Reencontro irado: Nasi fala sobre a volta do Ira!

Publicação: 2014-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
repórter

O mundo dá muitas voltas e o ‘planeta’ Ira! levou sete anos para completar seu movimento combinado de rotação e translação. Expoente do rock oitentista ‘made in’ São Paulo, a banda está de volta aos palcos após período de recesso – e ânimos acirrados entre seus integrantes – para mostrar que o rock fala mais alto. O reencontro que parecia improvável há pouco tempo não é pontual, marca início de um novo ciclo para o agora quinteto capitaneado por Nasi e Edgard Sacandurra. A dupla está na estrada com a turnê nacional Núcleo Base, que aterrissa em Natal nesta quinta-feira (14), às 21h, no Teatro Riachuelo.
DivulgaçãoEdgard Scandurra e Nasi retomam parceria e deixam as diferenças no passado para azeitar novamente uma das mais lendárias bandas do rock brasileiroEdgard Scandurra e Nasi retomam parceria e deixam as diferenças no passado para azeitar novamente uma das mais lendárias bandas do rock brasileiro

#saibamais#Com nova formação, que passa a contar com Daniel Scandurra (filho de Edgard) no baixo, Evaristo Pádua na bateria e Johnny Boy nos teclados, o Ira! destila compilação de tudo o que foi feito ao longo de 34 anos de carreira. Núcleo Base faz uma viagem no tempo e passeia por todas as fases da banda a partir de clássicos do repertório ‘irado’ como “Flores em você”, “Dias de luta”, “Envelheço na cidade”, “Gritos na multidão”, “Vivendo e não aprendendo”, “Eu quero sempre mais”, “Tarde vazia” e “O girassol”. Apesar do revival, Nasi e Scandurra não pararam no tempo e já trabalham na produção de um novo disco, o 12º de estúdio, e aproveitam a oportunidade para apresentar a inédita “ABCD”.

Como nada é por acaso, o nome da turnê pega emprestado o título de uma das faixas registradas no álbum “Mudança de Comportamento”, o primeiro lançado pelos paulistanos em 1985, que sintetiza a intenção de passar a limpo o núcleo e a base que forjaram a trajetória do Ira!

O primeiro capítulo dessa retomada da banda começou a ser escrito em outubro de 2013, quando Nasi e Scandurra participaram de um show beneficente em São Paulo; reencontro consolidado em maio deste ano durante show na Virada Cultural na capital paulista. Inclusive a reconciliação entre os dois foi contada no programa Profissão Repórter (TV Globo) exibido no último dia 5 de agosto.

Para os não iniciados, ou para àqueles que conheceram o lado balada e mais pop do Ira! através do bem sucedido “Acústico MTV”, lançado em 2004 e que vendeu 300 mil cópias, vale ressaltar que a essência permanece inalterada: a banda reúne no mesmo caldeirão influências de ícones da música internacional e nacional como The Clash, The Who, The Jam, Beatles, Ramones, Sex Pistols, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Walter Franco, Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Raul Seixas.
Rui MendesApós intervalo de sete anos, o Ira! volta com nova formação como quinteto. A banda está na estrada com a turnê Núcleo Base e já prepara novo disco de inéditasApós intervalo de sete anos, o Ira! volta com nova formação como quinteto. A banda está na estrada com a turnê Núcleo Base e já prepara novo disco de inéditas

O Ira! foi formado em 1981 sem a exclamação, nome diretamente inspirado no Exército Republicano Irlandês – antes, já influenciados pelo movimento punk, Nasi e Scandurra formaram a banda Subúrbio no final dos anos 1970, o hit “Pobre Paulista” vem dessa época. Após mudanças na formação e o acréscimo do ponto de exclamação, a banda se firmou como quarteto com André Jung na bateria e Ricardo Gaspa no baixo; escalação que durou até 2007, quando brigas internas dissolveram o grupo.

