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Natal
Rede de assistência é insuficiente
Publicado: 00:00:00 - 25/04/2017 Atualizado: 22:13:30 - 24/04/2017
Yuno Silva
Repórter

A crise na oferta de atendimento pediátrico em Natal não é um fenômeno recente, e o desfalque na disponibilidade de profissionais da área durante esse período de instabilidade climática reflete diretamente na recepção de pronto socorros de unidades de saúde da capital. Crianças com sintomas vinculados a viroses comuns (gripes e resfriados), somadas aos pacientes mirins que apresentam um quadro de diarréia simples, lotam a urgência de hospitais e acabam expostas a problemas respiratórios mais graves. Além do risco de se contrair uma doença mais grave por quem está com a imunidade baixa, esse comportamento tem ocasionado uma superlotação nos setores de urgência que poderia ser evitada se pais, mães e responsáveis procurassem tratamento inicial nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Alex Régis
65% dos casos que chegam à urgência do Hospital Municipal poderiam ser atendidos em ambulatório

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“Todos os anos temos um aumento considerável, mas já previsto, na incidência de doenças respiratórias e diarreicas durante esse período. É normal devido a mudança de clima. O problema é que a rede municipal está sobrecarregada com a demanda vinda de outras cidades, fato que prejudica o atendimento de quem mora em Natal. Se o atendimento básico fosse prestado na origem, como versa a responsabilidade inalienável dos municípios, não teríamos nenhum tipo de contratempo”, disse Luiz Roberto Fonseca, titular da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS).

A reportagem visitou a urgência pediátrica do Hospital Municipal de Natal, principal porta de entrada de pacientes atendidos pela rede municipal. “Fui na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Pajuçara três vezes em menos de um mês, mas não resolveram. Vim para cá por que disseram que aqui o atendimento é melhor”, disse Williane Silva, 24, mãe de Leandro Daniel, de um ano e 10 meses. Desde o dia 18 Daniel está com dificuldade para respirar, febre e diarréia. “Está tudo lotado por lá também (na UPA), e não me disseram nada: se foi o clima, a água ou a alimentação”, relatou Williane, moradora do Conjunto Pajuçara, zona Norte de Natal.

Maxwell Januário da Silva, 31, aguardava atendimento para a filha Luiza, de um ano e seis meses. “Há três dias que não consegue comer direito, está com febre e botando catarro para fora. Fomos na UPA Potengi, deram um antialérgico, uma injeção para febre e mandaram pra casa. Não resolveu nada, por isso estamos aqui”.

Cultura imediatista

Para Luiz Roberto Fonseca, a população tem confundido atendimento de urgência com ambulatorial. “Criou-se uma cultura imediatista, as pessoas passaram o procurar o atendimento de urgência com necessidades ambulatoriais. O correto é preciso identificar a origem da doença, ter um diagnóstico preciso, para então propor o tratamento. Cerca de 65% das pessoas procuram os setores de urgência e emergência sem necessidade”, avaliou.

O objetivo do atendimento emergencial, explicou o gestor, é tirar o paciente do quadro de emergência “para que, então, possa procurar o médico do bairro, nas unidades básicas de saúde”. O Hospital Municipal funciona com três pediatras e dois residentes em Pediatria, e há planos para ampliar a estrutura e instalar novos leitos pediátricos. Em maio, a SMS pretende inaugurar a quarta UPA de Natal no bairro de Cidade Satélite.

Sobre o déficit de profissionais de pediatria no mercado, Luiz Roberto atribui à falta interesse (nível Brasil) com relação a especialidade médica dedicada à assistência de crianças e adolescentes, por razões mercadológicas. “A Pediatria tem baixa rentabilidade, pois prioriza a prevenção e exige pouco procedimentos clínicos como exames e intervenções cirúrgicas”, avalia Luiz Roberto.

A Secretaria Municipal de Saúde ainda não identificou aumento na demanda, mas a sobrecarga vista na rede pública pode ser intensificada se a suspensão temporária para atendimento de usuários da Unimed Natal, pelo Hospital Promater, acabar gerando movimento extra nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Hospital Municipal de Natal – as únicas opções tidas como de “porta aberta”.

Desde o dia 20 de abril, com o aumento de 30% na procura por atendimento de urgência para as especialidades de pediatria, ginecologia e obstetrícia, a Promater decidiu restringir o atendimento para garantir “a oferta de serviços de maneira equilibrada entre os pacientes particulares e provenientes das diversas operadoras conveniadas”, declarou a assessoria de imprensa do hospital, argumentando que a Unimed Natal possui hospital próprio “e que, portanto, pode assegurar o atendimento dos seus beneficiários”. A rede privada encolheu com o fechamento recente do Hospital Papi no Tirol, e da clínica Femina em Lagoa Nova há alguns anos.

“O foco do Estado está nas internações pediátricas. Tudo tem de ser regulado, não há atendimento de portas abertas. Já nossas unidades de saúde estão prontas para atender qualquer morador de Natal, independente dele ter ou não plano de saúde. O problema, repito, são municípios vizinhos que não fazem o dever de casa para garantir atendimento básico”, destacou Luiz Roberto.

Dicas de saúde
A médica pediatra Frankyleide Gomes, diretora técnica do Hospital Municipal de Natal, atenta para o fato do período ser propício à transmissão de doenças respiratórias e diarreicas. Ela dá as seguintes dicas de saúde: lavar bem os alimentos; ferver a água que for consumir; beber muita água para evitar desidratação; não se automedicar; repouso; evitar exposição ao sol; evitar ida para escola para diminuir o risco de contaminar outras crianças; e iniciar o tratamento em casa. “Muitas vezes, com uma receita caseira, se resolve o problema. O ciclo de uma virose simples dura de dois a quatro dias”, explicou. Ela frisa que se os sintomas persistirem, febre por 24 horas e incidência de vômitos, é que os pais devem procurar o hospital.

Estrutura pediátrica municipal

Maternidade Leide Morais
15 suítes individuais PPP (leitos pré-parto, parto e pós parto)
1 leito de isolamento
2 leitos de curetagem
18 leitos de enfermaria
1 sala no centro cirúrgico
2 leitos no Centro de Recuperação pós-Operatório (CRO)
5 leitos na sala medicação (observação)
3 médicos obstetras (em alguns dias são 4)
2 pediatras
1 anestesista

Maternidade Araken Pinto
33 leitos de internação
3 obstetras
2 pediatras
1 anestesista

Maternidade Felipe Camarão
16 leitos de internação
1 obstetra
1 pediatra por plantão

Hospital Municipal de Natal
10 leitos de UTI pediátrica
6 leitos de observação pediátrica
3 pediatras e 2 residentes em Pediatria atendendo por plantão

UPA Pajuçara
2 pediatras
3 leitos de observação

UPA Potengi
6 leitos de observação pediátrica 
1 berço aquecido
1 leito de sala vermelha pediátrico
2 pediatras de plantão

UPA Cidade da Esperança
2 pediatras por plantão
6 leitos de observação
1 berço aquecido


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