Recuperação do rebanho é incerta

Publicação: 2014-06-15 00:00:00
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As poucas chuvas, porém, trouxeram uma boa notícia: a recuperação do pasto e, consequentemente, do rebanho. Porém, ainda não se sabe de quanto foi a recuperação, visto que o Governo do Estado só fará a recontagem do rebanho ao final do mês, com o fim do período de cadastramento dos animais no programa de combate à febre aftosa do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn).

A estimativa da diretora do Idiarn, Maria Leonice de Freitas, é que o Estado tenha perdido de 25% a 30% das cabeças de gado entre 2012 e 2014. Na última contagem, em maio deste ano, o rebanho era avaliado em 1,043 milhão de cabeças. Em 2013, o rebanho era de 1,253 milhão de cabeças. Atualmentne, 50.266 mil produtores estão cadastrados pelo instituto.
A estimativa do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn) é que o Estado tenha perdido de 25% a 30% das cabeças de gado, entre 2012 e 2014
Para Marcos Aurélio de Sá, presidente da Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc), a recuperação desse gado virá a passos lentos, uma vez que maioria dos produtores está sofrendo com a descapitalização. “O produtor rural está muito descapitalizado, não houve capacidade financeira para reconstituição do rebanho. Muita gente tem vontade e está disposta a adquirir gado, mas falta recurso. Não existe linha de crédito gratuito”, analisa o produtor.

Ele ainda acrescenta que, mesmo com a recuperação do pasto, o segundo semestre ainda será perigoso para o pequeno produtor – principalmente para aqueles que, devido à falta de assistência técnica, não têm acesso à silagem e técnicas de preservação do feno.

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Para os produtores de leite, a situação é ainda mais complicada. Não há um levantamento recente sobre a produção da bacia leiteira potiguar. Mas dados do Programa do Leite do Instituto de Assistência Técnica e Rural (Emater), ajudam a desenhar o quadro atual, visto que as seis regiões do Estado possuem produtores que vendem o insumo ao programa. Em 2012, a produção foi de 37,5 milhões de litros. Em 2013, caiu para 34,5 milhões de litros. Até maio deste ano, apenas 11 milhões de litros de leite foram adquiridos pelo Programa do Leite.

De acordo com o Sindicato dos Produtores de Leite e Carne do RN (Sinproleite), muitos estão desistindo da atividade. “O que a gente percebe é que, com a falta da expectativa do milho, já que governo não conseguiu perenizar a produção, mais a falta do programa do leite, a atividade vem encolhendo. Estamos no inverno, mas a chuva está muito pontual. Temos outro problema, pois não temos para quem vender leite”, enumera Marcelo Passos, presidente do sindicato.

Hoje, segundo Passos, a maior parte dos produtores fornece ao programa estadual, uma vez que não existe uma empresa capaz de beneficiar todo o leite produzido.

O criador Carlos Lindenberg de Araújo, 55 anos, é um dos que está desistindo da produção de leite. Ele já trocou 40% do rebanho para o gado de corte. “A atividade está economicamente impraticável. O preço do leite é insuficiente: o programa prendeu o preço, que ficou abaixo do custo. Aqui no nordeste, as despesas para manter o gado são maiores do que no sul”, salienta. Ele conta que, por o gado de corte ser mais adaptável à seca, é melhor apostar na criação.

O Sinproleite também afirma que o fornecimento de leite para o programa estadual não é feito pelos produtores potiguares. “Na região dos 25 ou 26 municípios do Seridó é um fato que há produção. Mas desses 70 mil litros diários de leite, 40 mil não são do Estado. De onde está vindo é que a gente não sabe”, insinua.

Dados
Expectativas de produção

77 mil hectares foi a área plantada em 2014.

164,6% a mais do que em 2013.

50,8% a menos do que em 2011, último ano de inverno “normal”, segundo a Emparn.

53.386 toneladas de grãos devem ser colhidos neste ano

25.106 toneladas de milho
18.974 toneladas de feijão
4.226 toneladas de sorgo
4.756 toneladas de arroz
325 toneladas de algodão em caroço

30% foi a redução no rebanho bovino do Estado nos últimos quatro anos.

210 mil cabeças foram perdidas, entre 2013 e 2014.
Tarcísio Bezerra, Secretário Estadual de Agricultura
Bate-papo - Tarcísio Bezerra
Secretário estadual de Agricultura

Qual a avaliação da Secretaria sobre a produção no primeiro semestre deste ano? A chuva não foi capaz de repor a produção?
Na verdade, a precipitação pluviométrica foi dentro das previsões, o problema é que elas não acontecem homogeneamente. Espera-se uma produção mediana neste ano, porque em alguns municípios a produção já foi bastante prejudicada. O milho, por exemplo, tem duas fases críticas: a germinação e o crescimento e quando ele bota a espiga. Se não tiver água na segunda fase, a produção fica crítica.

A Emparn fala em preocupação com relação às chuvas no Agreste e litoral. Também preocupa vocês?

Junho começou agora, ainda há expectativa para o agreste. A predominância da cultura na região é a mandioca. Existem outras regiões que foram mais afetadas, como Mossoró. O melão da fruticultura irrigada foi afetado porque até mesmo os poços que alimentam os irrigadores secaram.

Essa é uma crítica da Faern, de que não há um incentivo para aumento das áreas irrigadas... O que está sendo feito para melhorar a produção?
Tentamos manter o máximo possível as áreas de irrigação, porque as áreas irrigadas já estão sendo. Temos que nos preparar para minimizar os impactos. Infelizmente, a área de sequeiro só sobrevive se tiver chuva. Estamos tentando incentivar a substituição de culturas e mais variedade na produção, por meio do RN Sustentável. O caju é a única cultura de sequeiro que é exportada, e que convive bem com a seca, mas mesmo assim já foi afetada.