Reconciliação

Publicação: 2019-09-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Estou em amores renovados com o futebol-arte pelos milagres tribais  do senegalês Sadio Manè, do Liverpool. É o camisa 10 à moda antiga, sempre atacando, dono de um drible de minifúndio. Do metro quadrado, adversário humilhado, ergue capelas sistinas em forma de passes e fintas caprichosas.

O camisa 10 puro de origem, quanto mais negro melhor. Sadio Manè é a força do pensamento em perfeita coerência com a criatividade infinita. Seu toque é o controle do craque diante da bola, vencida, amante e lasciva. Entregue aos seus carinhos, caprichos e carícias. Seu chute é um acalanto sem rima nem métrica, é o verso saindo do pé direito como um chicote de flores invisíveis perfumando o estádio.

O Brasil poderia naturalizar Sadio Manè e, em solenidade em qualquer estádio sem boçalidade arenauta, fazê-lo receber de Pelé o manto dos soberbos. A pele de pano no corpo de ébano. Houve um lance, contra o Newcastle, ou sei lá quem era o adversário, em que a gordinha passeava  preguiçosa pela linha divisória.

O marcador correu como esses maratonistas toscos e enchuteirados. Sadio Manè, naquele passo sambista de Velha Guarda, sem pressa nem contramarchas, esticou a perna, agasalhou a namorada e a tomou do pobre beque, paralisado, perplexo. O gênio do Liverpoll seguiu na condução do contra-ataque, flanando, pisando sem tocar a sola do pé no gramado florestal.

Minha exaltação de apaixonado. Ao ver Mané, que tem nome de subversão dribladora, deixei-me entregar ao balé dos coreógrafos de reinado. O futebol concentrado nele, só nele, revolucionário a levar ao mundo inteiro, o jogo que já foi brasileiro.

coluna


ABC Campeão
É, campeão, sim. No time Sub-19, a única conquista, que deve ser muito festejada pois obtida pelos garotos do futuro. Três nomes apontados como promissores: O lateral-direito Daniel, o zagueiro Jeferson Angolano, da comunidade afrodescendente das Capoeiras em Macaíba e o meia Marquinhos Taipu.

Vaias  O presidente do ABC foi ao jogo final e sentiu o peso da “popularidade”. Algumas vaias ecoaram a insatisfação da Frasqueira com os resultados pífios e o modelo molenga de gestão.

Clécio Santos
É fortíssimo no ABC pelo prestígio do ex-deputado-federal e homem forte da Reforma da Previdência, Secretário-Executivo, Rogério Marinho. Reclamações quanto ao estilo arrogante de Clécio no trato com os servidores mais humildes. Perseguir, ser truculento, depõe contra a igualdade de gente.

Comunicação
Se der à comunicação a prioridade que está prometendo, o presidenciável do América, Leonardo Bezerra, fará o que nenhum clube realizou em Natal. Interação com a torcida, abertura para ideias jovens. Comunicação não se resume a releases e entrevistas coletivas sem sal.

Regressiva 
Americanos em contagem regressiva para a inauguração da Arena, domingo(22). Deveria ser um espaço de luta e união. Jogar a vaidade, erva daninha do América, lá pros cafundós de Japecanga ou, mais longe, de Pau dos Ferros.

Berilo de Castro
Com edição – sempre preciosa da OffSet de Ivan Júnior, estamos todos convocados para o lançamento do novo livro do médico Berilo Castro, Memória Emoldurada, lá no Nemésio, dia 26 de setembro, a partir das 18 horas.

Zagueiraço
Antes de criar juízo e resolver estudar, Berilo Castro foi um dos melhores quarto-zagueiros do futebol local, bicampeão pelo Alecrim em 1963/64 e pelo América em 1967, além de integrar a seleção potiguar nos antigos campeonatos nacionais entre Estados.

Jogo da briga 
No dia 18 de setembro de 1977(42 anos), o América reconquistava o Campeonato Estadual no Castelão(Machadão) com 22.873 torcedores acompanhando a batalha campal que teve como Gladiador o zagueiro Pradera, do ABC, que bateu na polícia, nos adversários e derrubou-os, um a um em golpes de karatê.

Alberi porrada 
Alberi, então no América, deu-lhe um chute demolidor no rosto. Todos os jogadores foram expulsos e, pela primeira vez, fazendo vergonha, uma reportagem no Rio Grande do Norte aparecia no Fantástico, da Rede Globo. O empate(0x0), favorecia aos rubros.

Times
América: Cícero; Ivan Silva, Joel Santana, Argeu e Olímpio; Zeca, Rogério(Garcia) e Alberi; Ronaldinho, Aluísio e Soares. Técnico: Laerte Dória. ABC: Hélio Show; Orlando, Pradera, Domício e Vuca; Baltasar, Danilo Menezes e Paulo César Cajá(Zezinho); Maranhão Barbudo(Noé Silva), Anderson e Noé Macunaíma: Técnico: Maranhão Bicudo(ex-volante do Vasco e ABC).







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