Redinha de ternura e solidão

Publicação: 2018-06-06 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

A praia da Redinha ganhou um retrato afetivo e poético no mais novo curta-metragem do diretor Augusto Luís, o Lula. Intitulado “Arredia e Tão Só”, o filme marca a retomada de Augusto a produção de trabalhos autorais depois de 25 anos afastado – período em que esteve atuando no mercado publicitário. O lançamento do curta acontece nesta quarta-feira (6), na abertura do festival Goiamum Audiovisual, no Solar Bela Vista (Cidade Alta). A programação tem início às 19h, com a intervenção “De Olhos Bem Fechados”, uma experiência de acessibilidade no qual cada pessoa na plateia vivenciará um modo próprio de ver o filme. Às 20h20 será mostrado “Arredia e Tão Só”. A entrada é gratuita.

Arredia e Tão Só retrata a vida de quem nasceu ou cresceu na Redinha
'Arredia e Tão Só' retrata a vida de quem nasceu ou cresceu na Redinha

O filme traça um panorama da praia da Redinha a partir do ponto de vista de antigos moradores, nativos e de textos de poetas e escritores que escreveram sobre o lugar. Segundo Augusto, o conteúdo é mais poético que histórico. “Mostro uma Redinha idílica. Saio do senso comum da praia de veraneio, carnaval e ginga com tapioca para focar nas lembranças de pessoas que vivem no lugar há mais de 50 anos. E misturo esse conteúdo com textos poéticos e não poéticos de escritores que se dedicaram a falar sobre a Redinha”, conta o diretor.

Dentre os autores citados estão Mário de Andrade, Newton Navarro, Jarbas Martins, Luís da Câmara Cascudo e Palmyra Wanderley. Foi justamente um verso de Palmyra que rendeu o título do filme. “Ela se referia a Redinha como um lugar distante de Natal, sozinha, solitária”, diz Augusto.

Mas o curta também trata de uma Redinha longe na memória, reconhecível apenas por antigos moradores. “Assim como muitos natalenses, eu cheguei a veranear na Redinha quando criança. Mas a lembranças daquela época estão perdidas no inconsciente. O filme foi uma maneira de buscar essas imagens e mostrar para as pessoas essa Redinha”, reflete.

O filme levou três anos para ser concluído. Traz registros inéditos e imagens antigas, algumas do início século passado, conseguidas com a contribuição do colecionador André Madureira, que possui um acervo raríssimo de fotografias da praia.

Longe da memória: Filme traz imagens raras da Redinha do século passado
Longe da memória: Filme traz imagens raras da Redinha do século passado

“Uso imagens em preto e branco e em cores simultaneamente. Ao longo da produção contei com seis cinegrafistas diferentes, então há também vários olhares. Gosto de trabalhar com essa liberdade de estilo. Fizemos mais de 700 takes. Ficou muito material de fora. O primeiro corte que dei deixou o filme com 30 minutos. Cortei mais um pouco e finalizamos nos 22”, detalha o diretor. Para dar força na linha poética da obra, ele montou uma trilha sonora com canções de Mirabô Dantas, Carlos Gomes, Brian Eno e do grupo Brinquedo Rico. “Parafraseando Glauber Rocha, é um filme para ver e ouvir”, ressalta.

“Arredia e Tão Só” é uma realização da Amarela Produções, com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FIC – 2015), da Prefeitura de Natal por meio da Funcarte/Secult. Ainda no mês de junho o filme será lançado na Redinha, por ocasião do aniversário do bairro.

Trilogia sobre Natal
A abordagem sobre a Redinha em “Arredia e Tão Só” marca o segundo mergulho de Augusto Lula sobre lugares específicos da cidade de Natal. O primeiro se deu há 25 anos com “Ribeira Velha de Guerra”. O diretor tem na gaveta material gravado para uma terceira abordagem urbana, desta vez sobre “Rocas-Quintas”, mostrando a relação entre os bairros da zona leste e oeste respectivamente. Augusto também tem pela frente outro projeto: um documentário ficcional sobre o cangaceiro Jararaca, morto ao tentar invadir Mossoró. Há dez anos que ele reúne material sobre o personagem, já tendo realizado entrevistas gravadas e cenas.

Depois de 20 anos produzindo filmes publicitários, ele está mais entusiasmado com a produção de trabalhos autorais, incentivado pelo crescimento do audiovisual local. “Antigamente era muito caro produzir filmes. Era difícil conseguir equipamento emprestado. Hoje as oportunidades são melhores. Natal está vivendo um boom no audiovisual e isso motiva”, comenta.

Serviço
Festival Goiamum Audiovisual;
Local: Solar Bela Vista, av. Câmara Cascudo, Cidade Alta;
19h – Abertura;
19h30 - Intervenção De Olhos Bem Fechados: exibição de curta com recursos acessíveis;
20h20 - Lançamento do curta "Arredia e Tão Só". Diretor: Augusto Luís (RN).


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários