina, chamado de macaco por desclassificados que estavam sentados na arquibancada do Brusque, time de Santa Catarina. Celsinho reagiu entre a perplexidade e a indignação. Vários clubes saíram em solidariedade a ele. 

Os atingidos reagem em  dignidade guerreira. Peitam o árbitro. Berram de revolta, batem forte no peito, desnudam dos razoáveis jogadores, o carát
er extraordinário dos machos verdadeiros, dos homens sem medo na atitude, sem vestígio da brabeza de fachada.
A maioria esmagadora das vítimas, registre-se nos cartórios da verdade, é negra. Afrodescendente é invenção militante e tão preconceituosa quanto as víboras travestidas de torcedores. Imploro que eles, os pútridos, não sejam pais e mães, pelos filhos, candidatos a segregadores, campeões da maldade em primeiro turno.

Quem insulta e fere exibe a fúria perniciosa de Hannibal Lecter, o personagem calculista e canibal do cinema, na expressão gratuita do ódio. A Ira é pecado legítimo quando usada na preservação da vida. Na covardia, é bastarda. Bastardos são inglórios, ensina outro filme.

Os casos vão sobrevivendo na mídia enquanto geram audiência. O racismo é crônico igual alergia fascista. É um baile hipócrita de máscaras.  Gritar com garçom, humilhar porteiro, dividir ser humano por elevador social e de serviço. Achincalhar o macaco, animal de travessura, de gargalhada.

Racismo é o substantivo de tudo. Está, sorrateiro ou no lixo humano como nos carrascos verbais a desconhecer a verdade: foi a melanina a semente do que embelezou e fez paixão o futebol. A ginga banta, o suingue na cintura elástica, a intuição no drible como descarte do adversário e caminho luminoso até o gol. 

É o tipo de cancro moral que só seria drenado (sem anestesia), se os flagrados no crime, fossem sumariamente afastados dos estádios de futebol. Presos, levados à delegacia e postos numa cela onde houvesse negros e punidos sem direito à defesa. 

Não há defesa para quem é imprestável. O racista também é estuprador. É um violador da igualdade entre os seres humanos. Atacando no estádio e, pusilânime, saído depois para assistir missa noturna dominical. 

A ignorância é comparsa do desaforo. Quem ataca os negros de chuteiras, nada entende de futebol e da sua história. Desconhecem a realeza de um negro, melhor do mundo em todos os tempos sem concorrência alguma. Quem chama Celsinho do Londrina de macaco, poderia ter chamado Pelé também, porque o ódio não difere o alvo. 

Quem ganharia desse time? Barbosa; Djalma Santos, Aldair, Amaral e Marco Antônio; César Sampaio, Didi e Pelé; Ronaldinho Gaúcho, Dener e Paulo Cézar Caju? Ou desse aqui? Dida; Zé Maria do Corinthians; Domingos da Guia, Luizinho e Vladimir; Zé Carlos do Cruzeiro, Adílio e Jorge Mendonça; Paulo Isidoro, Cláudio Adão e Edu, o do Santos? Os negros sempre balançaram no ritmo mais gingado  das quatro linhas: o samba de raiz  da bola. 

Messi e Pelé 
Messi não ultrapassou ou superou Pelé como maior artilheiro sul-americano. Messi homenageou o Rei. Os gols foram bálsamos à saúde do monarca. 

ABC 
O ABC faz, hoje, em Recife, um dos seus jogos mais importantes dos últimos anos. Depois de catorze semanas de dureza na primeira fase da Série D, dureza até de assistir cada partida, chegou a hora de começar a decidir. 

Tradição 
O ABC deve se impor lá na Arena Pernambuco porque, proporcionalmente, seu confronto com o Retrô seria semelhante a uma partida do Sport contra o Palmeira de Goianinha. O ABC é grande e o Retrô, emergente, clube destinado a negócios e só. 

Cuidado 
É preciso ter cuidado com um detalhe na campanha do Retrô na primeira fase. Quando ficou em quarto lugar no Grupo 4. O Retrô nem ganha nem perde muito. É especialista em empates. Ganhou quatro vezes, perdeu duas e empatou oito partidas. Ou seja, na transcrição dos números, é um time cauteloso. Mas que precisará ganhar hoje e sair para o ataque. 

Allan Dias 
O novo camisa 10 do ABC, Allan Dias, terá papel fundamental na nova fase que começa esta tarde. Será dele a missão de ser o jogador-delegado. Prender e soltar a bola na hora adequada. Filtrar os chutões saídos da defesa sem o menor sentido em busca dos atacantes. Allan Dias chegou para resolver e parece disposto a assumir o comando do time em campo. 

Paciência 
Quando disse à editoria de esportes da Tribuna do Norte que o ABC teria de ser paciente, Allan Dias avisou que as ligações diretas da defesa ao ataque prejudicam e que a posse de bola é um trunfo buscado pelo alvinegro. Fora de casa, temperar a corrida do Retrô em busca da vitória para jogar pelo empate no Frasqueirão. 








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