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Natal
Rede de Saúde vive dia de 'apagão'
Publicado: 00:00:00 - 10/01/2018 Atualizado: 23:47:28 - 09/01/2018
Mariana Ceci e Ícaro carvalho
Repórteres

Sem os salários de dezembro e o 13º, servidores da saúde estadual realizaram um “Apagão” dos serviços no Rio Grande do Norte nesta terça-feira (9). Desde as primeiras horas da manhã, técnicos, médicos e enfermeiros se reuniram em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG) para dar início ao protesto. Com faixas, cartazes e panfletos sendo distribuídos para pedestres e motoristas que passavam em frente ao local, eles exigiam o pagamento dos salários atrasados e melhores condições de trabalho para os profissionais. Com exceção dos pacientes levados pelas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), outras pessoas não estavam sendo atendidas no Hospital.

Magnus Nascimento
Servidores da saúde estadual fizeram protesto exigindo o pagamento em dia dos salários e melhores condições de trabalho

Servidores da saúde estadual fizeram protesto exigindo o pagamento em dia dos salários e melhores condições de trabalho


Servidores da saúde estadual fizeram protesto exigindo o pagamento em dia dos salários e melhores condições de trabalho

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Além do HWG, onde recepção, setor de vacina e serviço social estavam completamente paralisados, outros hospitais como o Hospital Estadual Ruy Pereira dos Santos, no Tirol, e a Unidade de Agentes Terapêuticos (Unicat) reduziram ao mínimo suas atividades. Na Unicat, apenas dois funcionários estavam trabalhando, exclusivamente para atender aquelas pessoas que fossem receber medicamentos para casos de transplante, considerados essenciais. No hospital Ruy Pereira, dez cirurgias programadas para ontem foram suspensas.

Desavisado à respeito da paralisação, o servidor público da prefeitura de Ceará Mirim, Eduardo Henrique Dantas, de 46 anos, chegou a ir até à Unicat para receber um medicamento para o seu pai, de 81 anos. Chegando lá, ele foi informado pelos seguranças a respeito da paralisação e não pode receber o medicamento. Mesmo assim, ele afirmou ser favorável ao movimento dos servidores. “Entendo completamente. Se eles estão há tantos meses sem receber, por que deveriam trabalhar? A culpa de eu não estar recebendo hoje não é deles, e sim do Governo, que não pagou os salários dos trabalhadores", afirmou o homem.

Magnus Nascimento
Na Unicat, apenas dois funcionários trabalharam, ontem, durante o dia de apagão na saúde

Na Unicat, apenas dois funcionários trabalharam, ontem, durante o dia de apagão na saúde


Na Unicat, apenas dois funcionários trabalharam, ontem, durante o dia de 'apagão' na saúde

A diretora do Sindicato dos Servidores em Saúde (SindSaúde/RN), Rosália Fernandes, afirmou que chegou a receber uma ligação da chefe do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha, solicitando que o ‘Apagão’ não fosse realizado. “É preciso entender que esse é um movimento que já estava marcado não de hoje, não de ontem, mas fruto de uma situação que já vem se estendendo por dois meses. Temos pessoas passando fome e precisamos de garantias para poder minimamente alimentar suas famílias”, afirmou a diretora.

Diversos servidores afirmaram estar passando por dificuldades financeiras graves em função do atraso salarial. É o caso da auxiliar de enfermagem Maria do Carmo Bastos, de 51 anos. Funcionária do Hospital Santa Catarina, na zona Norte de Natal, Maria do Carmo conta que já teve de cancelar o plano de saúde de um de seus filhos, além de ter perdido prazos de negociação de dívidas com bancos e até mesmo a televisão de sua casa para tentar quitar as dívidas:

Magnus Nascimento
Maria do Carmo Bastos, auxiliar de enfermagem

Maria do Carmo Bastos, auxiliar de enfermagem


Maria do Carmo Bastos, auxiliar de enfermagem

“Esse atraso implicou de todas as formas na minha vida. Os bancos não querem saber se estamos recebendo o salário com atraso, eles não negociam as datas de pagamento, então só vamos acumulando mais e mais dívidas e juros. Fui obrigada a cancelar o plano de saúde do meu filho caçula. Cancelei também meu plano funeral, perdi minha televisão... Ou seja, tudo que a gente conquistou durante anos de trabalho na saúde, foi perdido. A gente procura oferecer o melhor dentro das possibilidades que nos são oferecidas, mesmo com sucateamentos, com gambiarras. Mas além desse sucateamento, agora estamos enfrentando perdas materiais”, relata Maria do Carmo, que é servidora estadual há 21 anos.

De acordo com ela, os funcionários da saúde estão há 7 anos sem reajuste, mas como o pagamento costumava sair em dia, ainda era possível equilibrar as despesas domésticas com o valor recebido. “Nós já controlávamos o nosso orçamento, não recebíamos muito, então não tinha margem para sobra, mas não tinha atraso de conta de água, de luz, de aluguel. Meus filhos tinham plano de saúde, a gente não passava necessidade.  Hoje, vejo colegas que estão adoecendo, porque estão tendo que trabalhar turnos dobrados em hospitais particulares para poder se alimentar. Como vamos prestar um bom serviço à população assim? ”, completa.


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