Radares móveis flagraram 38% das multas no RN em 2019

Publicação: 2019-08-17 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ícaro Carvalho
Repórter

Os radares móveis, recolhidos  pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta quinta-feira (15) em todo o Brasil, foram responsáveis por flagrar 38% das infrações registradas nas rodovias federais do Rio Grande do Norte, no primeiro semestre. Em números absolutos, os seis primeiros meses deste ano tiveram 12.091 autuações por excesso de velocidade flagrados por esse tipo de equipamento. Ao todo, os motoristas do RN nas vias federais foram autuados em 31.674 casos. No Estado, quatro aparelhos do tipo estático e móvel foram recolhidos.

Quatro aparelhos móveis e estáticos foram recolhidos no estado por determinação do Governo Federal que atinge todo o país
Quatro aparelhos móveis e estáticos foram recolhidos no estado por determinação do Governo Federal que atinge todo o país

O número de autuações feitas pelos radares móveis, inclusive, registrou um aumento de 56% em relação ao primeiro semestre de 2018. No ano passado, foram 7.720 flagrantes de motoristas abusando da velocidade. O número de infrações totais nos seis primeiros meses de 2018 foram de 29.162.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE solicitou as informações à Superintendência Regional da PRF, em Natal, mas foi informada que todos os questionamentos deveriam ser encaminhados à direção geral em Brasília.

O recolhimento dos radares móveis foi uma decisão do presidente Jair Bolsonaro, em despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta. A medida se aplica aos radares instalados em veículos parados ou sobre suportes (estáticos); instalados em veículos em movimento (móveis) ou direcionados manualmente para os veículos (portáteis).

De acordo com o despacho, a suspensão permanece em vigor  até que o Ministério da Infraestrutura “conclua a reavaliação da regulamentação dos procedimentos de fiscalização eletrônica de velocidade em vias públicas”. Aliado a isso, a medida tem por objetivo “evitar o desvirtuamento do caráter pedagógico e a utilização meramente arrecadatória dos instrumentos e equipamentos medidores de velocidade”.

Em abril deste ano, o governo Bolsonaro já havia tentado suspender os radares fixos nas rodovias federais do país, fato que não aconteceu em virtude de uma decisão do Ministério Público Federal, homologada no dia 30 julho. O presidente chegou a chamar os radares de “indústria da multa” em declarações recentes.

Segundo a decisão, 1.140 radares serão instalados em rodovias federais não privatizadas. Os aparelhos, que ficam a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), vão monitorar 2.278 faixas em todo o país.

De acordo com a sentença da juíza Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal em Brasília, o Dnit tem um prazo de 2 meses após a homologação do acordo para apresentar estudos e instalar os radares em pontos de risco médio, alto e muito alto de áreas urbanas e altos e muito altos nas áreas rurais.

Em um outro momento, um novo estudo deverá ser apresentado pelo órgão, 120 dias após a homologação, apontando a necessidade ou não da instalação de radares em áreas urbanas de riscos baixos e muito baixos e em áreas rurais de riscos médios, baixos e muito baixos.  Vale salientar que os novos radares vão fazer o monitoramento de faixas em rodovias federais quer não estejam concedidas à iniciativa privada, não cobrindo, portando, rodovias estaduais, municipais ou federais administradas por empresas contratadas.

Críticas
A decisão de recolher os radares das rodovias federais foi vista de forma negativa por interlocutores e especialistas do setor. O presidente do Instituto de Segurança no Trânsito, David Duarte Lima, classificou como “preocupante e negativa” a decisão do presidente Bolsonaro.

“A gente sabe que quanto maior a velocidade, maior é o risco de acidente de trânsito. A 60km/h por hora é um determinado risco. A 100 km/h o risco já é multiplicado por 5. A segunda razão é que a velocidade está diretamente ligada à violência e a gravidades da colisão. Um acidente a 60 km/h é 4 vezes mais brutal do que a 30km/h”, disse à TRIBUNA DO NORTE. “As rodovias no Brasil são vetores de crescimento urbano, mesmo uma rodovia estadual, federal, a cidade começa a crescer em torno dela. Muitas cidades se constroem às margens da rodovia e cria toda uma questão de trânsito urbano, tem pedestres, ciclistas. É preciso moderar a velocidade. Sem radar, como é que fica?”  acrescentou.

Na quinta, a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf) emitiu uma nota expressando temor de que a decisão resulte em mais mortes no trânsito. No comunicado, a entidade ressaltou que os radares eram utilizados justamente nos locais em que as estatísticas apontavam aumento nos índices de acidentes.

Números
12.091 é o número de autuações por excesso de velocidade no 1º semestre de  2019;

7.720 é o número no mesmo quesito no mesmo período de 2018

Total de infrações no RN: 31.674 no período em 2019;

Total de infrações no RN:  29.162 no período em 2018;

Total de infrações no Brasil: 1.178.499 em 2018 e 1.190.765 em 2019


Fonte: Polícia Rodoviária Federal





continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários