Rampa é inaugurada com obras incompletas

Publicação: 2018-12-28 00:00:00 | Comentários: 0
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O Governo do Estado prometeu e inaugurou ontem os prédios do Complexo Cultural da Rampa, no bairro de Santos Reis. Mas a fundação oficial está longe de representar a   abertura ao público, que segue sem data definida. Ainda há muito serviço a fazer para  o espaço receber  visitantes. Há pouco a se ver  além do visual deslumbrante do lugar e, por isso, a próxima gestão herdará, além dos trabalhos de finalização das obras, a definição  do acervo, licitação do mobiliário do museu e  a administração do complexo, que custou no total R$ 8,6 milhões.

Complexo compreende Museu da Rampa e Memorial do Aviador, além de lojas, café e mirante
Complexo compreende Museu da Rampa e Memorial do Aviador, além de lojas, café e mirante

O Complexo Cultural da Rampa envolve  duas estruturas principais, o Museu da Rampa, que vai contar a história da participação de Natal no contexto da Segunda Guerra Mundial e da participação do Brasil no conflito ao lado dos aliados, e o Memorial do Aviador, que vai destacar a posição estratégica da cidade para consolidação do Correio Aéreo da América do Sul, que interligava Europa, África e América Latina por volta dos anos 20.

Mas natalenses e turistas vão ter de esperar mais um tempo  para descobrir essas facetas da história da capital potiguar. A solenidade de inauguração apenas oficializou conclusão da parte estrutural dos prédios. No Memorial do Aviador, que é uma estrutura nova construída no local, ainda falta concluir todas os trabalhos do auditório. De acordo com o autor do projeto original do complexo, o arquiteto Carlos Ribeiro Dantas, ainda não foi possível finalizar a parte acústica do auditório, que permanece fechado com tapumes. Ainda faltam os painéis que serão fixados até a claraboia no teto do memorial.

Recursos
A construção do Complexo da Rampa foi possível através da liberação de R$ 8 milhões, provenientes do Ministério do Turismo, através da articulação do então presidente da Câmara dos Deputados e deputado federal, Henrique Alves. Os recursos foram alocados em 2011 após articulação de Henrique Alves junto ao ministro do Turismo, Gastão Vieira. Henrique Alves conta que procurou o setor turístico e hoteleiro do Estado, o qual indicou as obras do Museu da Rampa como prioritárias para o setor à época. "O ministro do turismo Gastão Vieira me ligou e avisou que havia recursos para uma obra no RN. Consultei o setor turístico e me sugeriram o Museu da Rampa, que conta a história do RN na 2ª Guerra Mundial", diz.

Inacabadas
No prédio dos arcos, onde irá funcionar o Museu da Rampa e os demais serviços, como o café e o bar, somente a sala de exposição temporária está devidamente pronta. A área de exposição permanente está inacabada e sem a cobertura metálica. Falta a implantação do sistema elétrico e do ar-condicionado central. O espaço foi fechado com tapumes durante o evento de inauguração. O píer  que adentrará o rio Potengi sequer foi iniciado. Houve um erro de cálculo na  estrutura do deque e o projeto teve de passar por uma readequação. Por fora, o muro que rodeia o complexo também não está finalizado.

O secretário estadual de Turismo, Manuel Gaspar, reconheceu que a estrutura não está completamente pronta. "Faltam alguns serviços e retoques", minimizou o titular. Ele explicou o motivo da inauguração. “Não podíamos licitar os móveis se não tivéssemos o espaço para colocá-los”. A licitação, no entanto, terá de ficar para definição do  próximo titular da pasta, que terá R$ 1,6 milhão para compra dos móveis.

O novo secretário também se encarregará de deliberar sobre a administração do complexo. A Setur já fez o levantamento do que será necessário em termos de pessoal para manutenção e funcionamento do espaço.

Uma das questões de maior interesse do público ainda não está completamente definida, o acervo. Sobre esse assunto, Manuel Gaspar afirmou que ficará sob a responsabilidade do próximo governo e que “será preciso fazer uma negociação com a Fundação Rampa para que o complexo abrigue esse acervo deles, pois não há lugar mais apropriado que a própria Rampa”. A Secretaria Estadual de Turismo (Setur) dispõe de recursos para aquisição de acervo adicional. São R$ 200 mil assegurados pelo convênio com o Ministério do Turismo e destinado à compra de novos acervos.

Durante a inauguração, contou com diversos secretários de estado, o governador Robinson Faria citou a importância da estrutura para o turismo da cidade. “Estamos entregando novo ponto de visitação da cidade. Hoje, é um dia histórico porque a história de Natal começa aqui na Rampa e o museu terá fotos da época”.  O governador informou que está sendo negociado com o governo norte-americano a doação de materiais para o museu. Entre os artefatos esperados que sejam doados, está um hidroavião dos modelos que pousavam na Rampa à época.

Estrutura do complexo
Com 2,8 mil metros quadrados de área construída e 13 mil metros quadrados no total, o Complexo Cultura da Rampa é composto pelo  Museu da Rampa, que terá as duas salas de exposição do museu, bar temático, café,  loja de souvenir, banheiros e um mirante no pavimento superior onde funcionava a antiga torre de observação na década de 40, além de um espaço externo com área de contemplação do rio Potengi e do pôr do sol. 

Já o Memorial do Aviador será dotado de recepção, bilheteria, auditório para 126 pessoas, espaço em homenagem aos aviadores e promoção de eventos culturais, área de administração e instalações sanitárias. O complexo também possui estacionamento para 85 carros, serviços de táxis e de guias, ônibus de turismo, píer a beira-rio para contemplação e outros equipamentos.

História do lugar
O projeto também irá conservar as evidências históricas da edificação com recuperação das estruturaras degradadas e reconstrução das que estão em colapso, contribuindo para a preservação da memória da cidade. O Complexo Cultura da Rampa é  importante para guardar fatos relacionado à Segunda Guerra Mundial, que colocou Natal nas páginas dos livros de história. A cidade recebeu a maior base dos Estados Unidos fora do território americano à época. E a Rampa teve participação decisiva, já que a partir do local, os americanos passaram a usá-la como base da marinha e construir a base aérea, em Parnamirim.  Recorte que será mostrado no museu através de fotos, artefatos e utensílios usados pelos soldados.

Mas o conflito não é o único foco do complexo, que vai destacar também a importância estratégica de Natal para consolidação do Correio Aéreo do Sul, ainda no final dos anos 20. A capital potiguar, mais especificamente a Rampa, recebia pilotos, como Jean Mermoz e Antoine Saint-Exupery (o autor de O Pequeno Príncipe), trazendo correspondências da França numa rota que traçada a partir da Europa, passando por Dakar e aterrissando em Natal. Da Cidade do Sol, as cartas eram distribuídas pela costa sul, passando pelo Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santiago. As evidências do protagonismo de Natal para aviação mundial estarão no Memorial do Aviador.


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