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TN Família
Realidade virtual aplicada à terapia: conheça o instituto que une saúde mental e tecnologia
Publicado: 00:00:00 - 21/11/2021 Atualizado: 21:12:38 - 21/11/2021
Tádzio França
Repórter

A pandemia pôs a saúde mental em evidência. Problemas que já eram cotidianos foram amplificados de um ano e meio pra cá. Devido ao isolamento social, a busca pelo atendimento psicológico domiciliar registrou alta de 52%, com consultas online para adultos e crianças. São muitas histórias de perdas, ansiedade, depressão, Burnout, entre outras doenças que afetam a saúde do brasileiro. Para dar conta de atender a tantas pessoas à procura de retomar seu bem-estar mental, a área de psicologia está apostando em novos recursos, tecnologias, técnicas e abordagens.

Divulgação
Psicóloga Sâmela Gomes, que está à frente do Instituto Personalli, explica o uso da tecnologia de realidade virtual

Psicóloga Sâmela Gomes, que está à frente do Instituto Personalli, explica o uso da tecnologia de realidade virtual


A realidade virtual, com os óculos VR, possibilita que o paciente possa experienciar gradativamente, de acordo com os próprios limites, situações que causem crises de ansiedade ou pânico. O protocolo de atendimento consiste em diagnóstico sobre os gatilhos e situações que geram ansiedade, ouvindo o paciente e sua queixa. Daí se estabelece os focos de tratamento que serão trabalhados. “Para cada um deles, disponibilizamos o cenário virtual adequado: seja de fobia de altura, insetos, elevador, falar em público, fobia social, etc”, explica Sâmela Gomes.

Os cenários não são aleatórios ou escolhidos da internet. A psicóloga explica que foram cuidadosamente produzidos por uma empresa especializada no segmento, com o passo a passo de mudanças de cenário para conduzir o paciente à elaboração de seus medos e inseguranças com uma lógica terapêutica. “Tudo isso é baseado em evidências, ciência, protocolo terapêutico e tecnologia apropriada. Além de trabalhar de forma segura as questões do paciente, este método terapêutico auxilia na compreensão da origem desses medos e suas representações”, completa Sâmela Gomes, do Instituto Personalli.

As alterações emocionais e psíquicas da pandemia afetaram relações que agora precisam ainda mais de ajuda. Sâmela ressalta a adoção de uma “terapia de família”, algo que vai além de ser uma ferramenta para evitar divórcios. “O método, quando bem conduzido, ajuda casais e famílias a entenderem melhor os problemas que afetam a relação e encontrarem, juntos, uma boa solução para todos”, diz ela.

A escuta, elaboração dos problemas e reprocessamento de afetos são indispensáveis para a construção de uma nova relação saudável. “Essas modalidades envolvem demandas surgidas nos conflitos da dinâmica familiar, conflitos são mediados para que cada um dos membros tenha um espaço e seu momento de fala, para que possam ser ouvidos num ambiente acolhedor, com um profissional capacitado para realizar a mediação”, explica.

O ambiente de trabalho, que foi especialmente afetado pela pandemia, também ganhou uma ação específica. Segundo a psicóloga, o mundo corporativo tem se tornado um ambiente cada vez mais tóxico, algo que pode levar ao esgotamento físico, dentro de um ciclo vicioso e perigoso. Para isso foi criada uma 'mentoria psicolaborial' voltada para adultos e executivos.

A mentoria trabalha com questões psicológicas e emocionais, e também com orientações objetivas para o crescimento no mundo corporativo, sendo voltada para aqueles que sentem necessidade ou desejo de impulsionar, acelerar ou modificar suas carreiras. “A partir de sessões da mentoria, o processo de autoconhecimento e planejamento de carreira se tornam possíveis, com exercícios específicos, aconselhamento e escuta empática”, explica Sâmela, ressaltando que as sessões são aplicadas por um psicólogo clínico com vivência no mundo corporativo e na vida executiva.

Pet terapia

A maior presença dos bichinhos de estimação no cotidiano brasileiro também não passou despercebido por quem cuida da saúde mental. “O vínculo humano-animal é um relacionamento mutuamente benéfico e dinâmico entre pessoas e animais, que influencia positivamente a saúde e o bem-estar de ambos”, diz Sâmela. Daí a criação de uma terapia com intervenção assistida por animais, uma técnica cientificamente comprovada que objetiva utilizar o animal de estimação no contato entre humanos e animais, numa intervenção dirigida com um animal treinado para isto.

Nessa técnica, o pet é também chamado de “co-terapeuta”, pois ele, junto ao psicólogo, auxilia o processo de tratamento do paciente, e é percebido como um dos laços de conexão entre o paciente e o psicólogo. “Com o vínculo estabelecido, as questões internas vêm à tona mais rapidamente, desenvolvendo o tratamento. As dinâmicas aplicadas variam de acordo com a demanda do paciente, e o profissional capacitado adequa as brincadeiras e exercícios junto ao animal treinado”, explica.

Segundo a psicóloga, aí se abre uma imensa possibilidade de expressão dos sentimentos dos pacientes, porque as pessoas projetam no animal seus sentimentos e começam a sentir que o animal é tão vulnerável quanto elas. “Esse processo chamase identificação projetiva e tem, como resultado, uma identificação com o animal em que este se torna a força motivadora do tratamento, ajudando-os na recuperação”, diz.

A importância da terapia ocupacional também deve ser ressaltada no contexto de “quase” pós pandemia. “Somos seres ocupacionais, ou seja, pessoas que precisam manter-se o tempo todo envolvido em atividades, e essas atividades são fatores condicionantes de saúde”, diz. Portanto, qualquer fator que interfere na capacidade do indivíduo em exercer suas atividades, interfere também no seu estado de saúde. A terapia ocupacional trabalha a partir da perspectiva de que o ser humano é social e fisicamente condicionado pela sua ocupação.

Em qualquer ocasião, antes de procurar ajuda profissional, Sâmela recomenda uma avaliação psicológica. “É algo necessário tanto no âmbito dos tratamentos em saúde mental, como para certificar aptidões para exercer determinadas funções”, ressalta. A ideia é coletar dados para testar hipóteses clínicas, produzir diagnósticos, descrever o funcionamento de indivíduos ou grupos e fazer predições sobre comportamentos ou desempenho em situações específicas.

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