Rede de drenagem abre cratera e prejudica dois imóveis na zona Norte de Natal

Publicação: 2019-05-23 00:00:00 | Comentários: 0
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O cruzamento entre as ruas Nossa Senhora do Ó e Santo Inácio de Loyola, no bairro de Igapó, zona Norte de Natal, desapareceu dentro de um imenso buraco formado após as chuvas que caíram em Natal na tarde da última terça-feira (21). Com cerca de três metros de profundidade, a cratera comprometeu a estrutura de duas casas que precisaram ser desocupadas às presas para evitar riscos aos moradores. Um trecho da tubulação que atende a rede de drenagem urbana instalada no local, com 1,5 metro de diâmetro, rompeu e toda a terra no entrono foi carreada para dentro do sistema. Parte do calçamento desabou, e o fornecimento de água foi interrompido (o serviço foi restabelecido no final da tarde de ontem).

Com cerca de três metros de profundidade, cratera se formou devido a problemas com ligações clandertinas de esgoto e fortes chuvas. Semov cobra fiscalização
Com cerca de três metros de profundidade, cratera se formou devido a problemas com ligações clandestinas de esgoto e fortes chuvas. Semov cobra fiscalização

A moradora Cícera Lucas de Lima, 66, estava dentro de casa com o marido e a neta no momento que a cratera se abriu. “Senti quando o chão começou a tremer. O pessoal que fazia o serviço de reparo no buraco correu e avisou para a gente sair urgente”. A casa foi interditada pela Defesa Civil Municipal, e a Prefeitura de Natal irá pagar o aluguel de um outro imóvel até que o problema seja resolvido e a residência volte a ser segura.

O muro da casa de Dona Cícera foi engolido pelo buraco, e o imóvel apresenta rachaduras nas paredes e desnível no piso; foram instaladas escoras nas paredes e reforços para evitar que a laje do teto desabe. Já a casa do lado oposto tem dois pavimentos e também interditada: toda a estrutura inclinou de forma a encostar no poste que fica na calçada.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semov), pasta responsável pelas obras de drenagem, informou que as equipes irão trabalhar no reparo da tubulação e da via de forma ininterrupta. “Até essa sexta (24) o buraco estará fechado. Esse é o 41º afundamento registrado em vias de Natal só neste mês de maio”, contabilizou Tomaz Neto, titular da Semov.

O secretário afirmou que as ocorrências são causadas “devido a ligações clandestinas de esgoto na rede” de drenagem pluvial. “Já pedimos a colaboração dos órgãos que podem colaborar para fiscalizar e coibir essas ligações clandestinas”. Neto disse que o Município está gastando, em média, entre R$ 600 mil e R$ 800 mil por mês com os reparos e que em maio esse valor vai chegar a R$ 1,2 milhão.

Segundo Tomaz Neto, as zonas Oeste e Norte são as que mais apresentam problemas de ligações clandestinas de esgoto. “A Caern está instalando o sistema de esgotamento sanitário, mas ainda não está funcionando, mesmo assim as pessoas fazem as ligações clandestinas em vez de esperar mais um pouco até a rede começar a operar”.

A Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), a Agência Reguladora de Saneamento Básico de Natal (Arsban) e o Ministério Público do RN são os órgãos com poder de fiscalização.

“A galeria que rompeu era nova, foi concluída ano passado, e estávamos trabalhando um pouco mais à frente. As pessoas precisam entender que o esgoto dissolve a alvenaria, e quando surge um pequeno furo na tubulação todo o sistema entra em colapso”, explicou Tomaz. O reparo de cada cratera custa aos cofres públicos entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. “Acredito que em 30 dias teremos concluído os reparos nas casas afetadas”, antecipou o secretário.

Dormindo no chão
Os primeiros sinais do colapso na estrutura de drenagem urbana da Rua Nossa Senhora do Ó, que gerou a cratera em Igapó, foram percebidos na sexta-feira (17). Wesley Franklin Lucas Hermínio, 32, filho de Dona Cícera, lembrou que a construtora responsável pela execução da obra – que presta serviço para a Prefeitura de Natal e trabalha em outro local no mesmo bairro – foi procurada na sexta, dia 17, sobre um afundamento na via.

“Até então era um buraco pequeno. O problema é que quando vieram fazer os reparos, na terça (21), caiu uma chuva forte de surpresa perto das 15h. Esse ponto recebe muita água da chuva, inclusive de bairros vizinhos, que desce a rua com bastante velocidade. Ainda fizeram uma contenção, mas não foi suficiente e as barreiras começaram a cair aumentando o buraco. Foi quando o situação saiu do controle.

A família Lucas Lima, também formada pela filha de Wesley de 10 anos e pelo marido de Dona Cícera de 77 anos, tiveram que passar a noite na casa de uma vizinha. “Dormimos no chão da sala com nossos troços. Pedimos para ficar uma noite, estamos na dependência da ajuda dos amigos e vizinhos. Ontem (terça, 21) a assistência social da Prefeitura deu uma cesta básica e disse para a gente procurar uma casa, que iriam pagar o aluguel até nossa casa ser consertada, mas ainda não sei onde vamos ficar. Estamos aguardando algum retorno”, disse Cícera.

Wesley alertou para a possibilidade da situação piorar nos próximos meses. “Estão dizendo que quando a construção do viaduto no Gancho de Igapó começar, o trânsito vai ser desviado por aqui. Se com carro pequeno o pavimento já afundou, imagina com caminhões e ônibus passando por aqui? Vai quebrar tudo de novo”. Ele lembrou que os alagamentos na região são um problema antigo, mas que “desde que começaram essas obras” a situação piorou: “Antes alagava, mas a água fluía, não tínhamos tantos transtornos como agora”, criticou.

As obras de drenagem no bairro de Igapó, zona Norte de Natal, estão em andamento desde julho de 2018. Vários pontos da Rua Nossa Senhora do Ó, endereço das duas casas interditadas, apresentam afundamento no pavimento – moradores afirmam que “o serviço foi mal feito”, enquanto a Secretaria de Obras Públicas e Infraestrutura (Semov) alerta para as ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem pluvial.

Números
41 ocorrências de afundamentos no pavimento de vias em Natal foram registrados no mês de maio até o dia 22

R$ 30 mil é o custo médio gasto pela Prefeitura para executar os reparos em cada buraco aberto na via devido problemas na rede de drenagem. Semov diz que problemas são gerados por ligações clandestinas de esgoto

R$ 1,2 milhão é o valor estimado pela Semov para atender toda a demanda de afundamentos na via 

2 imóveis no bairro de Igapó, zona Norte da cidade, foram interditados devido a cratera formada na via após rompimento de galeria da rede de drenagem urbana

30 dias é o prazo estimado para conclusão dos reparos nos imóveis afetados





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