Internacional
Rússia critica Estados Unidos e faz exercício militar na fronteira
Publicado: 00:00:00 - 26/01/2022 Atualizado: 01:07:32 - 26/01/2022
Com poucos sinais de progresso no campo diplomático e ressuscitando uma retórica da Guerra Fria, a Rússia anunciou ontem uma série de exercícios militares em seu vasto território, do Oceano Pacífico até o flanco ocidental, ao redor da Ucrânia, incluindo unidades de mísseis balísticos de curto alcance. "Estamos observando as ações dos EUA com profunda preocupação", disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

As manobras são uma resposta ao envio de navios, caças e soldados da Otan para o Leste Europeu, para evitar uma incursão russa na Ucrânia. O movimento de tropas foi uma forma de demonstrar o vasto arsenal russo, com tanques, drones, tropas de infantaria e paraquedistas de elite em unidades posicionadas ao norte, sul e leste do território ucraniano.

Vídeos mostraram soldados preparando mísseis balísticos Iskander-M, de curto alcance, e o desembarque de tanques e de outros equipamentos das plataformas de trens em Belarus. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, os exercícios foram simultâneos às manobras conjuntas de três navios russos com a frota chinesa no Mar Arábico.

Ontem, o governo americano ampliou ainda mais a pressão sobre a Rússia em três frentes. O presidente dos EUA, Joe Biden, colocou 8,5 mil soldados de prontidão para um possível deslocamento para a Europa Central e Oriental para reforçar as defesas da Otan, anunciou um acordo com países produtores de gás natural, para suprir a demanda europeia em caso de guerra, e fechou um acordo com aliados da Europa para um novo pacote de sanções à Rússia.

Alerta máximo

John Kirby, porta-voz do Pentágono, disse ontem que os 8,5 mil soldados dos EUA colocados em "alerta máximo" seriam uma garantia de segurança para países da Europa Oriental, que temem que a Rússia aproveite a invasão da Ucrânia para ocupar o Báltico ou outras ex-repúblicas soviéticas - Moscou trata essa hipótese como "histeria" dos americanos.

Outra ferramenta diplomática que Biden tem nas mãos são as sanções. Mas, para otimizar a pressão sobre a Rússia, ele precisa coordenar as medidas com a Europa. Muitos governos europeus, no entanto, são dependentes da importação de gás natural russo, principalmente a Alemanha, e temem ficar sem aquecimento residencial e nos locais de trabalho em caso de conflito. Esse nó a diplomacia americana parece ter desatado ontem, ao anunciar um acordo com fornecedores de gás e petróleo do Oriente Médio, Norte da África e Ásia para suprir a demanda da Europa.

Sanções

A ideia dos americanos é que, uma vez garantido o fornecimento de energia, os aliados europeus podem embarcar em um pacote de sanções mais pesado contra Moscou. Ontem, autoridades dos EUA anunciaram uma "convergência" com a UE para adotar medidas financeiras contra os bancos da Rússia, que poderiam ser isolados do sistema internacional de pagamentos.

Outra possibilidade é impor novos controles de exportação que impediriam os russos de receberem semicondutores e outras peças-chave para a indústria, engessando especialmente o setor de energia do país.

"A tolerância de Putin a impactos econômicos pode até ser maior do que a de outros líderes. Mas há um limite, acima do qual achamos que seu cálculo pode ser influenciado", afirmou ontem um funcionário de alto escalão do governo Biden ao jornal Financial Times.

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