Para falar dessas e outras histórias, a reportagem do VIVER entrevistou com exclusividade por telefone o vocalista Marcos Valadão Rodolfo, o Nasi:

Essa retomada do Ira! é pra valer ou Núcleo Base é uma turnê comemorativa pontual?
Não é pontual, o Ira! voltou pra ficar. Essa turnê marca o início de uma nova fase da banda, temos intenção de lançar novo disco em breve, e como estamos com nova  formação esses shows também visam nosso entrosamento no palco. Núcleo Base chega como uma turnê de saudação para matar a saudade entre nós, nós com o público e do público com a banda.

E a pergunta que não quer calar: reconciliações são sempre difíceis. Quanto tempo ensaiou a ligação que fez para o Edgard em 2013?
Primeiro vou fazer aqui um desabafo: fiquei decepcionado com o programa Profissão Repórter (exibido dia 5 de agosto na TV Globo sobre reconciliação de bandas). Enganaram a gente, disseram que iriam mostrar o dia a dia de uma banda na estrada, eles viajaram conosco, assistiram três shows, e no final exploraram a briga e a reconciliação. Não abriram o jogo, não mostraram a banda no palco, o lado positivo dos shows que fizemos. Fiquei decepcionadíssimo com o Caco Barcelos e sua equipe. Mas respondendo sua pergunta, demorou um tempo até a poeira baixar, o tempo de cada um sentir saudade. Em alguns shows solo que fiz, por exemplo, passaram coisas pela minha cabeça do tipo: “como seria ótimo ter o Edgard tocando aqui agora conosco”. Minha família foi muito importante nessa reconciliação, procurei meu pai, meu irmão (o empresário da banda Aírton Valadão Júnior, com quem Nasi brigou feio em 2007) me procurou e passou o telefone do Edgard. Enfim, nada como uma boa conversa e uma taça de vinho para acertar os ponteiros.

Então essa reconciliação também se estendeu ao Júnior, que reassumiu o posto de empresário da banda?
Sim, tudo voltou aos eixos. Meu irmão tinha largado a música (depois da briga interna do Ira!), mas estava ajudando a produzir o show beneficente. O convite para voltar a ser nosso empresário foi feito, aceito, e conversamos muito para evitar falhas do passado.

Você que já foi o sósia do Wolverine, hoje voltou a brigar com a balança?
Cara, rompi um tendão (de Aquiles) do pé esquerdo há uns dois anos, e estou há seis meses sem fazer exercícios. Agora estou mais pra família Soprano que para Wolverine, minha fase galã passou [risos]. O importante é cuidar da saúde, sem pressa, quero é estar bem. Não tenho necessidade de manter a imagem de ‘tio gato’ [gargalhada], não é algo que tira meu sono; ou seja, aquele Nasi do Acústico MTV (2004) esqueça! Que gostem de mim como cantor, a música em primeiro lugar.

O Ira! está de volta com nova formação. Como foi essa reconstrução? O André Jung e o Ricardo Gaspa não toparam essa retomada?
Quando rolou o show beneficente a imprensa começou a tratar o evento como o retorno do Ira! Procuraram o André e o Gaspa, e de cara o Gaspa disse que não tinha interesse em voltar, que estava com outros planos, carreira solo, que achava que o Ira! que deveria ter uma nova formação. Quanto ao André, minha relação com ele é muito desgastada, não é uma pessoa que quero ter como parceiro e a volta tendo ele na bateria seria algo descartado por mim.

E o formato quinteto, com a entrada do teclado na banda?
A fase de quarteto do Ira! está encerrada. O Johnny Boy (teclado) já havia gravado conosco em pelo menos três discos, ele também toca violão, e percebemos com a turnê do Acústico MTV que só como trio estaríamos muito limitados.

DISCOGRAFIA
IRA (1983) – single
Mudança de Comportamento (1985)
Vivendo e Não Aprendendo (1986)
Psicoacústica (1988)
Clandestino (1990)
Meninos da Rua Paulo (1991)
Música Calma para Pessoas Nervosas (1993)
7 (1996)
Você Não Sabe Quem Eu Sou (1998)
Isso é Amor (1999)
MTV ao Vivo (2000)
Entre Seus Rins (2001)
Acústico MTV (2004)
Invisível DJ (2007)
Ira! e Ultraje a Rigor – Ao Vivo Rock in Rio (2011) - show gravado em 2001

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